O direito de sonhar. Coluna Mário Marinho

O direito de sonhar

COLUNA MÁRIO MARINHO

Na verdade, sonhar nunca foi proibido.

Há até aquela frase: sonhar não paga imposto.

Mas, claro, não se pode deixar que o sonho mascare a realidade.

E por falar em frase, há aquela outra: quanto maior o pau, maior o tombo. Ou seja: quanto maior o sonho, a esperança, maior a decepção.

Tudo isso para falar da frase de Neymar após a bela vitória sobre Áustria, 3 a 0, ontem.

Neymar diz que o brasileiro pode sonhar, que pode se orgulhar de ser brasileiro.

E é verdade.

A exibição da Seleção brasileira ontem, em Viena, foi primorosa.

Havia a grande expectativa por ser o primeiro jogo com Neymar desde o início, três meses depois de sua séria contusão. Três meses de inatividade.

O começo do jogo mostrou o Brasil com dificuldades de partir da defesa para o ataque, o meio de campo tímido e, consequentemente, bolas que não chegavam ao ataque.

E o ataque tinha proposta concretamente ofensiva: William, Philippe Coutinho, Gabriel e Neymar.

Três jogadores com genomas ofensivos, criativos, ousados.

O adversário foi um adversário de respeito, principalmente pelo vigor e força físicos.

Ao contrário do que poderia acontecer em um jogo às vésperas da estreia da Copa do Mundo, o quarteto, que tem tudo para se transformar num Quarteto Fantástico, não tirou o pé, não fugiu das jogadas mais duras.

Assim, encerramos com a chamada chave de ouro o período pré Copa, que vem desde a estreia do técnico Tite. Um período de alegria. De muita alegria.

A apaixonada imprensa espanhola já chama o time brasileiro de mágico”.

Mas não está só.

“O Brasil está imparável em 2018. Assumiu o seu status (de ser um dos favoritos para vencer o Mundial) e assusta alguns dias antes do início da Copa. Neymar marcou um lindo gol”, escreveu o jornal francês “L’Équipe”.

“Brasil dá show contra a Áustria: 3 a 0 com outro gol fantástico de Neymar”, afirmou o jornal italiano “La Gazzetta dello Sport”.

Outro jornal espanhol o “As” diz:

“ O Brasil voltou a mostrar que é favorito ao Mundial. Exibição de qualidade”.

Temos, portanto, o direito de sonhar.

No mínimo, não paga imposto.

Ao fazer o seu golaço – Neymar dificilmente faz gols, só golaços – ele tirou a camisa imitando Romário. Na verdade, homenagem ao maior Baixinho do Mundo que marcou 56 gols pela Seleção Brasileira. Neymar, com o gol de ontem, alcançou 55.

Nostalgia
De Copa do Mundo

Na Copa 1990 passei cerca de dois meses na Itália.

Os primeiros dias são de deslumbramento. Seguem-se dias de fascínio com a culinária.

Depois, a ficha começa a cair.

Sente-se falta do arroz com feijão, de um churrasco bem ao nosso jeito e, por fim, a imbatível saudade de casa, da família.

É a nostalgia.

Foi nesse estágio que uma música me acompanhou nos dias quentes e noites estreladas, porém, solitárias da Itália: “Un’estate italiana”.

Foi o tema oficial da Copa de 90, cujo título quer dizer “Um verão italiano”.

Começa assim:

Talvez não seja uma música
Para mudar as regras do jogo
Mas eu quero viver essa aventura muito
Sem fronteiras e com um coração na garganta

E logo vem o bordão, o estribilho:

Noites mágicas
Perseguindo um gol
Sob o sol
De um verão italiano

Curta esse rock-nostalgia.

O duro
castigo da bola

Durante quase 90 minutos, o Palmeiras teve seu adversário, o Ceará, sob domínio ontem à tarde, em Fortaleza.

Abriu 2 a 0 e mandou no jogo.

Feita a fama, deitou-se na cama.

E foi aí que se deu mal e acabou levando o empate.

É o tipo do resultado onde não se pode aplicar a máxima “empate fora de casa é vitória”. O Verdão perdeu dois preciosos pontos.

Com pompa e circunstância, o Atlético assumiu a vice-liderança do Brasileirão ao massacrar o Fluminense no Independência: 5 a 2.

O Galo é o time que mais vezes marcou no Brasileirão, 22 gols, e tem o artilheiro da competição, Roger Guedes, com 8 gols.

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FOTO SOFIA MARINHO

Mario Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
 (DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS 
NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

2 thoughts on “O direito de sonhar. Coluna Mário Marinho

  1. Bom dia Marinho! Tudo bem?

    Como sempre, muito boa sua coluna, ainda
    mais com aquela “pitada” de poesia.
    Vai ter muito que escrever, Copa do Mundo, à sua porta!
    Boa sorte e bons fluidos, vai precisar e tirar de letra!

    Um abraço.
    César Camarinha

  2. Pô Marinho, acho que não curti o artigo. Muito baba-ovo, chocolate e açúcar em excesso, idem patriotada. Falando de futebol , o Brasil com jogadores que, somados, devem valer uns 2 bilhões de dólares, enfrentando uma Áustria, é como colocar o Coringão jogando contra a Portuguesa Santista. “Jogo primoroso” ? Quéquéisso, rapaz. Jogar sozinho até minha tia com o andador marca gol. Eu quero ver é se o marqueteiro Neymar, bonequinho de louça chorão, resmunguento e mimado, vai dar show diante de uma Inglaterra, Espanha ou Alemanha. Aí sim vale um comentário de conteúdo. Esse artigo de hoje eu deletei. Só o artigo, não você, ok? Continuamos amigos.

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