Chegou a hora de a onça beber água. Coluna Mário Marinho. Especial Copa do Mundo

COPA DO MUNDO – ESPECIAL

Chegou a hora de a onça beber água

Quarta de final é um momento decisivo, inescapável, inadiável, implacável e terminativo.

Qualquer vacilo é desastroso, trágico, irreparável, funesto, letal.

Cair fora nas oitavas é feio, muito feio, é vexame.

Perder na semifinal também é chato, mas fica aquele gostinho de que ainda vamos ver a Seleção jogar novamente e pode ficar com o terceiro lugar. Não é grande coisa, mas é alguma coisa.

Perder na quarta parece aquele negócio de enfiar o rabo entre as pernas e sair de cabeça baixa como um vira lata escorraçado nas ruas.

É dramático.

Acho até que os jogadores deveriam entrar em campo com aquelas máscaras de tragédia grega. Pelo menos até começar o jogo.

Não quero secar, mas apenas alertar: já caímos em quartas-de-finais e o gosto é muito ruim.

A primeira vez foi um 1954, na Suíça.

Pegamos a Hungria que era o melhor time do mundo. Para se ter uma ideia, além de campeões olímpicos em 1952, a Hungria chegou à Suíça com a invencibilidade de 27 partidas (23 vitórias), 114 gols marcados e apenas 26 sofridos.

Perdemos para a Hungria, 4 a 2, num jogo tumultuado e violento.

Mas não houve injustiça: a Hungria era muito melhor. Injustiça mesmo foi a poderosa Hungria perder o título mundial para a Alemanha na final.

Em 1986, no México, caímos diante da França, na decisão por pênaltis.

Foi aquele jogo que terminou 0 a 0 e o Zico perdeu um pênalti ainda no tempo normal de jogo.

Depois, na decisão por pênaltis, Sócrates e Júlio César perderam suas cobranças.

No nosso gol, estava Carlos que optou por saltar no canto esquerdo em todas as cobranças – e os cobradores optaram pelo canto direito.

Na única cobrança do lado esquerdo, o canto escolhido por Carlos, a bola bateu na trave e depois nas costas do goleiro Carlos e entrou.

Foi o fim de uma geração de craques, como Sócrates, Zico, Falcão e Júnior que brilharam muito e não ganharam nada.

Na Copa da Alemanha, em 2006, o Brasil tinha craques como Ronaldinho Gaúcho, Adriano, Kaká, Ronaldo Fenômeno, Roberto Carlos…

Pois foi uma bola cruzada na direção onde deveria estar Roberto Carlos e não estava. Mas estava Thierry Henry que fez o gol que nos mandou para casa.

Em 2010, a Seleção jogava sem brilho, porém com firmeza.

Nas quartas de final enfrentamos a Holanda e saímos na frente.

Mas levamos dois gols e ainda tivemos Felipe Melo irresponsavelmente expulso de campo.

Enfim, são registros da história.

Claro que já passamos por outras quarta de finais com sucesso.

Afinal, já chegamos a 7 finais, das quais ganhamos 5.

O time
que começa

O técnico Tite é, sem dúvida, um dos grandes trunfos que o Brasil tem, além de seus grandes jogadores.

O alemão Lothar Mattaus, por exemplo, considera que Tite é um sério candidato a ficar com o título de Melhor Treinador da Copa. E explica:

– Ele achou a mistura ideal da disciplina europeia com a magia do Brasil.

Ronaldo Fenômeno também não se cansa de elogiar nosso treinador, com quem trabalhou no Corinthians.

Assim, se Tite insiste em manter Gabriel de Jesus e ficar com Firmino no banco para entrar durante o jogo, eu fecho com ele.

Tite sabe o que faz.

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FOTO SOFIA MARINHO
MARIO MARINHO, Copa do Mundo Especial CHUMBOGORDO
Mario Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.
(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
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1 thought on “Chegou a hora de a onça beber água. Coluna Mário Marinho. Especial Copa do Mundo

  1. Prezado Mário,

    Parabéns pela crônica, um rápido passeio por batalhas do nosso selecionado, que você cita com naturalidade — de memória, posso apostar — reconhecendo aquelas que merecemos perder, até por negligência, e as outras que perdemos injustamente.

    Acima de tudo fica combinado que devemos colocar as barbas de molho porque imprevistos podem ocorrer, embora tenhamos uma excelente equipe, orientada por um grande técnico.

    Nessas circunstâncias vale uma frase campeoníssima no quesito lugar comum: “Alea jacta est”.

    Abração!

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