Personagens das Copas do Mundo – IX. 1970 – Rivellino, a Patada Atômica. Coluna Mário Marinho

PERSONAGENS DAS COPAS DO MUNDO- IX

1970 – Rivellino, a Patada Atômica

COLUNA MÁRIO MARINHO

De todas as seleções brasileiras vencedoras de Copas do Mundo essa foi a mais espetacular. Discute-se, até hoje, se a de 1982 não foi a melhor de todas. Talvez. Mas não ganhou. Nem tinha Pelé.

Essa foi a seleção mais bem preparada de todas as outras copas. O Brasil vivia sob a ditadura militar e havia interesse do governo na conquista do título.

Nunca uma seleção havia sido tão bem preparada, com todos os detalhes planejados.

Até então, o craque brasileiro era tido como essencialmente nato. Para essa Copa, um elemento inovador entrou em cena: o preparo físico dos jogadores obedeceu a rigoroso processo científico, levado pelo então capitão do Exército Cláudio Coutinho à CBD (Confederação Brasileira de Desportos), na época liderada por João Havelange e responsável pelo comando do futebol brasileiro.

Esse esmero na elaboração de um trabalho, que se revelou fundamental, teve a participação de um estudioso do efeito das altitudes no esporte, o professor Lamartine Pereira da Costa, que deu a contribuição técnica que faltava ao assunto, até então tratado empiricamente.

Cláudio Coutinho chegou à seleção por intermédio de outro militar, o também capitão José Bonetti, diretor da CBD.

Estudioso – falava inglês e francês fluentemente, além de ter defendido tese em Fontainebleu, na França -, Coutinho se correspondia com Kenneth Cooper, encarregado do preparo físico dos astronautas norte-americanos e totalmente desconhecido dos brasileiros.

Kenneth Cooper criou o famoso sistema de avaliação que levou o seu nome, o teste de Cooper.

Eu tive o prazer de fazer a primeira entrevista com Cláudio Coutinho.

Eu estava fazendo cobertura dos treinos da Seleção Brasileira no Rio de Janeiro para o Jornal da Tarde, ao lado do repórter Belmiro Sauthier.

Naquele dia, o Belmiro foi mais cedo para a sucursal, para adiantar as matérias, e eu fiquei para cobrir o treino da tarde. Ao final do dia, José Bonetti me ofereceu carona no seu Fusca até a Sucursal do jornal, no centro da cidade.

Lá fomos eu, o Bonetti e o até então desconhecido Cláudio Coutinho. Dessa viagem, nasceu a entrevista que mereceu o seguinte título do Jornal da Tarde: “Seleção vai ter preparo de astronauta”.

Os preparadores físicos da Seleção eram Admildo Chirol e Carlos Alberto Parreira.

Cláudio Coutinho administrou o primeiro “Teste de Cooper” nos jogadores da Seleção. O fato histórico se deu na Escola de Educação Física do Exército na Praia da Urca, no Rio de Janeiro, e atraiu preparadores físicos de diversos clubes, entre eles Júlio Mazzei, que era considerado um dos papas no assunto, pois mantinha o Santos em grande forma, apesar da sequência de jogos a que o time era submetido.

O resultado de todo esse trabalho foi o que se viu na Copa: a Seleção com excepcional condicionamento físico, que lhe deu sustentação para jogar bem durante os 90 minutos de cada jogo, apesar da altitude de algumas cidades do México.

Rivellino – Roberto Rivellino

(*São Paulo-SP, 01/01/1946)

 

PosiçãoMeio-campo

Jogos – 121 (81 vitórias, 28 empates, 12 derrotas), 43 gols

Copas disputadas – 1970, 1974, 1978

Títulos pela Seleção – Copa do Mundo (1970); Taça Independência (1972); Torneio Bicentenário dos Estados Unidos (1976); Taça Oswaldo Cruz (1968, 1976); Copa Roca (1971, 1976); Copa Rio Branco (1976); Taça do Atlântico (1976)

Clubes em que jogou: Corinthians-SP, 1965 a 1974; Fluminense-RJ, 1975 a 1978; Al Hilal-ARA, 1978 a 1981.

Um dos três maiores meias armadores do Brasil (os outros foram Didi e Gérson). Dono de um potente chute que lhe rendeu o apelido de “Patada Atômica“ na Copa do México. Habilidoso, sabia onde colocar a bola com seu pé esquerdo; batia faltas com violência ou apenas colocando a bola, dependendo da situação. Inventou o drible apelidado de “elástico“, com o qual deixava o marcador doido, sem saber para que lado a bola foi.

Embora tenha sido o melhor jogador de toda a história do Corinthians, não conseguiu um título importante pelo Timão (o único foi um Rio-São Paulo, e ainda dividido com Santos, Vasco e Botafogo, em 1966).

Como não poderia deixá-lo de fora do time, Zagallo escalou Rivellino para jogar como ponta-esquerda. Na verdade, um falso ponta-esquerda, pois jogou mesmo foi no meio-campo. Marcou seu primeiro gol na Copa empatando no jogo de estreia que o Brasil perdia para a Tchecoslováquia por 1 a 0.

Após a Copa, Rivellino voltou a ser chamado para, praticamente, todos os jogos da Seleção.

Em 1974, foi titular de todos os jogos, marcando gols importantíssimos. Foi dele o segundo gol contra o Zaire (3 a 0, Jairzinho e Valdomiro fizeram os outros), vitória na medida que classificou a Seleção para as quartas-de-final. Também foi dele, e também de falta, o gol contra a Alemanha Oriental (1 a 0) e o primeiro da vitória sobre a Argentina por 2 a 1 (o outro foi de Jairzinho).

Como aconteceu depois da Copa do México, até a Copa de 1978, na Argentina, incluindo-se os jogos pelo torneio eliminatório, Rivellino foi titular de todos os jogos importantes disputados pelo Brasil. Na Copa da Argentina, com a Seleção dirigida pelo jovem e inexperiente Cláudio Coutinho, Rivellino foi titular no primeiro jogo (1 a 1 com a Suécia), perdendo a posição para Dirceu nos jogos contra a Espanha (0 a 0), Áustria (Brasil 1 a 0) e Argentina (0 a 0), voltando ao time após contusão nas vitórias sobre Polônia (3 a 1) e Itália (2 a 1, no dia 24 de junho de 1978), seu último jogo com a camisa da Seleção Brasileira).

Os títulos que não ganhou no Corinthians Rivellino foi ganhar no Fluminense: bicampeão carioca em 1975 e 1976, e, depois, na Arábia Saudita, em 1979, 1980, 1981.

Veja gols e jogadas espetaculares de Rivellino e inclusive o depoimento de Maradona que diz ter se inspirado em Rivelino, também chamado de Reizinho do Parque em seus tempos de Corinthians.

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imagem abertura:Na foto de 1970: Rivelino com Gérson ao fundo

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FOTO SOFIA MARINHO

Mario Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, nas rádios 9 de Julho, Atual e Capital. Foi duas vezes presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo). Também é escritor. Tem publicados Velórios Inusitados e O Padre e a Partilha, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
 (DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

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