Oráculos e profecias

Tenho
evitado fazer previsões de taxas de juros nas minhas colunas, ao contrário do
que ocorre em minha atividade como consultor, onde a maior parte do meu tempo é
dedicada à tarefa de tentar adivinhar os resultados das reuniões do Copom, como
a de hoje. Em parte esta postura reflete um anseio pessoal de sair um pouco
desta discussão para tratar de outros temas; por outro lado resulta também das
dificuldades crescentes de entender o processo decisório do BC.
Para
ser sincero, isto nunca foi fácil, mas, durante muito tempo era ao menos
possível acertar a direção do movimento, embora nem sempre sua magnitude. Um tanto
pela vivência, é claro, mas principalmente porque não era necessário nenhum
grande salto de imaginação para entender o que o BC pretendia: manter a
inflação flutuando ao redor da sua meta.
De
dois anos para cá, porém, quem quer que tenha tentado usar esta informação deve
ter ficado (como eu) particularmente frustrado. Mesmo agora que o Copom
embarcou num tardio e, aparentemente, modesto processo de aperto monetário, a
dificuldade de entender o que pretende o BC (ou o governo que nele manda) tem
obrigado a exercícios de adivinhação cada vez menos distantes do exame das entranhas
dos animais sacrificados, ou do voo dos pássaros.
No
caso, minha particular intepretação das vísceras do cordeiro imolado anteontem
sugere que o BC deverá acelerar o passo do aumento da Selic, dos 0,25% adotados
na última reunião, para 0,50% agora. Segundo as entranhas, o mercado tem
mandado recados contundentes à autoridade monetária, a começar pelo
comportamento das taxas de juros.
De
fato, entre a véspera da reunião de abril (onde a aposta frustrada do mercado
era de um aumento de 0,50%) e a última sexta feira, as taxas de juros para
prazos mais curtos caíram levemente. Já as taxas para prazos mais longo (3 ou 4
anos à frente) subiram de forma visível. Isto poderia parecer uma contradição, em
vista da decisão do BC por um aperto mais moderado do que o antecipado, mas um
olhar mais detalhado revela não ser o caso.
Este
comportamento – estabilidade das taxas curtas e aumento das taxas longas –
tipicamente reflete um aumento das preocupações com a trajetória da inflação.
Se
formos considerar a previsão dos economistas, coletada pelo BC e divulgada
semanalmente pelo relatório Focus, houve mesmo um aumento das
expectativas de inflação, tanto para este ano como para o próximo, mas não é a
este sinal que me refiro.
O
sinal mais preocupante vem do próprio mercado de juros, onde as apostas acerca
da evolução da inflação pioraram visivelmente no período acima referido,
notando que, no caso, o custo da aposta errada não é o ego machucado como no
caso das projeções do Focus, mas perda financeira, o que
gera um incentivo poderoso à melhor previsão possível.
Em
particular, o aumento das taxas de juros mais longas desde então pode ser quase
que integralmente atribuído à piora da inflação esperada anos à frente, que,
por sua vez não pode resultar de qualquer choque de curto prazo, mas sim da
percepção de um BC cada vez menos comprometido com a meta de inflação.
Mantendo
a escrita, em sua última reunião o Copom não perdeu a oportunidade de perder
uma excelente oportunidade para começar de forma mais decidida o processo de
aperto monetário, ainda mais porque o mercado já incorporava à época um aumento
de meio ponto percentual (embora, diga-se, o voo dos pássaros, corretamente
interpretado na ocasião, houvesse me sugerido 0,25%). A aceleração agora
ajudaria a corrigir o erro do mês passado, na prática a principal razão para minha
aposta.
Isto,
porém, é café pequeno. Qualquer que seja a decisão, a mensagem mais importante
é que dificilmente o BC tomará as medidas necessárias para trazer a inflação de
volta à meta. As entranhas neste caso apenas confirmam o que o Copom tem feito
nos últimos anos.
A sagrada arte da previsão
econômica
(Publicado 29/mai/2013) 

87 thoughts on “Oráculos e profecias

  1. Alexandre, acho que estamos vivendo um paradoxo econômico: A mesma força que estimula a economia (politicas de transferência de renda) está matando a expectativa dos consumidores e das unidades produtivas (inflação, baixa produtividade e estimulo a desqualificação profissional).

  2. O que querem esses senhores? Que o CORECON casse suas carteiras? Que a economia brasileira se desarrume de vez?
    Economia com ideologia não funciona.
    Será que eles sabem disso?

  3. Alex, mandou bem demais! E daqui há 6 semanas – próxima reunião – você poderia publicar esse texto novamente. Fará o mesmo sentido.

  4. > O ministro da Fazenda também admitiu que a economia brasileira não deverá crescer no ritmo de 3,5% neste ano…ráááááááááaáá Pegadinha do Malandro

    > Quem é maior “levantador de PIB”?

