Minha entrevista à Jovem Pan ontem

Jovem Pan: Se houver redução será um erro do BC, diz Schwartsman

41 thoughts on “Minha entrevista à Jovem Pan ontem

  1. Lembro que uma vez o Oreiro acusou o Alex de praticar a "macroeconomia da regressão linear simples". Nada contra regressões lineares simples, afinal, as vezes elas são a maneira correta de se fazer a coisa.
    Mas agora o Oreiro ataca com uma regressão em OLS de câmbio contra produção industrial (e nada mais), lançando mão de uma exogeneidade do câmbio (!) para afirmar causalidade, além de acreditar que seu coeficiente não é viesado!
    "Supondo que o câmbio é a variável exógena e a produção física da indústria é a variável endógena, então a apreciação da taxa real de câmbio foi responsável por uma redução do crescimento da produção industrial de 1,2% no período em consideração, isto é, a apreciação do câmbio real reduziu o crescimento da indústria de transformação em cerca de 30% com respeito ao valor que poderia ter sido observado caso a apreciação cambial não tivesse ocorrido." http://jlcoreiro.wordpress.com/2011/10/17/por-que-a-economia-brasileira-esta-desacelerando-seu-crescimento/

  2. Deus do céu, Oreiro é bizarro. "Supondo que o câmbio é a variável exógena" é assustador. E as pessoas realmente fazem política econômica assim…

  3. A inflação na Inglaterra já está em 5,2%, MUITO acima da meta, e eles não estão nem aí. O Brasil gosta mesmo de ser jaboticaba, é o único país em que, o mundo na beira do abismo, os economistas ainda se preocupam com a credibilidade do sistema de metas.

  4. Com o mundo à beira do abismo os economistas ficam se preocupando com inflação, crescimento, balanço de pagamentos, gastos públicos; e os jornais se preocupam com os ministros corruptos, com o brasileirão, a torcida mineira e os franceses com o rebaixamento em massa… Tá todo mundo louco!

  5. "Não seria "à beira do abismo"?"

    Eu ia dizer que a economia brasileira não está com problema de desemprego e que, salvo se acreditarem que uma redução de juros no Brasil pode estimular o PIB da Europa e dos EUA, reduzir os juros aqui não ajuda em nada a economia mundial a sair da beira do abismo.

    Mas o comentário do Alex foi tão mais preciso que fiquei sem ter o que falar. Sem ironia. Um dia eu aprendo a não responder nonsense.

  6. O Oreiro é realmente bizarro. Ele às vezes aparenta ter o conhecimento de econometria de um aluno de primeiro ano de graduação que merece tomar pau.

    Ainda mais depois que ele elogiou o prêmio Nobel do Sims e do Sargent, é de assustar que ele tenha a esquisitice de falar as zurrices que ele burrou nessa última.

  7. Pelo menos às quartas e quintas temos você e o Mesquita escrevendo no mesmo jornal pra contrabalancear asneiras de tal magnitude…

    E viva a Democracia…

    Abs,

    JB

  8. O que ele falou sobre o aumento de preços para dar uma noção de algo valorizado e exclusivo é verdade.
    Isto é usual até nas taxas de administração de fundos de investimento similares.

  9. Alex, tenho 19 anos, e sou apenas um calouro em Economia. Escrevo abaixo uma humilde opinião, e gostaria que você comentasse sobre ela pois tenho algumas dúvidas.

    Estou vendo que a taxa básica de juros na maioria dos países (Europa, EUA, Ásia) está muito baixa.

    Enquanto isso, no Brasil, a taxa básica de juros está elevada.

    Isso faz com que muito capital externo seja atraído para o nosso país, fazendo com que o Real se valorize frente ao dólar.

