Emplasto Brás Cubas

Há quem prefira Dom Casmurro, mas meu favorito sempre foi Brás Cubas e seu miraculoso “emplasto anti-hipocondríaco, destinado a aliviar nossa melancólica humanidade”. Se, porém, o defunto autor não teve reconhecidas as glórias da invenção do alívio contra todos os males, podemos comemorar agora: basta gastar e baixar o juro. Cura até unha encravada.

No entanto, que pena, nem o maravilhoso mundo da ficção admite inconsistências desta ordem. Quem acha que pode tratar de problemas distintos com as mesmas políticas irá se decepcionar amargamente.

Os países no epicentro da crise tiveram seu sistema financeiro devastado: não só o capital dos bancos foi severamente reduzido como também estes têm que reduzir a relação entre empréstimos e capital, redundando em forte contração do crédito e, portanto, da demanda. A inflação, por outro lado, deixou de ser problema, face à própria queda de demanda e à redução de preços de commodities no caso de países que são fundamentalmente importadores destes produtos. Dados preços e atividade em queda, a melhor política é mesmo impulsionar a demanda.

O Brasil, porém, é um exportador líquido de commodities e, como tal, prejudicado pela queda de seus preços. A expressão real deste fenômeno – como mostrei em meu último artigo – é a redução da capacidade de importar, enquanto sua expressão monetária é a depreciação da taxa de câmbio, cujo efeito sobre preços domésticos é bastante conhecido. Ao contrário de países importadores de commodities, o choque externo é, no nosso caso, inflacionário. O remédio de uns é o veneno dos outros.

Sabemos, é verdade, que o crédito desacelerou fortemente no mês passado, tendência que, mantida à frente, conduziria à diminuição expressiva da demanda. No entanto, o que nos levaria a crer que o sistema financeiro nacional reproduzirá nos próximos meses o desempenho de outubro? Ao contrário do que ocorre mundo afora, os bancos brasileiros não sofreram perdas de capital, nem precisam reduzir a relação entre crédito e capital. Passado o choque inicial em que a incerteza acerca dos efeitos da crise sobre o país levou a um comportamento cauteloso, bancos devem voltar à normalidade e o ocorrido em outubro dificilmente será a norma.

Assim, aplicado o emplasto na forma de políticas econômicas que mantenham o crescimento da demanda doméstica, na linha do ocorrido em outros países, não é difícil imaginar as conseqüências. Importações, bastante sensíveis à demanda, não se desacelerarão. Exportações, por sua vez, seguindo o crescimento do comércio mundial e preços de commodities, devem perder fôlego. Estes desenvolvimentos combinados à maior escassez de capital num mundo de liquidez em baixa se traduzem em taxas de câmbio ainda mais depreciadas e, portanto, efeitos inflacionários adicionais ao choque da desvalorização inicial.

Óbvio que sempre iremos achar, entre os “keynesianos de quermesse” que cá abundam, quem diga que a preocupação com inflação é coisa menor no atual cenário e que o foco deveria estar no crescimento. No entanto, o problema não é (e nunca foi) crescer em 2009, e sim garantir que o crescimento seja duradouro, o que só é possível num cenário de estabilidade, exatamente como mostrado pela nossa própria experiência nos últimos anos. Por mais tentador que soe, ficará muito caro abandonar o regime de metas bem como toda estrutura de política econômica comprometida com a estabilidade.

A alternativa é o emplasto Brás Cubas. Só não espere que ele nos livre do legado da nossa miséria.

(Publicado 12/Nov/2008)

58 thoughts on “Emplasto Brás Cubas

  1. “..Tio, manda ai’ uma artigo daqueles ferozes, anti-quermesse, mas anti-aproveitadores tambem, pra trazer a tchurma ‘a realidade. Antes que seja tarde.”

    Kleber S.,como diria aquele antigo narrador: Taíí o que você queria!

    Agora só não sei se é tarde demais, as expectativas p 2009 já estão indo embora…

  2. Muito bom, Alex!

    Mas o pior de tudo eh que as politicas economicas da quermesse estao aumentando a probabilidade de um evento “cisne negro”. Na tentativa de manter o crescimento em 4-5%, podemos acabar com um sudden stop e crescimento de -5%…

  3. Alexandre seu ARTIGO ESTÁ MUITO BOM. PORÉM ABRE-SE NESTE TRECHO UMA SUPOSIÇÃO, QUE PODE OU NÃO SER VERDADEIRA:
    “Passado o choque inicial em que a incerteza acerca dos efeitos da crise sobre o país levou a um comportamento cauteloso, os bancos devem voltar à normalidade, e o ocorrido em outubro dificilmente será a norma.”
    A minha questão é a seguinte, qual o grau de ligação da capacidade de “dar crédito” internamente com a restrição de crédito externa?

  4. Leonardo:

    De fato, a hipótese sobre o retorno do crédito pode ou não ser verdadeira. Pelo que tenho visto, parece haver certo retorno à normalidade, mas vamos ter que esperar para confirmar isto.