    O original “duende previsor” X BCB com o IBC-BR termômetro para o PIB. x Belluzzo (5% na melhor das hipóteses)

    > BCB com metas e IBC-BR ===== "que beleeeza"

    > Em junho IPCA 6,7 – 6,9

  5. Já que é para fazer previsão, vamos lá a camisa nova da CBF que o Neymar usou ontem já está prevendo o luto no final da Copa em 2014, assim em julho de 2014 com a inflação a 12%, os deficit externo chegando em 3.65%, o dollar nos 2,25 (claro que se o Bresser ainda estiver vivo ele vai estar pedindo uma paridade a 3.20), quem sabe aí o povo acorda e viu que o pão e circo não adianta nada e que o desemprego já está batendo na porta. Prefiro continuar penta campeão na COPA e ter uma mudança de qualidade na nossa administração.

  6. relax:
    O Prêmio Nobel vai para… Guido Mantega.

    . 16 DE MAIO DE 2013 "MANTEGA FORTALECIDO – "Foi muito bom", saudou, num largo sorriso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao comentar a alta do PIB de 1,05% no primeiro trimestre, divulgada nesta quinta-feira 16 pelo IBGE"

    . MANTEGA SOBRE O PIB DE 0,6%: “ESTÁ ACELERANDO”. Nas contas dele, a economia brasileira está "num ritmo de crescimento de 2,2%" ao ano
    . Mantega sai da fazenda e vai ser o mentiroso-geral da republica no Got Talent Brasil.

    . Mantega governador de SP. É a melhor forma de afasta-lo "do comando" da Economia Brasileira e mandar esse INCOMPETENTE para tentar o governo de São Paulo

    .SE ISSO SE CONFIRMAR, EU VOTO NO TIRIRICA p/ governador.

  7. A ultima declaração do Mantega: "é pequeno mas é com qualidade"

    Me lembra um amigo japonês que saia pra balada e só pegava resfriado.

    Dizem que o "Zorra Total" está querendo contratar o cara

  8. O fracasso já está dado para este ano também. Com a "correção " da política monetária, a desconfiança do setor privado e a total ineficiência dos gastos públicos o pibinho deve ficar abaixo de 2%. Devem estar apostando na retomada em 2014, ano de eleição. Será que a estratégia vai funcionar?

  9. ótimo texto, alex.
    eu acrescentaria que vale, talvez preponderantemente aos consultores, a máxima observada pelo poeta já no século xix: "life is the art of drawing sufficient conclusions from insufficient premises"
    abs

  10. Há algum tempo Delfim e Belluzzo voltaram a pedir câmbio mais desvalorizado, o que já está ocorrendo. Como foram eles que autorizaram o BC a aumentar os juros… Aliás, os dois têm uma teoria do crescimento função do câmbio. Solow aumentado neles,como faz o Samuel Pessoa.

  11. O Brasil esta virando um grande fazendão.Os numeros do Pib mostram isso,a industria tem queda de 0,3% e a pecuaria crescimento de 9,7%.

  12. Quem pede cambio desvalorizado e' vendido para industria. Eu quero cambio supervalorizado, quero zero tarifa de importacao, i.e. quero transferencia de renda real do setor exportador p meu bolso.

  13. Que teoria é essa do crescimento função do câmbio? Dando uma olhada na literatura do crescimento/desenvolvimento encontro: poupança,capital humano, tecnologia,abertura para o exterior,instituições(democracia,origem do direito,lingua,direitos de propriedade,tamanho do estado…),,inflação…..Cadê o câmbio?……Parece que os caras querem reeditar o milagre que Delfim fez em 80: maxidesvalorização seguida de hiperinflação e décadas de crescimento perdidas.

  14. Dane-se essas picuinhas sobre onde esta a taxa de juro, o cambio, a taxa de crescimento do pib etc. Eu quero ser desenvolvido!!! E não acho que exista alguma mix de juro-cambio-inflacao que seja sequer condicao necessaria pra nos tornarmos uma sociedade desenvolvida. Como não há sequer indícios de que o que é necessário pra nos colocar nesse caminho do desenvolvimento está em curso (essencialmente, reformas no sistema educacional e nas instituições do país), esse debate de comentariasta sobre se certos preços da econia são os preços corretos é mera bobagem que não toca a questão realmente importante: como deixar de ser — se é que é possível — a republiqueta socialista de bananas que somos?

  15. Calma, calma! O PIB do povo está cescendo(emprego,salários),que é o que vira voto.O Pib do IBGE é preocupação das zelites.