    Uma vez que o Real esteja valorizado, posso “prever” 3 conseqüências:
    1ª – As indústrias brasileiras que exportam serão extremamente afetadas (perda de competitividade – produto brasileiro relativamente mais caro no exterior)
    2ª – Os produtos importados, relativamente mais baratos, puxarão a inflação para baixo (Canal do Câmbio) e poderão afetar as vendas de produtos brasileiros no mercado doméstico
    3ª- Com a taxa básica de juros elevada, o crédito para realizar investimentos em novos maquinários e expansão da produção se torna mais difícil e não tão atrativo quanto simplesmente investir em renda fixa.

    Visto isso, uma vez que a taxa de juros se mantenha elevada, a produção nacional seria afetada e os investimentos privados visando a expansão da capacidade produtiva também seriam afetados.

    Isso faria com que os gargalos de produção no Brasil não fossem solucionados, fazendo com que continuássemos nessa armadilha que vivemos: basta a economia aquecer um pouco que já nos deparamos com uma alta significativa da inflação.

    Não seria então plausível que a taxa de juros caísse, para induzir as empresas a investir mais, expandir sua produção e fazer com que no futuro, possamos ostentar taxas maiores de crescimento com baixas taxas de inflação?

    Em outras palavras, não seria interessante “aceitar” neste momento de crise externa taxas de inflação relativamente mais altas (mas não tão altas!), mas garantir um país com baixo desemprego e muitos investimentos em expansão da produção?

    Fico ansioso para ler a sua resposta e parabéns pelo Blog!

    Abraço!

  10. Enviei, ontem, uma carta à folha criticando o artigo. Acabo de ver que não saiu nem na versão impressa, nem na online. Não me chateio por isso, mas sim por verificar que, na edição impressa, foram veículadas duas cartas de leitores, elogiando o artigo de Safatile, no sentido de que ele fala o que, segundo os leitores, outros economistas tem medo de falar.

    Minha carta pode não ter sido das melhores… mas será que foi a única a falar contra o que Safatile disse? Porque nenhuma criticando seu artigo foi publicada?

    Por si só, uma uniformidade de opnião já como esta ja é, a meu ver, motivo de preocupação — já nos dizia Nelson Rodrigues que toda unaninimidade é burra…

    Não sei se concordam comigo, mas olhem só: no Brasil, podemos sair do ensino médio com uma boa base de matemática, física, biologia, etc. No entando, aprendemos quase que nada em matéria de econômia; o mesmo vale para quem cursou qualquer curso superior além de admnistração, econômia, comércio exterior, etc. Eu mesmo sou formado em física, e meu conhecimento economico é extremamente restrito.

    Consequentemente, acredito que todo conteúdo que contém algum nível de teoria economica, como este, deve ser tratado com algum cuidado pelo setor editorial de um jornal… já que, mesmo os leitores mais educados, podem se deixar levar por conceitos que são — ao que, creio eu, basta uma simples consulta aos livros mais básicos de macroeconomia –, no caso do artigo de Safatile, simplesmente falsos.

  11. Mas o professor (professor!) Carlos Lessa afirmou que cortar juros e' simplesmente excercer a soberania!
    E voce, Alex, "aparentemente" acha que a crise e' materia de bola de cristal!
    Esse artigo do Lessa foi um dos mais comicos que ja li em toda minha vida…

  12. Estou confuso também. Pela PME (uma amostra bem incompleta, é verdade), a taxa de participação anual tem ficado estável ao redor de 57% entre 2003 e 2010 (e 2011, pelo menos no ano até agosto).

    Pode resultar da diferença na definição da PIA, mas também estou no escuro.

  13. "Por si só, uma uniformidade de opnião já como esta ja é, a meu ver, motivo de preocupação"

    Sim, a Folha só publica colunistas bolcheviques… 😛

    "Não é por nada não, mas tem muito restaurante no Brasil seguindo essa regra."

    "O que ele falou sobre o aumento de preços para dar uma noção de algo valorizado e exclusivo é verdade."

    O consumo conspícuo existe, o que não dá é para dizer que ele gera inflação. Nem a desigualdade social… Pelo menos não num artigo de 20 linhas: há um monte de problemas a resolver.