    Já a ligação entre restrição de crédito externo e crédito interno é, na minha opinião, não tão forte quanto se poderia supor. Bancos brasileiros, em particular os grandes, se financiam, quase que na totalidade, o mercado doméstico. E o montante de crédito externo para o setor corporativo (USD 30 bi) representa algo como 5% do total de novo crédito corporativo (pouco mais de USD 600 bi). Quer dizer, existe, mas não é isso tudo.

    Anônimo:

    O que posso dizer a este respeito é: (a) leia muito; (b) escreva muito; (c) pense no que quer escrever antes de começar (montar um esquema do que você quer dizer ajuda muito); e (d) peça à sua mulher (marido) para revisar (eu peço à minha).

    Abs

    Alex

  5. Patética suas conclusões. Quer dizer que a escassez de crédito internacional não interferirá na demanda interna ? Que a curto prazo tudo voltará ao normal ? A questão básica é : em que mundo você vivê ? E claro, não vamos esquecer de aumentar os juros, para seu delírio…

  6. “Patética suas conclusões (…)em que mundo você vivê ?”

    Eu não sei quanto a você, mas eu vivo num mundo em que o crédito externo é 5% do crédito livre total para o setor empresarial, o que corresponde a cerca de 3,5% do crédito livre total (PJ+PF) e algo em torno de 2,5% do crédito total (incluindo direcionado).

    Este país, leitor inca venusiano, se chama Brasil, onde costumamos usar o “s” para designar o plural, e onde “vive”, palavra paroxítona, não tem acento na última sílaba.

    Já que economia não é mesmo sua praia, posso sugerir uma reforçada na gramática?

  7. Alex o pacote de salvamento dos bancos americanos não pode abrir passagem para outros pacotes de ajuda a setores em dificuldades?

    Tudo bem que sistema financeiro é uma coisa “delicada”,não podemos simplesmente deixar “quebrar” porque o custo para a sociedade é alto (tivemos o exemplo do Japão).Mas esse pacote de ajuda não abre uma janela para outros setores dos EUA como o automobilístico que passa por uma grave crise a pedirem ajuda do governo para evitar sua falência?

    Os EUA devem impedir a bancarrota de suas montadoras? Ou o custo de deixar “quebrar” seria alto demais?

    Abs Henrique

  8. Abre sim Henrique. É politicamente difícil justificar que um setor receba auxílio financeiro do governo e outro não, mesmo que as circunstâncias sejam muito distintas.

    Isto dito, me parece que o problema das montadoras teria menos impactos sistêmicos que no caso dos bancos. Eu não faria, mas desconfio que o governo americano o fará.

    Abs

    Alex

  9. Deve ser mesmo difícil pra quermesse entender/aceitar o seu raciocínio.

    Mesmo já tendo explicado o vovô viu a uva mais de uma vez:
    http://maovisivel.blogspot.com/2008/07/pense-globalmente-aja-lo
    http://maovisivel.blogspot.com/2008/08/oportunismo-ou-inao.htm

    A mente deste pessoal rechaça qualquer um que advogue mais juros e menos gastos públicos. Algo me diz que os próximos 2 anos de Lula irão deteriorar nossos fundamentos econômicos além do que a crise faria por si só. Se o Meirelles sair mesmo então já era. A área econômica vai ficar entregue à quermesse. E não acho que o Serra vá ser muito diferente disso.

    abs, BobFields

    ps. Kleber, fique tranquilo que eu já encomendei um trabalho pro pessoal aqui. Um porco será sacrificado e, na falta de urubu, vamos ofertar a carne a um corvo mesmo. O mais querido do Brasil pode ficar tranquilo.

  10. Bob (não confundir com o homônimo acima):

    É, em última análise, o mesmo raciocínio, mas tem gente com dificuldade de entender quando um dos lados da equação muda de sinal. Fazer o quê?

    Anônimo:

    Obrigado. Vejo mais um fã do Machadão.

    Abs

    Alex

  11. Alex,
    Parte do seu raciocínio não depende de uma baixa elasticidade preço das importações? Se o câmbio mantiver essa desvalorização o preço dos importados deve sofrer uma alta substancial. Mesmo assim continuaríamos importando muito?

  12. Rafael;

    Em equilíbrio parcial, sim. Em equilíbrio geral, bem menos. Pense no diagrama de Swan com um deslocamento para baixo da condição de equilíbrio externo: mesmo com a desvalorização do câmbio a absorção tem que diminuir.

    Abs

    Alex

  13. Prezado Alex,

    Em algum artigo seu, vc menciona que a demanda agregada cresce em torno de 6% aa em média e vem andando acima da PIB nos últimos 14 trimestres que cresce a 4,4% aa(não estou certo se me lembro destes números corretamente).Busquei levantar estes dados, que são trimestrais, no site IBGE e tive algumas dúvidas:1) os dados são trimestrais com ajuste sazonal.Qdo faz a sua conta,vc utiliza estes dados? Se não, poderia indicar aonde posso encontrá-los? Como vc os está anualizando?
    2)Pelo que entendo vc também precisa convertê-los de preços correntes em preços constantes? Qual o deflator que vc utiliza para isto? É alguma série que está disponível no site do IBGE?