  16. Prof. Alex, já que o senhor atingiu mais de um milhões de leitores, no lugar dos dezoito, conversando com um colega, ele me mostrou um livro de Economia Aplicada de quadro economista da FGV Management, realmente fraco, mesmo para alunos de administração. Venho novamente, dentro um de seus milhões de leitores, solicitar que faça um livro desde o Plano Real. Poder-se-ia colocar os testes com o gráfico, e os dados no Excel, isso ajudaria muita as novas gerações de estudantes e muitos que não sabem onde encontrar dados, como uma variável e ajustá-las além das fontes. Cada gráfico de um artigo que você apresenta tem uma adversidade de variáveis macroeconômicas. Já passou muitos anos após o Plano Real. Há ainda aqueles artigos excepcionais como ”What to Expert When you are Expecting” além de outros que poderiam fazer parte do livro. O tempo insta.
    Estou levantando está idéia, novamente como outros no passado, pensando não apenas em seus milhares de autores, mas em mim, afinal como diz Jeremias,cap.17,5 ‘Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem”, Destarte, supondo concorrência perfeita numa economia de mercado, apesar da inexistência de uma entidade coordenadora do interesse comunal, a interação dos indivíduos parece resultar numa determinada ordem, como se houvesse uma "mão invisível" que os orientasse.
    . Espero que leia este e-mail com carinho precisamente agora que o Senhor tem um bom Staff.E sua missão como o senhor mesmo diz é educar
    Charles.

  17. Alguem poderia me explicar ou onde posso achar sobre Delfim e Belluzzo voltaram a pedir câmbio mais desvalorizado, o que já está ocorrendo. Como foram eles que autorizaram o BC a aumentar os juros… Aliás, os dois têm uma teoria do crescimento função do câmbio. Solow aumentado neles,como faz o Samuel Pessoa.
    Grato

  18. >como deixar de ser — se é que é possível — a republiqueta socialista de bananas que somos?

    A resposta e simples e tem pouca relacao direta a economia: "rule of law"

  19. Anônimo (29/05/2013 às 15:52),
    Em relação a sua exclamação, que me pareceu ter ares interrogativos, e transcrita a seguir:
    "Inflacao a 12% em julho de 2014 seria um sonho!!!"
    Eu diria que ponha sonho nela.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 01/06/2013

  20. O Sr. Charles (comentário acima) tá meio certo. O ALEX tá devendo é um livro que apresente o Pensamento Econômico que deve notear o Estado brasileiro. Um Manual (que não precisa ter esse título) que desmistifique idealismos equivocados, boas intensões catastróficas, alternativas imediatistas, mal-caratismos a torno e a direito. ALEX é o único economista (entre outros de inegável mérito intelectual) que poderia oferecer ao país essa luz no fim do túnel. Vamos fazer uma campanha por essa obra (de arte e de emergência!) antes que a vaca vá definitivamente pro brejo.

    Abs.

  21. Anônimo disse…
    to rindo muito do comentário do anônimo (31 de maio de 2013 20:13) que assinou como "Charles
    Anônimo disse…
    to rindo muito do comentário do anônimo (31 de maio de 2013 20:13) que assinou como "Charles
    Primeiro eu “to rindo. Fica mais deselegante: estou sorrindo. Sua língua deve estar ou ser travada.
    Segundo, Há tenta coisa neste mundo para sorrir, porque não tenta sorrir de si próprio. Não vou perder muito meu tempo com o Senhor. Identifique-se primeiro. O meu nome é mesmo Charles. Estava apenas sugerindo o que muitos já sugeriram neste blog para o Prof. Alex escrevesse um livro (pesquise nele), não obstante, o senhor não se manifestou ou sugeriu coisa nenhuma. Estranho, só comentário ridículo. Porém, acho que vou continuar sugerindo para o prof Alex escrever um livro, as gerações vindouras vão agradecer.
    Terceiro, aprenda uma coisa: Para que os ramos de uma árvore possam chegar ao céu, as raízes dela devem chegar ao inferno, as suas devem estar muito profundas. Caso queira me criticar novamente, identifique-se, afinal como disse Charles Darwin, “os brasileiros, até onde sou capaz de julgar, possuem apenas uma pequena porção das qualidades que conferem dignidades à humanidade.”.
    Quarto, se for perder seu tempo respondendo esse comentário, identifique-se, por gentileza, pois assim valerá a pena lê-lo, embora para o Senhor dever ser do tipo que se esconder nas sombras, e para mim um pouco de desprezo me economizará uma boa porção ódio.
    Charles.

