Esporte brasileiro cada vez mais envergonhado. Coluna Mário Marinho

Esporte brasileiro cada vez mais envergonhado

COLUNA MÁRIO MARINHO

Faz pouco mais de um ano que o maior cartola do futebol brasileiro morreu.
Foi no dia 18 de agosto do ano passado.
O ritual de exéquias para o enterro de seu corpo foi simples, quase anônimo.
Longe, muito longe do que se deveriam prestar a um grande personagem público.
Foi batizado com o pomposo nome de Jean-Marie Faustin Goedefroid Havelange e conhecido no Brasil, e no mundo esportivo, como João Havelange.
Foi sob sua gestão na então Confederação Brasileira de Desportos, em 1958, que o Brasil conquistou seu primeiro título mundial no futebol.
Em 1974, alçou grandes voos e assumiu a presidência da Fifa.
A entidade maior do futebol tinha uma pequena sala na cidade de Zurique, na Suíça.
Ao deixar e entidade em 1978, ela possuía suntuosa sede na mesma cidade de Zurique e imenso poder econômico.
Poucos anos depois, começaram a aparecer as denúncias de corrupção que envolveram nosso cartola mor.
Doente, recluso viveu no ostracismo até à morte. Viveu Jean-Marie e morreu um simples joão.
Mas nos encheu de vergonha. Nosso grande cartola era e foi também grande na corrupção.
Hoje, quinta-feira, 05-10-2017, outro grande cartola, ex-jogador de vôlei, presidente da Confederação Brasileira de Vôlei por muitos anos e, mais recentemente, também por muitos anos à frente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzmann foi preso.
Entre ele e João Havelange, além das conquistas, a mesma coincidência: corrupção.
Pobre esporte brasileiro.
O ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin, outro grande cartola de trânsito e fama internacionais, também está preso. Só que nos Estados Unidos.
Acusação: a mesma corrupção.
A Seleção Brasileira faz nesta quinta-feira, em La Paz, Bolívia, jogo oficial pelas eliminatórias da Copa do Mundo.
O jogo, em si, não é assim tão importante, pois o Brasil já está classificado.
Mas não é por isso que o atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Marco Polo del Nero, não acompanhou a delegação como seria normal.
Ele não viaja, não deixa o País, pois teme ser preso ao atravessar a fronteira.
Ele também é acusado de corrupção.
É triste, muito triste.
Enquanto nossos atletas correm, brigam, suam para conquistar títulos e medalhas aqueles que nos representam em altas esferas procuram outros meios para conquistar seu ouro.

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FOTO SOFIA MARINHO

Mario Marinho É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, nas rádios 9 de Julho, Atual e Capital. Foi duas vezes presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo). Também é escritor. Tem publicados Velórios Inusitados e O Padre e a Partilha, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

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