    Muito Obrigado e parabéns por seu último artigo!

    Ângelo Correa.

  14. Ângelo:

    Eu acumulo os dados em quatro trimestres e calculo a taxa de variação.

    Há dois conjuntos de dados no SIDRA: os índices de produto real, com aberturas de oferta (agricultura, indústria, etc) e demanda (consumo, investimento, etc) e os dados nominais com a mesma abertura. Os deflatores implícitos podem ser calculados a partir da comparacão dos dois conjuntos de dados (mas você tem que construir; não está no SIDRA).

    Tendo os deflatores, você pode calcular as séries a preços constantes e agregá-las, por exemplo, em demanda doméstica, ou demanda agregada.

    Fazendo isto você acha o PIB até jun-08 cescendo a 6% e a demanda doméstica a 8%.

    Abs

    Alex

  15. Alex,

    Esses planos de ajuda (federal e estadual) às financeiras das montadoras de veículos não podem provocar um descasamento entre o mercado primário e secundário de veículos. Na minha opinião o governo também devia se preocupar com o crédito aos veículos usados para assim não haver distorções de preços. Não?

    Afinal, assim como podemos observar no mercado de capitais, nada melhor que um mercado secundário saudável para manter o mercado primário em alta.

    Abs,

  16. A Argentina hoje ta em uma situação melhor que o Brasil. O desemprego baixou para casa dos 7,5%, e o país tem crescido mais q 8% desde 2003.
    Antes que você fale que é só uma recuperação, veja q essa recuperação se deu entre 2003 e 2005, a partir desse ano o PIB já era superior ao pico anterior a crise.

    Já que a inflação estava na casa dos 28% no primeiro semestre, já esta na casa dos 18% anual, segundo estimações privadas, e fechara o ano em cerca de 15%.
    Se quiserem

    um site de economistas privados q medem a inflação:
    http://www.inflacionverdadera.com/

    O Brasil é o país com o terceiro maior índice de mortalidade infantil na América do Sul. A informação consta do Relatório sobre a Situação da População Mundial 2008, divulgado nesta quarta-feira pelo UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas).
    De acordo com o estudo, a estimativa para este ano é de que, em cada grupo de mil crianças nascidas vivas no país, 23 morram antes de completar um ano de idade. O índice brasileiro só não é maior do que o da Bolívia, com 45 mortes, e o do Paraguai, com 32.
    Na América do Sul, a menor taxa foi registrada no Chile, que apresenta uma média de sete mortes para cada grupo de mil crianças nascidas vivas. Em seguida, aparecem Argentina e Uruguai, ambos com 13 óbitos, e Venezuela, com 17.
    http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u466926.shtml

  17. Tudo isto e está à beira de quebrar de novo com o risco-país batendo mais de 4000, confisco de poupança e se preparando para mais uma recessão.

    Mas que problemas são estes para um autista econômico, não é mesmo?

  18. Mestre Alex, ontem à noite comentei que apesar de atualmente outros Bancos Centrais de diversos países estarem reduzindo as taxas básicas de juros, entendo que mesmo para quem pensa em Papai Noel e seus presentes de final de ano, é recomendável que o nosso BACEN mantenha a taxa nos 13,75% atuais. Para ser franco, um aumento de 0,25% até que seria um sinal favorável a redução do consumo e um fator a mais a favorecer a manutenção ou até provocar uma sensível queda na inflação. Afinal, estamos bem acima da meta estipulada de 4,5%aa. Ontem, na GAZETA MERCANTIL Henrique Meirelles foi questionado sobre qual a política fiscal mais adequada para o Brasil, em um momento em que os principais bancos centrais do mundo estão promovendo cortes nas taxas básicas de juros, e comentou: “A política fiscal mais adequada está na ata do Copom”.

    Outro incômodo que vejo é a intervenção do governo na liberação de créditos para determinados segmentos, visando solucionar apenas situações específicas, além de beneficiar essas áreas em detrimento a outras com menor poder de lobby. E ainda tem a questão dos gastos públicos que não param de crescer. Como falou a Míriam Leitão, “um aumento dos gastos públicos não deve ser apresentado nem como a salvação da lavoura e nem como a origem de todos os males.”

    Porém, DEPOIS do que escrevi, li o Krugman no artigo “Franklin Delano Obama?” escrever que no caso americano, claro,o Obama deve é descobrir de quanta ajuda a economia precisa e então ac acrescentar 50%.