  22. Uma pergunta aos 18 leitores e 1 autor…

    se a expansao e o barateamento(?)do credito nao estava ajudando no crescimento recentenemente, ate que ponto podemos assumir que o ciclo de aperto nao vai atrapalhar? Com certeza alguns setores que dependem mais de credito vao sofre mais – pensando nao so em imoveis mas tambem a industria automotiva…

  23. "…Que teoria é essa do crescimento função do câmbio? Dando uma olhada na literatura do crescimento/desenvolvimento encontro: poupança,capital humano, tecnologia,abertura para o exterior,instituições(democracia,origem do direito,lingua,direitos de propriedade,tamanho do estado…),,inflação…..Cadê o câmbio?……"

    O câmbio fica normalmente do lado do volante (a não ser que seu carro seja automático).
    Saudações

  24. Alex e O,

    o Oreiro roda um monte de VAR

    essas coisas n tem problema de endogeneidade não ?

    dia desses vi ele fazendo isso pra dizer que o Investimento + Exportações Liquidas + Gastos Governo

    explicam o crescimento do Produto, e portanto você tem uma relação de determinação da "demanda agregada" para o produto.

    O som disso é estranho pra mim, algum comentário ?

  25. "O câmbio fica normalmente do lado do volante (a não ser que seu carro seja automático)."

    DISCORDO! Meu carro é automático e TEM câmbio ao lado do volante…

  26. "Alex e O,

    o Oreiro roda um monte de VAR

    essas coisas n tem problema de endogeneidade não ?

    dia desses vi ele fazendo isso pra dizer que o Investimento + Exportações Liquidas + Gastos Governo

    explicam o crescimento do Produto, e portanto você tem uma relação de determinação da "demanda agregada" para o produto.

    O som disso é estranho pra mim, algum comentário ?"

    Endogeneidade, nao. Como o VAR é um sistema de equações, em que todas as variáveis endógenas dependem de todas endógenas (e as exógenas, claro), não há problema de endogeneidade como enfrentado no caso de MQO, por exemplo.

    Por outro lado, a questão da causalidade é bem mais complicada (pergunte para o O, que entende mesmo deste assunto) em geral. Já explicar o PIB em função dos seus componentes (a identidade contábil) é barbeiragem mesmo.

  27. "O câmbio fica normalmente do lado do volante (a não ser que seu carro seja automático)."(Anônimo)

    DISCORDO! Meu carro é automático e TEM câmbio ao lado do volante…(AS)

    Engraçado, no meu automático também!!!!

  28. Prezado Charles
    Quando ouço um aluno de economia dizer que quer ser o Alex S quando crescer, não vejo nada de mais. Quando ouço um segundo, chego mais perto para ver se ouvi direito. Quando ouço um terceiro, tenho que reconhecer aí uma tendência. Certamente há quem ache que um aluno almejar ser igual a um desempregado é um sinal de corrupção de nossa juventude. A minha boa índole me leva a ver um sinal inequívoco de prestígio. O que me preocupa não é ser melhor que o Alex e não ter o mesmo prestígio. O que me preocupa é saber que vivendo apenas de prestígio, o Alex pode acabar ficando diabético.

  29. "O que me preocupa não é ser melhor que o Alex e não ter o mesmo prestígio. O que me preocupa é saber que vivendo apenas de prestígio, o Alex pode acabar ficando diabético."

    É chato ser O BOM…

  30. "…o Oreiro roda um monte de VAR…"

    Vocês entenderam tudo errado. O Oreiro não roda um monte de VAR. Ele roda em cima de um monte de VAR(a).
    Entenderam?

  31. dica para o anônimo que cita que Kalecki: se você rodar o PIB pelos seus componentes (C+I+G+TC), seu R² será igual a (ou muito próximo de) 1. Aliás, as estimativas dos parâmetros multiplicando as variáveis serão iguais a 1 e o intercepto algo próximo de zero. Não porque você sacou quais variáveis explicam perfeitamente o PIB, mas porque você regrediu uma identidade, a própria definição de PIB. Em outras palavras, uma barbeiragem medonha.

  32. Alex, nao caiu nenhuma questao sobre Kalecki na sua prova de macro na Anpec? Vc e' velho o suficiente p ter pego aquela prova de macro made in campinas

  33. "Vc e' velho o suficiente p ter pego aquela prova de macro made in campinas"

    Sou mesmo, mas não me lembro de questões específicas (verdade). O que me lembro bem foi ter saído tão eufórico da prova de macro que comprei uma coleção completa do Asterix na livraria da FEA.

    Depois fiz a prova de estatística e só não devolvi a coleção inteira porque fiquei com vergonha.

  34. "Não porque você sacou quais variáveis explicam perfeitamente o PIB, mas porque você regrediu uma identidade, a própria definição de PIB. Em outras palavras, uma barbeiragem medonha."

    Perfeito.

