Até a pé nós iremos. Coluna Mário Marinho

Até a pé nós iremos

COLUNA MÁRIO MARINHO

Foi um show de bola – particularmente para o atacante Luan e para o goleiro Marcelo Grohe.

E para deslumbramento de todo gaúcho tricolor.

O Grêmio não tomou conhecimento do fraco Barcelona que empolga e mete medo em seus adversários por sua velocidade. Ou talvez pelo nome.

E o técnico Renato Gaúcho mostrando que entende do assunto, colocou seu time para explorar exatamente o que o adversário tem de mais forte: a velocidade.

Ao partir em velocidade, os equatorianos abriram verdadeiras carreteiras, super estradas em seu sistema defensivo.

Há de dizer o Colorado renitente: mas o primeiro gol deles foi de sorte, a bola bateu no adversário e enganou o goleiro.

Tem lá sua dose de razão. Mas, lá estava o Luan right man, right place, right time – o homem certo , no lugar certo, na hora certa. Muita coisa certa para ser reduzida a uma simples questão de sorte.

O belíssimo amarelo do estádio lotado não intimidou os gremistas.

Após o 1 a 0, que já era ótimo resultado, nada de voltar para se defender. Nem mesmo após o 2 a 0. Esse Barcelona de araque tem caixa pra mais, devem ter pensado os bravos gremistas.

Veio o segundo gol numa bomba do lateral Adilson e numa bobagem incrível do goleiro do Barcelona.

Em meus tempos de goleiro, eu não me cansava de ver o grande Gilmar defendendo o Corinthians e depois o Santos. Com ele, aprendi a marcar a barreira. Sempre me postava não dentro do gol, mas do lado de fora da trave para determinar a colocação do último homem da barreira. Assim, era quase impossível alguém acertar o meu gol com um chute por fora da barreira, como aconteceu no estado Monumental.

O goleiro, Banguera, do Barcelona marcou a barreira por dentro e deixou o espaço por onde Adilson soltou aquela bomba.

O terceiro gol foi de Luan, com a mesma tranquilidade com que fez o primeiro.

Mas, antes dele, Marcelo Grohe fez uma defesa fantástica numa bola completada por Ariel.

É dessas defesas que serão repetidas por séculos e séculos, como a defesa Banks, na cabeça da de Pelé, no jogo contra a Inglaterra, na Copa do México.

Veja os melhores momentos e a incrível defesa de Marcelo Grohe

https://youtu.be/9_M1Kun92sA

Delicie-se com outras defesas espetaculares:

https://youtu.be/K9pgB6TN3k0

Até a pé
Nós iremos

…”Até a pé nos iremos
Para o que der e vier
Mas o certo é que nós estaremos
Com o Grêmio, onde o Grêmio estiver”…

Os versos acima são de Lupicínio Rodrigues, histórico compositor, gremista apaixonado.

Consta na história que Lupicínio e amigos estavam em um bar de Porto Alegre esperando outros amigos que iriam juntos ver o Grêmio jogar, como sempre faziam.

Eis que chega um deles e diz que o carro que iria levá-los havia quebrado.

O silêncio repentino foi cortado por um brado: “então, vamos a pé!.”

Lupicínio pegou no ar o brado e já emendou: “onde o Grêmio estiver.”

Foi só trabalhar um pouco mais e nasceu o hino atual. Isso aconteceu em 1953.

E lá no Estádio Monumental de Guayaquil estavam algumas centenas de heróis gremistas. Talvez não tenham ido a pé, mas lá estavam.

Perguntar
Não ofende

Sempre irônico e sarcástico, o jornalista José Maria de Aquino deixa no ar uma perguntinha:

“Será que o Grêmio é realmente esse time todo ou Palmeiras e Santos amarelaram diante do Barcelona genérico?”

Não é um
Bom sinal

Torcedores do Corinthians – poucos, é verdade – foram nesta quarta-feira em Itaquera para uma “reunião” com jogadores e dirigentes.

Se o time não vai bem, é correto que dirigentes se reúnam com jogadores e conversem sobre o assunto. Isso é normal em qualquer empresa.

Mas, não é normal que torcedores participem dessas conversas. O dirigente tem habilidade, o torcedor tem paixão.

Um cobra, o outro ameaça.

Não é um bom momento para isso.

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FOTO SOFIA MARINHO

Mario Marinho É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, nas rádios 9 de Julho, Atual e Capital. Foi duas vezes presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo). Também é escritor. Tem publicados Velórios Inusitados e O Padre e a Partilha, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

 (DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

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