    Aí eu fiquei aqui na minha selva preocupado. Eu no meu simplista pensamento e o poderoso PK com essa de gastar. PORÉM, lendo HOJE na FOLHA o seu artigo, eu entendi. Brasil é Brasil – USA is USA.
    Logo,continuo na minha linha de raciocínio, defendendo a meta de inflação e uma política econômica comprometida com a estabilidade.

    Mais uma vez, aula grátis para este aluno.
    Abração,
    João Melo, direto da floresta.

  19. João:

    É isso mesmo. A quermesse fica babando, com perdão do pleonasmo, com a justificativa para enfiar o pé na jaca, mesmo que um enfrente a possibilidade de deflação e o outro de inflação. Mas o que é a consistência lógica para quem tem a certeza na frente e a história na mão?

    Eduardo:

    Valeu a força!

    Abs

    Alex

  20. Olha se você olhar os dados sociais da Argentina vera que estão melhores que do Brasil.IDH,Mortalidade infantil,renda per capta.

    Depois que o governo Kichner assumiu pegou o pais no marasmo econômico e conseguiu fazer o pais crescer rapidamente.Enquanto o Brasil cresceu próximo de 4% em 2004 a Argentina cresceu 8% conseguindo se recuperar da crise.Eu tive a oportunidade 4 de ir 4 vezes na Argentina 2 vezes na “época de ouro” dela (98,99) a situação dela era ótima.Outra em 2002 quando o pais estava quebrado a ultima vez foi em 2007 aonde o pais estava em uma situação bem melhor que a de 2001/02.

    Eles tiveram que decretar moratória da divida porque adotaram o cambio livre,a desvalorização do cambio aumentou em muito o valor da divida.A única saída dela ao meu ver seria ter dado um calote, a divida dela depois da desvalorização atingiu 80% do PIB (antes não tivesse adotado o cambio fixo).

    Parabéns pelo seu texto, é difícil encontrarmos pessoas da areá de exatas que gostem de literatura brasileira (com exceção do Gustavo Franco).

  21. Tudo isto já era melhor que o Brasil, mesmo com a crise de 2001/02. A questão é se o crescimento será mantido. Nem vou falar para apostar seu dinheiro que não serã porque já está mais do que no preço. A Argentina vai de cabeça para (mais uma) recessão.

    Volte em 2009 e você vai ver uma economia pior que em 2002.

  22. Com relação a adoção de regime de cambio fixo para cambio flutuante,o custo é alto no inicio?

    Porque encontrei uma reportagem na veja (antiga) mostrando os países que adotaram o regime de cambio flutuante tiveram que subir astronomicamente o juros ,lá mostrava que o México subiu o juros para 75%, a indonésia subiu para 80% coreia 35%.

  23. Maravilha, maravilha! Viram o “estudo” do IPEA sobre gasto com juros? Acabaram de demolir a credibilidade que a instituição ainda tinha… como devem estar os pesquisadores sérios da casa?

    Não precisa nem comentar que o “estudo” não passa de simples compilação de dados, sem qualquer análise mais séria… já era esperado. Mandaram meia dúzia de estagiários empilhar planilhas e pronto, temos um artigo.

    Dizer que o gasto com juros é improdutivo, porém, foi genial… eu tenho uma sugestão para resolver o problema do sistema financeiro mundial: vamos fechar o sistema. Se gasto com juros é inútil, naturalmente tomar qualquer empréstimo é inútil. Assim, podemos gastar com educação, enfrentar a desigualdade e ser muito mais felizes.

    Como será que se diz “gasto com juros é a contra-partida de gastos realizados previamente, na ausência de recursos próprios” em inca-venusiano?

    O cara é bom aluno no colégio, quer fazer faculdade de economia, se mata de estudar, arrebenta nos vestibulares mais difíceis, e vai para a… UFRJ. UNICAMP. Já que estamos fazendo citações, vai uma das minhas favoritas do neurótico-mor de Manhatan: “My education was dismal. I went to a series of schools for mentally disturbed teachers.”

  24. “A Argentina hoje ta em uma situação melhor que o Brasil. O desemprego baixou para casa dos 7,5%,”

    Para ser mais correto, o desemprego no Brasil estah em 7,6% (setembro) enquanto na Argentina estah em 8.0% (segundo trimestre).

    “O”

  25. Doutrinador, o Tio acabou “atendendo” o meu pedido. Com a classe, clareza e contundencia de sempre. “O Brasil esta’ como o carro que entrou tarde na corrida, e depois que ela acabou quer continuar acelerando.” – Miriam Leitao. E isso podera’ MESMO levar a uma condicao de “cisne negro” mais ‘a frente, com uma inflacao perto do descontrole, que traga uma dose de juros cavalar, e que por sua vez leve a uma recessao de igual tamanho.

    Sobre a graninha pras montadoras, ja’ postamos aqui dias atras que nao passa de doacao de dinheiro a fundo perdido para o sindicato e seus afiliados. O custo total horario da mao-de-obra na GM e’ de 73 dolares. Nao Toyota, 48, no geral do pais, 28. As estimativas sao de que essa diferenca equivale a 7000 dolares POR CARRO. PORCA MISERIA!

