A saúde roubada. Por Josué Machado

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A SAÚDE ROUBADA

Por Josué Machado

…o que importa aqui é: por que a ANS permitiu que a Bradesco Saúde aumentasse a mensalidade de seus serviços em 14,73%, se o reajuste dos benefícios dos aposentados, por exemplo, foi de 6,58%?…

A Bradesco Saúde “reajustará” a mensalidade de seus planos individuais/familiares em 14,73% neste ano.

O “reajuste” foi autorizado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) – entidade criada pelo governo para fiscalizar as entidades que prestam o serviço e impedi-las de explorar suas vítimas. Sim, para FISCALIZAR.

Tem certa graça, considerando-se os resultados.

O que o governo fez ao criar a ANS foi escalar a raposa para cuidar do galinheiro – gasta imagem desculpável nas circunstâncias. Porque os diretores da ANS sempre acham bons motivos para atender aos interesses dos donos dos planos de saúde. Reajustes sempre acima da inflação. E sempre em prejuízo dos segurados.

Por que isso ocorre?

Um mistério permanente.

Convém lembrar que a inflação de 2016 foi de 6,19%, e a deste ano deve ficar em torno de 4%.

Então, o que justifica os 14,73%?

A espoliação é sempre atribuída ao encarecimento de certas práticas médicas “de ponta”.

Que outros preços ou serviços ultrapassaram tanto os índices oficiais da inflação? Que outros preços, fora os das emenda$ milionária$ concedidas aos ilustres deputados para sepultar a investigação do encontro, no porão do palácio, de Temer Lulia com o açougueiro Joesley Safadão, comprador de reputações políticas e adjacentes?

Será essa a inspiração?

Outra inspiração talvez seja o pedido de reajuste de 16,38% pretendido pela moçada eufórica do Ministério Público Federal. Se aprovado, o tal “reajuste” rolará em cascata para beneficiar todo o funcionalismo para glória geral.

Como consolo, o Globo publicou entrevista de Joesley Safadão que classificou o dia da absolvição de Temer pela nobre Câmara como “dia da vergonha”.

Belo e irônico diagnóstico, vindo de quem vem.

Mas o que importa aqui é: por que a ANS permitiu que a Bradesco Saúde aumentasse a mensalidade de seus serviços em 14,73%, se o reajuste dos benefícios dos aposentados, por exemplo, foi de 6,58%?

   Mas por que se preocupariam com isso governos corruptos e bichados de alto a baixo, interessados apenas em sobreviver a qualquer custo, comprando os votos do lixo que os mantêm?

Nenhuma das criaturas das três esferas do poder paga coisa nenhuma do próprio bolso. Presidente, deputados, senadores, ministros, juízes de primeira ou última instância, procuradores – todos têm todas as despesas pagas pelo povo, não há quem não saiba.

A ideia de que são servidores públicos, isto é, de que estão lá para servir ao povo que os sustenta, foi para o espaço há muito tempo. Eles souberam transformar o serviço público em servidão pública porque se servem do povo em vez de o servir. Uma distorção maligna já encarada como natural.

Quem paga a casa deles? Os impostos deles? Quem paga a comida deles? Quem paga o carro deles? O combustível dos carros que usam? Os médicos e hospitais? Quem paga os auxiliares dos gabinetes? E os seguranças? E os voos que fazem por aí ou por lá?

Note-se que o povo paga tudo isso, compulsoriamente, claro, — FORA O ALTÍSSIMO SALÁRIO DE CADA UM.

Daí, então, planos de saúde com “reajuste” de l4,73%? Quem puder, paga; quem não, lixe-se. Grande coisa…

A ANS parece suspeita nessas decisões contra os usuários? Dane-se. Para eles, 6%, 14% ou 120% é a mesma coisa. São apenas índices abstratos que nunca tiveram de encarar. Exceto na hora do “queromeu” e “queromais”. Os números deles são outros – aqueles do gordo, gordíssimo toma-lá-dá-cá.

Se houvesse diabo, como seria bom que os levasse a todos!

Mas só se for agora!

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JOSUE 2Josué Rodrigues Silva Machado, jornalista, autor de “Manual da Falta de Estilo”, Best Seller, SP, 1995; e “Língua sem Vergonha”, Civilização Brasileira, RJ, 2011, livros de avaliação crítica e análise bem-humorada de textos torturados de jornais, revistas, TV, rádio e publicidade

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