Cena de um absurdo sem sentido. Coluna Mário Marinho

Cena de um absurdo sem sentido

COLUNA MÁRIO MARINHO

Foi uma cena digna de futebol de várzea: jogadores empurrando uma ambulância em pleno gramado.

E não aconteceu em jogo de segunda, terceira ou quarta divisões. Tão pouco em uma pequena cidade do interior de algum País de terceiro mundo, envolvendo times tipo arranca Tôco x Quebra Canela.

Aconteceu na Capital do Brasil, no estádio mais caro da Copa do Mundo de 2014, envolvendo dois dos mais populares e tradicionais times do futebol brasileiro: Vasco e Flamengo.

O volante do Vasco, Bruno Silva, chocou-se com o companheiro de equipe, Luiz Gustavo, e caiu desacordado.

Foi prontamente atendido no gramado. Colocado na ambulância para ser levado a um hospital, deu-se o ridículo: a ambulância apagou o motor e não pegou até que os jogadores dos dois times a empurrassem para pegar no tranco.

Bruno foi levado ao hospital e, felizmente, não se constatou nada de grave.

Mas poderia ter sido muito grave.

E, se assim fosse, o socorro poderia ter sido comprometido pelos problemas do motor da ambulância. Simples acaso ou pouco caso na manutenção da ambulância?

Vale refletir.

Em outubro de 2004 eu estava no Morumbi comentando o jogo São Paulo x São Caetano para a rádio Nove de Julho. A narração era de Ivanor Batista.

O jogo havia começado há cerca de 10 minutos quando o zagueiro Serginho caiu em sua área. O atacante Grafite nem percebeu e até tropeçou no jogador.

A bola havia saído pela linha de fundo do São Caetano e o jogo estava paralisado.

Lembro-me que o narrador Ivanor Batista lia um texto comercial, levantou os olhos e viu o tropeção de Grafite em Serginho.

– Mas o que aconteceu? O Grafite agrediu o Serginho?, espantou-se Ivanor levanto a pergunta ao ar.

Eu acompanhei a cena e também entrei no ar.

– Não, não é isso. O Serginho caiu sozinho. Talvez ele tenha passado mal.

Atrás do gol, o rápido repórter Edson Rufino completou a informação.

– É isso, mesmo, o Serginho caiu sozinho. E deve ser coisa grave, pois o goleiro Sílvio Luiz pede desesperadamente a entrada dos médicos em campo.
O socorro dos médicos, tanto do São Caetano quanto do São Paulo, veio imediatamente.

A ambulância estava parada fora do gramado, do outro lado do campo, junto ao portão de entrada do Estádio.

Médicos e jogadores faziam sinais desesperados par que a ambulância entrasse no gramado. Na ambulância havia o desfibrilador, aparelho crucial para o socorro.

Só que motorista e enfermeiros não estavam na ambulância. E depois, quando chegaram, tiveram problemas para manobrar e entrar no gramado.

Uma hora e meia depois, o zagueiro Serginho, de 30 anos idade completados há uma semana, era declarado morto no hospital para onde foi levado.

Não quer dizer que ele tenha morrido por falta de socorro.

Constatou-se depois que ele era cardiopata e não poderia estar jogando.

Mas, de todo jeito, ficou claro a ineficácia do atendimento da ambulância.

Agora, 14 anos depois, repete-se falha nesse tipo de atendimento.

Será que nos demais locais de competições esportivas esse atendimento recebe o tratamento necessário? As ambulâncias são revisadas? Seus profissionais são treinados?

Dúvidas que ficam no ar.

Brasileirão
de pouca emoção

Joguinho bem mequetrefe fizeram Santos e São Paulo na tarde de ontem, na vila Belmiro.

Pode-se dizer que o 0 a 0 não foi o placar, mas, sim, a merecida nota dos dois times pelo futebol não apresentado.

Com o ponto ganho, o São Paulo assumiu a liderança do Brasileirão (50 pontos), mas pode perdê-la ainda hoje se o Internacional, hoje com 49 pontos, passar pela Chape.

A rodada toda foi bem fraquinha, com média de 1,7 gols por jogo.

Veja os gols da rodada e prestenção, uai, na bela jogada ensaiada na cobrança de falta que resultou no gol do Atlético Paranaense contra o Fluminense, Há muito não se vê jogadas ensaiados em nossos gramados.

https://youtu.be/A9JumEMakkY

_____________________________

FOTO SOFIA MARINHOMário Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
 NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

1 thought on “Cena de um absurdo sem sentido. Coluna Mário Marinho

  1. Boa tarde Marinho, muito frio por aí?

    Muito bom seu texto sobre ambulâncias nos gramados.
    Vamos ver se os responsáveis atentam para o caso.

    Forte abraço!

    Cesar Camarinha Filho

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine a nossa newsletter