    Mas a filosofia democrata e’ essa mesma: distribuicao “keynesiana” do dinheiro alheio. Vai dai’ entao que Bobama e seus asseclas devem ir por esse caminho.

    Mas olhem, primos, nao fiquem muito impressionados com essa estoria toda. Enquanto a gente se diverte com os quermesseiros daqui e dai’, a situacao na Europa Oriental ta’ mais feia do que o diabo comendo mariola (alias, BobFields, eu nao sei bem o que significa essa expressao carioca; eu nem mesmo sei o que e’ uma mariola, mas ela soa muito gozada – e, by the way, chumbo no Porcao, cumpadre). Menino Ze’do Caixao ja’ esta’ encomendando milhares de pregos pro embrulho dessa rapaziada.

    Nao havera’ imunidade ‘a crise, que esta’ ainda no alvorecer. Mas vao ter neguinhos que vao dancar mais, e neguinhos que vao dancar menos. Quanto maior a exposicao ao dinheiro externo, numa combinacao de (exportacao+entrada de capital)/PIB, pior. Os que tiverem esta exposicao em nivel mais alto dancarao mais. A musica tocara’ ainda mais acelerada para os que dentro desse grupo tenham deficit em conta corrente, baixas reservas, e receitas relativamente grandes provenientes de commodities. A hora em que essa tsunami de josta estourar, vamos ter que dar razao ao nossoguia: a do Brasil vai parecer so uma marolinha.

    E permanecam no alerta geral do Kleber S.: vendam suas acoes no primeiro rally. Ainda tem muita mariola pra ser comida.

    Um abracao de quebrar costela

    Kleber S.

    PS: Tio, voce nesse artigo teve lances de bazofionomics muito finos.

  26. O crédito é mesmo necessário? Será que todas as crises cíclicas pelas quais temos passado não foram decorrentes do consumismo estimulado pelo crédito fácil que também faz com que, sem percebermos, produtos caros sejam vendidos? O que aconteceria com a economia se ficassemos sem crédito por um bom tempo? Sairiamos melhores ou piores ao final? O crédito, afinal, é só uma antecipação do consumo futuro, ou não é?
    Adair / Brasília

  27. Adair:

    Sua pergunta me lembra a resposta do Einstein à pergunta de como seria lutada a III Guerra Mundial.

    Disse ele: “a III guerra eu não sei; a IV será com paus e pedras”.

    Eu imagino que o mundo sem crédito será bem parecido com a IV Guerra Mundial…

    Abs

    Alex

  28. “O Brasil esta’ como o carro que entrou tarde na corrida, e depois que elaacabou quer continuar acelerando.” – Miriam Leitao
    Vou discordar Kleber, não de você, mas da nossa amiga (ou nem tanto) ML.Dizer que entrou tarde não basta, deve-se mencionar o fato de que fomosforçados a preparar bem o carro para entrar na corrida. As condições docarro que alguns amigos herdaram aí não era nada boa.

    Não fosse a acumulação de reservas, o efetivo controle da inflação e amudança no perfil da dívida (ficando ativo em USD), hoje estaríamos com pneucareca, suspensão frouxa e superaquecimento do motor, tal como a Honda doRubinho. Dentre o que poderia e pode ser feito em termos de políticamonetária, estamos bem. Concordo, sim, com a segunda parte, onde a briga entre o italiano que desejaacelerar e o brasileiro que está exigindo o freio de mão imediato já épública, estampando os nossos periódicos esta semana.

    Fiquei sabendo pelo Reservado que a Zé do Caixão Co. interrompeu suasoperações na Argentina. Motivo: confiscaram os pregos..

    Grande abraço!

    P.S.: Peguem leve com o porquito, entre Borges/Hugo e Kléber/Alex Mineirofico com a segunda e mais qualificada opção.

  29. Olá Alex,

    Obrigado pelas dicas no cálculo do deflator.Cheguei aos 6% para o cresc. do PIB e 8% para a absorção doméstica, portanto imagino que estejam corretos os deflatores. Agora, esbarro em outro problema: Minhas séries já deflacionadas e calculadas a preços constantes das séries de import. e export. das contas nacionais do IBGE estão “suspeitas”.(Apesar de tê-las deflacionado da mesma maneira que fiz nas séries para demanda e PIB).Qdo quero calcular o cresc. de (M-X) acabo obtendo valores muito altos.Por exemplo: 1T07 M-X=-17,3 bi, 1T08 M-X=-2,04 bi. Então, 1T08/1T07= -88% . Será que devo utilizar algum “suavizador” ou devo “restartar” tudo ?