  14. Meus caros,
    Só um pequeno comentário sobre consumo conspícuo. Não sei se existe ou não (acho que sim em uma sociedade excludente como a brasileira.É um problema de sinalização), mas este tipo de coisa explica preços mais altos de alguns produtos, não inflação mais alta de alguns produtos. É a velha confusão entre nível e variação.
    Saudações

  15. Caro Calouro,

    Não estou para responder suas perguntas, deixo isto para o Alex. Mas coloco algumas questões para você refletir e/ou levar para seus professores.

    1) Por que isto não acontece com a agricultura? Qual a diferença entre taxa de câmbio, taxa de câmbio real e termos de troca? Como a taxa de juros afeta, ou não, cada uma delas?

    2)Os produtos importados mais baratos também permitem que os consumidores nacionais consumam mais ou poupem. Isto é ruim? Por que os consumidores nacionais devem consumir produtos caros?

    3) Se o dinheiro vai para renda fixa (ou qualquer operação financeira) alguém está tomando na outra ponta. Se for um investidor não deve ter problema, não faz diferença se o investimento é feito pelo Sr. A ou pelo Sr. B. Se for um consumidor também não deve ter problema, afinal não faz diferença se eu ou você estamos consumindo. Será que é o governo? E se o governo não precisar pedir tanto dinheiro emprestado? Será que a taxa de juros não acaba caindo?

  16. Alexandre, um comentário fora de lugar:
    Lembra que um dia não muito tempo atrás você criticou o BCB comparando-o ao do México (cuja inflação ficava sempre entre a meta e o teto da meta)?
    Você não daria tudo pra trazer o Cartens pra cá?

    a

  17. Comentários sobre o Copom não tenho, mas tenho algumas possibilidades que se definirão no futuro:
    1) Deus é brasileiro;
    2) Delfim está certo e a Economia vai mesmo ser um curso técnico;
    Estou com dúvidas profundas…
    Fernando A.

  18. Alex se você fosse o presidente do BC, com plena independência institucional (mandato e tudo), com Afonso Beviláqua na Diretoria, desde a reunião de Dezembro de 2010 [Selic a 10.75% aa] quanto estaria a nossa Selic de hoje?

  19. "Explica o S.A.M.B.A para nós não economistas?"

    Para entender o SAMBA é necessário passar antes pelo atual modelo do BC, que, numa versão simplificada, se resume a 3 equações: uma que liga a demanda (portanto, dado o PIB potencial, o hiato) à taxa real de juros (curva IS); uma equação que associa o hiato (a capacidade ociosa da economia) à inflação (curva de Phillips); e uma regra que explicita como o BC reage a desvios da inflação com relação à meta (regra de Taylor).

    Este modelo de pequeno porte é construído com base em hipóteses sobre o comportamento agregado (a demanda é suposta função da taxa de juros; a inflação é suposta função da capacidade ociosa, etc).

    Não é, portanto, explicitamente construído com base no comportamento otimizador de indivíduos e empresas. Entretanto, Lucas sugeriu que este tipo de modelo padeceria de um problema sério. As relações supostas estruturais (imutáveis), na verdade mudariam sob diferentes arranjos de política monetária.

    Concretamente, no caso que Lucas analisou nos anos 70, a questão era a troca inflação-desemprego, suposta constante na versão original da Curva de Phillips. Ele mostrou, contudo, que, caso o BC tentasse explorar esta troca, agentes racionais perceberiam isso e o parâmetro se alteraria. (Esta é a famosa Crítica de Lucas).

    Isto dito, se o modelo é derivado diretamente de preferências e tecnologia, ele já incorpora a possibilidade de reação dos agentes às mudanças de política e, neste caso, os parâmetros seriam, a princípio, imutáveis.

    O SAMBA vai nessa tradição, ie, modelando explicitamente preferências, tecnologia, etc, de modo a permitir a estimação de parâmetros que não se alteram em resposta a mudanças no regime de política econômica.

    Ficou mais complicado do que queria, mas a discussão é algo técnica mesmo, desculpe.

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