    Outro dia encontrei um que regrediu o IPCA em comercializáveis, não-comercializáveis e administrados e achou, orgulhoso, um R2 de 0.98. Meu comentário é que ele deve ter feito algo errado, porque devia ser 1.00. Ele ainda não entendeu, porque continua usando o argumento…

  35. Vamos ver se esse pessoal do blog entende de economia:

    ANPEC 1991 – QUESTÃO 10
    Uma economia oligopolizada se comporta nos termos do modelo de Kalecki. Especificamente, o produto real Y se divide entre a parcela (1/1+m) Y pertence aos trabalhadores e a parcela (m/1+m) Y pertencente aos capitalistas. No caso, m é a margem de lucro, determinada pelo grau de oligopólio na economia. Os trabalhadores consomem toda sua renda. A despesa dos capitalistas, que inclui consumo mais investimento é dada por:
    c (m/1+m) Y + A

    onde A é uma constante positiva, e 0 < c < 1, o que significa que a propensão marginal a consumir dos capitalistas é menor do que 1. Admita que o limite de capacidade de produção da economia seja , e que o governo, através de um órgão tipo CIP, resolva controlar m. Nesse caso:

    (0) Se a economia estiver operando abaixo de seu limite de capacidade, uma redução da margem de lucro aumentará o consumo dos trabalhadores.
    (1) Se a economia estiver operando abaixo de seu limite de capacidade, uma redução de m não alterará o produto Y.
    (2) Se a economia estiver operando abaixo de seu limite de capacidade, uma redução de m diminuirá o lucro total dos capitalistas.
    (3) Se a economia estiver operando abaixo de seu limite de capacidade, uma redução de m levará ao desabastecimento.
    (4) O modelo de Kalecki ajuda a interpretar tanto a euforia inicial quanto o fracasso do Plano Cruzado.

  36. Anônimo says: 3 de junho de 2013 16:35 Reply
    Prezado Charles
    Quando ouço um aluno de economia dizer que quer ser o Alex S quando crescer.

    O Senhor é maluco, ou deve ter algum problema sexual. Faz anos que peço para ele escrever um livro de economia, quando ele plota um artigo com dados, não tenho vergonha de pedi-lo via e-mail (tenho quase todos bobão, não tenho vergonha de aprender o básico, que sem ele não adianta muita coisa). Saiba que tive de provar os livros de microeconomia Theory de Mas-Colell, fundations do Prof. Odebstfeld e de estatística do prof. Green. Se o Senhor se identificar poço mandar-lhe as soluções.
    Precisamos de certos conceitos que a maioria não tem e não aprendemos nas universidades. Apenas como exemplo, entrei no sait do professor Peter Phillips e no primeiro ano, como exercício, ele mandou os alunos rodarem o artigo de James Stock e Watson “forecastiing inflation . Apesar de tudo isso tenho a humildade (apesar de não me humilhar porque não sou tão importante assim: consegue compreendeste isto) de pedir para ele escrever um livro com os artigos que citei acima, os outros que tenham gráficos e variáveis macroeconômicas, colocar as fonte, a metodologia e a base das variáveis, enfim como as se constrói também . O Senhor é louco dizer que eu quero ser igual a ele, uma pessoa que pede para alguém escrever um livro é porque tem dúvias, como se expressou um senhor acima. Só isso. Hoje estou escrevendo este e-mail como a Tia nos ensinava: sujeito, verbo e predicado.
    Quando o DEPEC começou, tinha dois ou três funcionários, todos inteligentes, hoje passados mais de 20 amos tem um grande staff, pena que alguns vão para o Senado e outros lugares . olhe um texto que escrevi na Brazilian Review of Econometrics may de 2007 , simples, mas como muito esforço, também fui o primeiro um escrever um artigo para o sistema de target inflação no Brasil (embora os academicos já estavam todos pesquisando nesta área (veja no sait do Banco Central , mas tenho a humildade de saber que muitos países já a usavam, apenas utilizei o livre do do prof. Walsh e fiz com os colegas da UNB. Sei que as gerações de hoje serão melhor que as anteriores. Fiz trabalho simples, porque a década de noventa só tinha comunistas rustidos neste pais, depois keynesiano e agora não sei o que. O senhor virou o que? Iria acabar este e-mail sem classe. Mas para a sua alegria,e poder rir a noite toda e não engasgar porque faz mal. Aprenda essa lição. “Provai e vedes como o senhor e bom, feliz aquele que nele se refugia” Bonito não.
    Peça também ao prof. Alex para escrever um livro para as gerações futuras, quem sabe sobra um restinho para nós, cujo denominador está se aproximando do denominador. Consegue entender isso também. Agora me esqueça, arranje uma mulher bonita e todos os seus problemas passarão como dizia meu verdadeiro ídolo e filosofo Bezerra da Silva. Mané. Saia do anonimato, não precisamos ser Lucas, Sargente, Walsh, basta sermos nos mesmo Mané.
    Charles