    Obrigado,

    Abs,
    Ângelo

  30. Ângelo:

    Você fez certo, mas o resultado é este mesmo. O problema é que você multiplica um valor muito alto por um peso muito baixo (já que X/PIB e M/PIB são muito próximos). Se você quer um número mais tratável, trabalhe com a contribuição da demanda externa e da demanda doméstica, i.e.:

    (% dem dom)*Cresc dem dom
    (% dem externa)*Cresc dem ext

    Abs

    Alex

  31. Kleber,
    Mariola é bananada, e bananada não é agressão com banana e sim doce de banana. Agora porque o cão comendo mariola é feio nao me pergunte.
    Na onda das explicações o que vem a ser bazofiomics? E porque o restaurante em berlin será BEI marolinha (não captei o BEI).
    Sua teoria do aftershock de josta vindouro está me tentando a operar vendido. Quem vai pra luzia primeiro? Comodities? Bancos? Everybody todomundo junto?
    Dá a dica ai que se eu ganhar eu patrocino as mulatas para animar o boteco cospe grosso em Angola.

    Alex,

    Sou engenheiro, semi-analfa em economia, meus conhecimentos são rasos e empíricos. Dito isto gostaria de fazer umas perguntas:

    Este esquema dos juros como mecanismo de controle da demanda ficou claro para mim a primeira vez na primeira crise do real. A minha conclusão na época foi de que existe uma demanda reprimida gigantesca no Brasil (ou seja o povão quer consumir) e, toda vez que acontece uma conjuntura que torna isso possível, a capacidade instalada de produzir topa sem atender a oferta. Muita demanda com pouca oferta igual aumento de preços igual inflação. Para contornar importa-se. Com deficit no balanço de pagamentos o dolar tende a subir, ou seja mais pressão inflacionária, e disparada do dolar. Para controlar a inflação só resta uma saida, frear a demanda via juros estratosféricos.

    A pergunta é: 1)Meu raciocínio tá certo ou só falei M?
    2)Juros altos ad eternum não pode ser bom. Qual a saída deste circulo vicioso afinal? Aumentar a capacidade de produção? Tão simples (e dificílimo) quanto isso?

    Abraços e parabéns pelo blog
    André Lima

  32. Olá,

    Ótimo artigo, concordo plenamente. Estamos basicamente auferindo na economia brasileira os resultados matemáticos das relações de troca internacional. Tenho recentemente escrito sobre este e outros temas tbem (luiscardiga.blogspot.com) e lhe convidaria a debater sobre a real possibilidade de uma maxi-desvalorização do USD como medida radical para colocar em linha a relação dívida / PIB dos EUA. Um evento desta magnitude alteraria radicalmente um quadro recessivo na Econ. brasileira ainda em 2009/2010, correto? Seu imput sempre bem vindo!
    Grande abraço,
    Luis

  33. “Ao germe que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver, dedico estas minhas memórias póstumas.”

    Se a minha velha memória não me falha é assim que Machado abre o Memórias de Brás Cubas. É assim mesmo Alex?!

    Parabéns pelo artigo. A grande incerteza é mesmo a trajetória do crédito. Mas se o crédito externo representa apenas 5% do crédito corporativo então como você mesmo aponta me parece razoável esperar que a concessão de crédito dos bancos brasileiros volte à normalidade em breve.

    Grande abraço,
    Ed

  34. Doutrinador, voce acabou concordando com a ML, so’ que com algumas justificativas para o atraso na entrada.

    BobFields, cumpadre, vao ai’ as respostas:

    1- BEI e’ uma palavra em alemao que nao tem exata traducao em portugues (nem em ingles), mas se voce fala frances, ela significa CHEZ. Em portugues a coisa que ficaria mais perto seria AO MAROLINHA.

    2- Bazofia+economics da’ bazofionomics.

    3- Num faca a bobagem de ficar vendido, cumpadre. Sabe porque? E’ so’ analisar o que aconteceu com o Dow Jones hoje ‘a tarde. Estava caindo 250 pontos e acabou 550 pontos positivos. Qual foi a grande noticia? NENHUMA. NEM NOTICIA NEM BOATO. A bolsa subiu porque subiu. Contra todas as noticias ruins de desemprego que sairam na parte da manha. Ja’ pensou se uma coisa dessas acontece no dia de exercicio de opcoes? You get wiped-out, amigao. Uma coisa e’ comprar acoes na hora errada. Se a companhia e’ solida, voce guenta o tranco da queda, e em uns 5 anos voce recupera o prejuizo. Como shorting e opcoes tem data de vencimento, mesmo que o seu raciocinio economico financeiro esteja perfeito, voce pode acabar com a Luzia, cumpadre.

    O que deve cair ate’ o fim da crise? Ao meu ver tudo. Porque trata-se de um fenomeno de deflacao mundial. Portanto tudo o que subiu desmesuradamente na bolha – casas, commodities, acoes, moedas emergentes, etc – agora estao vendo o reverso da medalha.

    Um abraco de quebrar costela

    Kleber S.

    PS: confiscar os pregos do Zezinho foi a maior sacanagem que o governo argentino poderia ter feito. Ainda se fosse o martelo, o Ze’ poderia usar a cabeca do Nestor. Mas sem prego num da’, certo mocada?

