“A entropia nossa de cada dia”. Por Claudio Tognolli*

A Revolução Estrutural e a Entropia chegaram ao Brasil, e não nos EUA, por um quê que nos é singular. No capitalismo de estado imposto pelo PT, a iniciativa privada (a mamar nas tetas do Estado) foi surpreendida pela Lava Jato: e descobriu-se que de livre iniciativa nunca tiveram nada. Eram…

Artigo publicado originalmente no Blog de Claudio Tognolli no Yahoo - https://br.noticias.yahoo.com/blogs/claudio-tognolli/, post de 30 de setembro de 2015

Em termodinâmica entropia é a medida de desordem das partículas em um sistema físico.

À medida que um sistema os vai utilizando, e fomentando suas atividades, seus objetos tendem a ficar cada vez mais desorganizados.

Tão queridinha das esquerdas, Rosa Luxemburgo tinha outro nome para isso, em 1898: chamava de “revolução estrutural”. A saber: o capitalismo iria se alastrar tão desorganizadamente que, um dia, ele mesmo iria se destruir, entrar em entropia.

Quando a economia dos EUA entrou em colapso, em 2008, por conta da bolha imobiliária (empréstimos sem lastro), o termômentro do Peru Sadia das nossas esquerdas apitou solarmente: o dia final havia chegado, armagedonicamente!

No Brasil as esquerdas comemoraram aquele dezembro de 2008 como o advento (ó, tão prenunciado pelo progressismo autoctóne…) como, enfim, a chegada da entropia do capitalismo: o governo americano decidiu emprestar 17,4 bilhões de dólares à General Motors e Chrysler, já que corriam o risco real de ir à falência. Do total, 13,4 bilhões de dólares ficaram à disposição das companhias. Os recursos foram retirados do plano de socorro aos bancos, que somava 700 bilhões.A GM recebeu 9,4 bilhões e a Chrysler 4 bilhões.

Era o ó do borogodó: na pátria do capitalismo os papéis haviam se invertido: o estado de Tio Sam metendo grana pública na iniciativa privada soava como uma autêntica revolução estrutural.

Os EUA se recuperaram (o parque industrial do país é 22 vezes maior do que o brasileiro, afinal) e a iniciativa privada devolveu a grana pública.

Mas nós fomos pelo caminho oposto. Porque aqui, como disse um gringo, nossa corrupção é endêmica:
https://br.noticias.yahoo.com/blogs/claudio-tognolli/sobre-como-os-eua-estavam-corretos-sobre-a-corrupcao-no-131422685.html

A Revolução Estrutural e a Entropia chegaram ao Brasil, e não nos EUA, por um quê que nos é singular. No capitalismo de estado imposto pelo PT, a iniciativa privada (a mamar nas tetas do Estado) foi surpreendida pela Lava Jato: e descobriu-se que de livre iniciativa nunca tiveram nada. Eram braços do estado travestidos de empresas privadas.

É por isso que afundamos: ávida por anabolizar programas sociais com lastro público, que deveria ser em tese “imexível”, Dilma pedalou, caro Robinho!

A Lava Jato chegou, expôs como a farsa veio sendo montada nos últimos anos, e o Brasil real aflorou.

Metaforicamente, foi como levar uma criança para que visse os fios e gambiarras horríveis que se escondem por detrás dos atraentes luminosos das lojas de brinquedos…

Os anabólicos do PT cobraram o seu preço (superfaturado é claro). E assim, solar, diária e demencialmente temos de bulir com a entropia nossa de cada dia. Vejam algumas entropias dessa quarta-feira, extraídas da imprensa:

-As contas do setor público, que envolvem o governo central, Estados, municípios e estatais, registraram um déficit primário inédito, de 1,105 bilhão de reais (ou 0,03% do PIB), no acumulado dos oito primeiros meses deste ano, segundo dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira.

-Estatais federais responsabilizaram o governo da presidente Dilma Rousseff pela crise energética que o país vem enfrentando. As usinas hidrelétricas já contabilizam um prejuízo de 20 bilhões de reais, valor que elas pagaram para conseguir energia com outros geradores. As informações constam de documentos enviados à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e foram divulgadas nesta quarta-feira em reportagem do jornal Folha de S. Paulo.

-O Índice de Confiança do Comércio caiu 4,1% em setembro na comparação com agosto, divulgou nesta quarta-feira a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Com o resultado, o índice atingiu 82,6 pontos no período. Trata-se do quinto recuo seguido e do menor patamar da série histórica, iniciada em março de 2010.

Qual será a entropia de amanhã?

É muito melhor cair das nuvens que de um terceiro andar, notava o bruxo do Cosme Velho.

Mas como dói…

Claudio Tognolli é jornalista há 35 anos e já passou por “Veja”, “Jornal da Tarde”, “Caros Amigos”, “Joyce Pascowitch”, “Rolling Stone”, “Galileu”, “Consultor Jurídico”, rádios CBN, Eldorado e Jovem Pan e “Folha de S. Paulo”. Ganhou prêmios de jornalismo e literatura como Esso e Jabuti. É diretor-fundador da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e membro do ICIJ (International Consortium of Investigative Journalism). Professor da ECA-USP, escreveu 12 livros.

https://br.noticias.yahoo.com/blogs/claudio-tognolli/

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