  37. Anônimo (sexta-feira, 31/058/2013 às 07:59),
    Sou leigo e às vezes sou pego um tanto no contrapé aqui neste blog. No post "O ministro e as passas" de quarta-feira, 15/05/2013 (Pode ser visto no seguinte link: http://maovisivel.blogspot.com.br/2013/05/o-ministro-e-as-passas.html), eu tinha preparado dois comentários e só ia dar o arremate para os enviar quando um Anônimo enviou no domingo, 19/05/2013 às 15:04, um comentário fazendo menção a dissertação de mestrado do próprio Anônimo, Daniel Marchry Brum, intitulada "Valorização cambial no Brasil: o governo tem culpa?" de março de 2012 em que ele defende que não necessariamente o aumento dos gastos públicos causa valorização cambial. A dissertação de mestrado de Daniel Marchry Brum pode ser vista no seguinte endereço: http://www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/biblioteca/php/mostrateses.php?open=1&arqtese=1012742_2012_Indice.html
    Bem, depois do comentário do Daniel Marchry Brum, os comentários no post "O ministro e as passas" ficaram, como se diz hoje em dia, densos, e não se abriu espaço para os dois comentários que eu pretendia enviar. De todo modo, como eu, ainda que leigo, tenho me interessado pelo câmbio desde que o FMI (E Paul Volcker) nos obrigou a desvalorizar o câmbio em 1983 e logo em seguida o Brasil partiu para a recuperação econômica, eu imaginei que pudesse obter mais alguma informação sobre o câmbio na dissertação "Valorização cambial no Brasil: o governo tem culpa?" do Daniel Marchry Brum.
    A dissertação é apresentada em 7 partes e vá lá que em algumas delas tenha duas ou três linhas que me sejam compreensíveis. No capítulo 2, intitulado Modelo, há por exemplo a apresentação das variáveis e dos parâmetros. E na página 24, na Tabela 2 Descrição dos Parâmetros Profundos, o autor apresenta o parâmetro 'alfa' descrito como “Grau de abertura da economia” e assumindo o valor (0,1). Talvez para economista o significado desta linha na dissertação seja simplório. Para mim, não. Eu não entendi o que ele quis dizer por “Grau de abertura da economia” assumindo valores (Ou valor) (0,1). Significaria, por acaso, que o parâmetro assumiria valor entre zero e 1, ou seria zero ou 1, ou seria 0,1?
    Em seu comentário você relaciona crescimento econômico com “abertura para o exterior” que eu suponho tenha relação com o “Grau de abertura da economia”.
    Então a pergunta que eu faço a você e que eu fiquei um tanto reticente de a fazer para o Daniel Marchry Brum lá no post "O ministro e as passas", mas provavelmente também lá a farei consistiria em questionar se “abertura para o exterior” tem o mesmo sentido de “Grau de abertura da economia” e qual o significado que se dá às duas expressões e como se lê os valores a que corresponderia “Grau de abertura da economia” na dissertação de mestrado de Daniel Marchry Brum e como sua “abertura para o exterior” poderia ser expressa em valores e por que se trata de um parâmetro e não de uma variável?
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 03/06/2013

  38. (0) Se a economia estiver operando abaixo de seu limite de capacidade, uma redução da margem de lucro aumentará o consumo dos trabalhadores.
    (1) Se a economia estiver operando abaixo de seu limite de capacidade, uma redução de m não alterará o produto Y.
    (2) Se a economia estiver operando abaixo de seu limite de capacidade, uma redução de m diminuirá o lucro total dos capitalistas.
    (3) Se a economia estiver operando abaixo de seu limite de capacidade, uma redução de m levará ao desabastecimento.
    (4) O modelo de Kalecki ajuda a interpretar tanto a euforia inicial quanto o fracasso do Plano Cruzado.

    (0) verdadeiro
    (1) falso
    (2) verdadeiro
    (3) verdadeiro
    (4) verdadeiro

    ps: discordo de tudo que respondi kkkkkkk

    Deus me livre desse tipo de questão quando for prestar ANPEC, me dá ânsia.

  39. "Outro dia encontrei um que regrediu o IPCA em comercializáveis, não-comercializáveis e administrados e achou, orgulhoso, um R2 de 0.98. Meu comentário é que ele deve ter feito algo errado, porque devia ser 1.00. Ele ainda não entendeu, porque continua usando o argumento…"

    Não dá 1 não. Os pesos mudam todo mês.

  40. "…Sou mesmo, mas não me lembro de questões específicas (verdade). O que me lembro bem foi ter saído tão eufórico da prova de macro que comprei uma coleção completa do Asterix na livraria da FEA…"

    É, meus caros, mas quando o Alex fez ANPEC, a coleção completa do Asterix só tinha dois volumes!!! 8)

  41. Eu nao fiz esta anpec, fiz logo depois. Mas lembro que tive que estudar Kalecki para resolver as provas passadas. Foi aquele estudo so para passar e nao acabou nao caindo nenhuma questao sobre o polones na minha prova. Absoluta perda de tempo.