  35. Marcelo:

    1) Não
    2) ?
    3) Preciso responder ou você não consegue perceber?

    P.S. Um pouco de conjugação não faria mal, or exemplo, “tu não achaS”, “tu éS”, etc, etc.

  36. Mestre Alex, saudações Machadianas.
    Entrei no blog pra te fazer uma pergunta mas o seu post ja respondeu. Isso é coisa de Alienista!!!

    Well, é cruel tudo isso, ainda que verdade.Parece-me que a quermesse também tem os olhos de ressaca, como a Capitu.

    Pra frente, Brasil. Ao vencedor, as batatas!

    G.Howe

  37. O mais incrível no pensamento dos quermesseiros é que numa hora destas eles acham que gastos correntes e despesas com juros são intercambiáveis. Ou seja, que podem reduzir juros e gastar mais, assim estariam fazendo um duplo bem ao país.

    O BC responsável acaba tendo de dar uma carga maior nos juros para compensar a gastança do governo. E o pior, passam por vilões aos olhos do público. Esse país realmente não se emenda.

    Kleber, voce respondeu para mim mas as perguntas foram feitas pelo Andrá Lima. Eu também não operaria vendido nestes tempos de volatilidade extrema. E fala pro Zé do Caixão guardar uns pregos pro ataúde do vasquinho.

    abs, BobFields

  38. Alex você acredita no livre mercado?

    Porque defender o pacote de salvamento dos bancos não me parece uma boa saída.Isso vai contra os princípios do livre aonde quem fez apostas erradas tem que pagar (tanto investidores que deram créditos para quem não podia,tanto os moradores que sabiam que não tinham condições de comprar as casas).Não acho uma atitude muito inteligente salvar quem errou, o mercado é assim quando o governo interfere só piora as coisas).

    A chave para essa crise melhorar seria menos governo.Parece que você (como todo keynesiano)acha que o estado pode fazer magica e evitar todos os ajustes econômicos.

  39. “O BC responsável acaba tendo de dar uma carga maior nos juros para compensar a gastança do governo. E o pior, passam por vilões aos olhos do público. “

    Caro Bob Fields,

    Esse nao eh o problema. O problema eh se o BC dizer que a SELIC deve ser X e os titulos indexados a SELIC venderem com um desconto. Isto eh, se o mercado decidir que SELIC nao eh suficiente. Esse eh o risco. Se o manteguinha tiver um QI acima de 70 pontos, ele se preocupa com essa possibilidade pelo menos uma vez por semana.

    “O”

  40. “Isso vai contra os princípios do livre aonde quem fez apostas erradas tem que pagar (tanto investidores que deram créditos para quem não podia,tanto os moradores que sabiam que não tinham condições de comprar as casas).”

    OK. E quem vai perder o emprego por conta da contração de crédito generalizada de uma quebra bancária fica por isto mesmo? Já ouviu falar de externalidade e seus efeitos sobre a alocação eficiente de recursos ou ainda não chegou à quarta parte do livro de micro?

  41. Ok, você é um economista, e dos bons pelo que ouço dizer. Mas estáS contando com o ovo no cu da galinha. As taxas de desemprego estão subindo assustadoramente na Europa, a Alemanha teve o segundo trimestre consecutivo de contração do PIB, o empresariado paulista já anunciou a diminuição dos investimentos, a Vale também, etc, etc.

    Eu aposto na diminuição da demanda brasileira também.

    Se o governo não tivesse onde investir eu até poderia concordar contigo. Mas tem tanta estrada, ferrovia, etc, que se construída irá trazer retorno no longo prazo.

    Se a galera não quer gastar o seu dinheirinho, o que custa o governo pegar emprestado pra puxar a demanda?

  42. Sim….. ,Mais isso faz parte do livre mercado.O que estamos vendo é uma correção dos preços dos ativos,o governo já tentou interferir (basta ver o balanço do FED antes e depois da crise para compararmos.

    Quem perder seu emprego um dia (depois passada a crise) vai recupera-lo,por isso a importância de desregulamentar o mercado de trabalho,como acabar com direitos trabalhistas (fim do salario minimo,aposentadoria) isso para os EU que o mercado é desregulamentado.

    Ana Schwartz autora de historia monetária reconhece que Greenspan baixou muitos as taxas de juros favorecendo a “especulação imobiliária”.Se tivéssemos uma politica monetária mais rígida na era greenspan ,essa crise não teria acontecido.Ana Schwartz ainda diferencia que essa crise difere da de 29.A de 29 foi uma crise de falta de liquidez (de fato foi),mais essa é uma crise de “excesso de liquidez” tanto é que para ela a ação de Paulson e Bernanke só agravou a crise.

    Essa crise teve suas origens gerada pelo estado ,tanto é que as Semi estatais Fanie Mae… operavam com taxas subsidiadas pelo governo.A chave para sairmos dessa crise é menos governo,uma maior desregulamentação e supervisão sobre o setor financeiro.