  42. Volta e meia o Delfim aparece e escreve um artigo mais sensato, mesmo que seja um is-lm meio disfarçado. Só que nesse mês ainda ele vai falar mal de banqueiro e que o câmbio é a solução, nem que seja na carta capital.

  43. Alex, você sabe algum local em Sampa que sirva tilápia? E sob forma de carpaccio? (Tilápia)

    Direto do meu serviço de utilidade pública!

    O Clube do Churrasco, no Butantã, na Av. Vital Brasil 1111, telefone 3726-6239 serve filet de tilápia. É muito boa. Na forma de carpaccio nunca vi.

  44. "Volta e meia o Delfim aparece e escreve um artigo mais sensato, mesmo que seja um is-lm meio disfarçado. Só que nesse mês ainda ele vai falar mal de banqueiro e que o câmbio é a solução, nem que seja na carta capital."

    Prezado, numa boa, as discordâncias variam sobre o que eh preciso para desvalorizar o cambio real. De que um cambio mais elevado eh fundamental para recuperar a competitividade da economia brasileira, isso ninguem discorda. Pergunte para qualquer empresario que concorre com importados e veja qual a opiniao (e mais, nao pergunte aos cafofos nao, pergunte aos mais eficientes do pais). Ignorar que o cambio esta muito valorizado eh burrice…

    1. Não conheço nenhum empresário de ponta, mas pelo o que eu leio no jornal a história não é exatamente essa. Também tem a alta e complexa carga tributária, a legislação trabalhista, a infra-estrutura, a constante alteração das regras do jogo, a pequena abertura comercial, a burocracia, o péssimo manejo da macroeconomia no curto prazo e a baixa qualidade do capital humano. Na minha opinião, do jeito que as coisas estão uma desvalorização cambial só vai trazer inflação e não vai mudar o fato de que nós não temos uma mão de obra capaz de exportar produtos tecnológicos (com raríssimas exceções) para o exterior.

  45. Alexandre,

    Exatos seis meses atras voce escreveu um artigo dizendo que a reducao da taxa de investimento no Brasil era uma questao derivada do aumento do custo unitario no pais.

    Pois bem, o custo unitario ainda se encontra em elevacao e a taxa de investimento se eleva. Com efeito, o investimento e' o componente do PIB de melhor performance e a categoria de bens de capital a que mais se destaca na producao industrial.

    O que pensas tu?

    Saudacoes, Jose!

  46. Anônimo (04/06/2013 às 2013 às 19:20),
    Sou leigo, o que pode não ser o seu caso, mas não sou tão neófito aqui no blog, o que me parece ser o seu caso.
    Só me resta então dizer que depois do que você disse é melhor se preparar para o que vem.
    Para você ter idéia do caminho que este blog trilha, veja a resposta que Edmar Bacha deu à seguinte questão formulada por Daniel Marchry Brum há mais de três anos no site Instituto de Estudos de Política Econômica – Casa das Garças (http://iepecdg.com.br/?acao=foruns&topico=4). Perguntou lá então o Daniel Marchry Brum em 13/10/2009:
    "Prezados,
    meu tema de monografia será estudar se o Brasil sofre ou não de uma desindustrialização precoce, impulsionada pela valorização cambial. Gostaria de indicações de leitura, sob o ponto de vista ortodoxo (sou estudante da UFRJ) nesse tema."

    E segue à pergunta as deferências próprias de alguém de fino trato.
    A resposta também educada é de Edmar Bacha e nela ele diz:
    "Daniel,
    recomendo o texto de Sidney Nakahodo e Marcos Jank, "A falácia da doença holandesa no Brasil", neste site (Leituras Sugeridas/Artigos/Economia Brasileira) bem como diversos notas sobre o tema no blog de Alexandre Schwartsman (http://maovisivel.blogspot.com). Escreva "doença holandesa" na busca do blog para acessar esses artigos"

    E então há as cortesias de praxe.
    O endereço do texto de Sidney Nakahodo e Marcos Jank, "A falácia da doença holandesa no Brasil" no site da Casa das Garças é: http://iepecdg.com.br/uploads/artigos/Doenca%20HOLANDESA%20FINAL%206MAR%20-%20final-27032006.pdf)
    O Daniel Marchry Brum é o que eu mencionei em meu comentário acima enviado 04/06/2013 às 00:51, e que segundo quem entende fez bonito nos comentários ao post "O ministro e as passas" de quarta-feira, 15/05/2013.
    Assim, é bom se preparar.
    Sua situação só não é de toda arriscada porque as vezes do próprio blog tem alguém que discorda do Alexandre Schwartsman.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 04/06/2013

  47. " De que um cambio mais elevado eh fundamental para recuperar a competitividade da economia brasileira, isso ninguem discorda. "

    DISCORDO. E' uma grande falacia que desvalorizar o cambio vai gerar competitividade a nossa industria. Esse argumento so' deixa a industria menos competitiva, que nao busca ganho de produtividade esperando o cambio ser desvalorizado. O governo pode fazer varias coisas para melhorar a competitividade reduzindo o custo Brasil.

    O cambio valorizado aumenta as importacoes de bens de capital, traz a fronteira tecnologia para dentro do pais, aumenta produtividade e investimentos. Tambem gera uma transferencia de renda real do resto do mundo para o pais.

    Mas claro que se vc perguntar para qualquer exportador (que nao usa insumo importado) se ele quer cambio desvalorizado e ele vai dizer que sim. Todo macaco quer banana.

    Ai vem alguem com aquele papo: mas a China tem cambio desvalorizado. Bom a Alemanha tem cambio valorizado. Eu prefiro o pib per capito alemao. Eu prefiro o salario real alemao do que o chines. Eu prefiro ser exportador de BMW do que de JAC motors.

    Num pais serio o cambio e' reflexo de sua produtividade. Nao ao contrario como seu argumento quer mostrar. Quer ajustar a industria?entao pare de fazer barberagem na economia, melhore o ambiente de negocio, fortaleca o marco regulatorio, abra mais a economia, faca uma reforma tributaria, busque a convertibilidade do cambio. Mas claro, e' sempre mais facil culpar o cambio.

  48. "Pergunte para qualquer empresario que concorre com importados e veja qual a opiniao".
    Faço gestão de investimentos e acho que o Verde é concorrência desleal. Vou falar com o Mantega. E olha que ele está fechado.
    Maradona

  49. Sério, alguém discorda do custo Brasil?

    Resposta: Não.

    O Custo Brasil é resolvível a curto prazo?

    Resposta: Não. Se duvidar, analise a história econômica do país e a viabilidade de se fazer reforma tributária por aqui.

    O que fazer então?

    Resposta: criar duas agendas paralelas, uma com foco no curto (câmbio) e outra com foco no longo prazo (custo Brasil).

    Discorda?

    Resposta: Se sim, parabéns, você é mais um babaca que quer criar uma agenda paralisante para o país.

    Concorda?

    Resposta: parabéns, você é um ser pensante.

  50. "Resposta: criar duas agendas paralelas, uma com foco no curto (câmbio) e outra com foco no longo prazo (custo Brasil)."

    Foco no cambio no curto prazo? ou voce nao sabe nada sobre teoria economica ou e' campineiro (que da na mesma).
    Primeiro que o que importa e' o cambio real e isto o governo nao tem controle.
    Segundo essas desvalorizacoes geram ineficiencias, incertezas e reduzem o investimento. Se tem duvida olhe os dados.
    Se voce tivesse um pingo de razao a desvalorizacao de 1.5 p 2.2 teria gerado um boom na industria e nas exportacoes. Mas cade? Tem que esperar ir para 3.0?

  51. Primeiro que o que importa é o cambio real e isto o governo nao tem controle.

    Não dá para fazer o que fez, por exemplo, quando passou o câmbio de 1.5 para 2.2 em paralelo a um rigoroso ajuste fiscal?

  52. Sair da paralisia no curto prazo é dar um totó no câmbio? Mesmo sem uma agenda de reformas é melhor desvalorizar ou deixar o câmbio flutuar? Mesmo sem reformas é melhor deixar a inflação andar pelo 7% do que pelo 4,5%? Sair da paralisia é colocar o BNDEs para financiar com juros zero investimento de empresas grandes? É melhor que a paralisia de deixar o BC trabalhar mirando a meta, deixar o câmbio flutuar e deixar o crédito ser tocado pelo preponderantemente pelo setor privado?
    Dantas

  53. Nao entendo o argumento de que o governo nao tem controle sobre o cambio real.

    E' obvio que nao se trata de uma variavel diretamente administravel como, por exemplo, a taxa Selic, mas e' uma variavel sobre a qual o governo pode fortemente influenciar.

    No caso de um rigoroso ajuste fiscal, a taxa de juros poderia cair e o cambio desvalorizar. Por acao dogoverno, o cambio real tende a depreciar.

  54. "mas e' uma variavel sobre a qual o governo pode fortemente influenciar."

    Influenciar nao e' controlar. Sem duvida um ajuste fiscal vai nessa direcao, pois reduz a absorcao. Mas e' muito mais dificil influencar o cambio real do que uma caneta para mexer no nominal.

    E' virou um festival de falar bobagem, dilma e mantega cada um com uma pior sobre o cambio nos ultimos dias. Essa volatilidade e incerteza que mata todo investimento.

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