    Mercado financeiro tem que ser totalmente desregulamentado,o governo só deve intervir para para garantir as livres trocas entre os indivíduos.

  43. Caro Alexandre,

    qual é a sua opinião sobre o liquidity trap? Acreditando que seja mera fantasia dos keynesianos, você poderia desconstruir a explicação ao caso japonês por meio desse instrumento teórico?

    O último prêmio Nobel, de quem não sei se você é admirador, acredita que a queda nos juros coordenada entre os países desenvolvidos tem a ver com o tal do liquidity trap.

    Caso ele realmente exista, não importa que 3,5% do crédito nacional dependa do exterior. Além, é claro, do fato que a demanda não depende apenas da disponibilidade de crédito. Como é bem sabido, ela depende do investimento, o qual só se realiza de houver a expectativa de lucro. Como a produção industrial de SP cresceu apenas pouco mais de 1% no último mês, em comparação a mais de 7% no mesmo perído do ano anterior, suponho que haja evidência suficiente para refutar o seu argumento.

    De qualquer maneira, durante a crise de 29 havia um grande economista que, como você, acreditava na rápida solução da crise. Ele se chama Irving Fischer. Guardadas as proporções, me parece provável que você seja lembrado, no futuro, por ter feito previsões (fundamentadas em ferramental econômico preciso) tão certeiras quanto as dele.

    Saudações

  44. Mas o nexo para o Brasil estah pouco claro. Se vc quer sugerir que o Brasil possa estar numa situacao de armadilha da liquidez, bem, pense de novo. Se tem uma coisa que nao falta no Brasil eh espaco para derrubar juro.

    Se vc pensa em algum tipo de contagio, bem, ai meu argumento sobre a pequena ligacao entre credito domestico e externo derrubou seu argumento.

    Quanto ao investimento X credito, obviamente nao eh o ponto que estou tratando. O que argumento eh que ha exagero em supor que a queda de disponibilidade de credito em outubro vah se repetir nos proximos meses.

  45. Alexandre,

    a armadilha da liquidez não acontece apenas quando não há espaço para derrubar juros. Ela afeta qualquer economia em que o “estado das expectativas” (para usar a expressão de Keynes) esteja abalado a ponto de levar os agentes a elevar repentinamente a preferência pela liquidez, ou demanda por moeda. Pensando no gráfico do mercado de moeda em que o BC fixa juros, e não moeda, haverá armadilha da liquidez se a curva de demanda se parecer com um J invertido. Ou seja, no caso em que, para aumentar a liquidez da economia, é necessário diminuir muito os juros.

    Isso está muito claro no Brasil, basta ver o que os bancos têm feito com a parcela do compulsório que o BC lhes devolveu.

    Além disso, é impensável que a oferta de crédito interna dependa do exterior apenas em 3,5%. Isso pode ser o percentual de contratações diretas de crédito por parte de empresas domésticas, mas definitivamente não reflete o quanto o mercado financeiro depende da liquidez externa. E a capacidade de oferta de crédito dos bancos depende estreitamente do desempenho do mercado financeiro.

    O Brasil sempre dependeu das ondas de contração de expansão da liquidez internacional, e não será hoje que deixará de depender. Basta lembrar que as reservas da ordem de 200 bilhões não são suficientes para cobrir o passivo externo total do país.

  46. “Pensando no gráfico do mercado de moeda em que o BC fixa juros, e não moeda, haverá armadilha da liquidez se a curva de demanda se parecer com um J invertido”

    Pense de novo. Se a curva de demanda por moeda se parece com o “J” invertido, um aumento do custo de oportunidade de reter moeda leva a um aumento da demanda por moeda, o que é um contra-senso.

    Se você quer argumentar que há aumento da demanda por moeda, a curva se desloca para a direita. Ainda assim, dada a fixação de juros pelo BC a oferta de moeda se ajusta: como o BC fixa o preço dos títulos (a taxa de juros) e o aumento da demanda por moeda tende a derrubar o preço dos títulos, os bancos venderiam os títulos para o BC, ajustando a oferta de moeda. É só ver o que ocorreu, por exemplo, quando da introdução da CPMF. Houve um salto da demanda por moeda (já que os fundos de curto prazo morreram) e a oferta se ajustou.

    “Isso está muito claro no Brasil, basta ver o que os bancos têm feito com a parcela do compulsório que o BC lhes devolveu.”

    Errado. Bancos grandes compraram cerca de $ 20 bi de créditos de bancos pequenos. De uma forma ou de outra, porém, os recursos serão esterilizados no BC, seja por quem recebeu o compulsório e não usou, seja por quem vendeu seus créditos (e não emprestou), seja por quem vendeu seus créditos e emprestou os recursos (em conta corrente do cliente e no caixa do banco, não?) e vai deixá-los dormindo no BC.

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