O samba dos crioulos doidos. Coluna Carlos Brickmann

O SAMBA DOS CRIOULOS DOIDOS

COLUNA CARLOS BRICKMANN

                     EDIÇÃO DOS JORNAIS DE QUARTA-FEIRA, 3 DE OUTUBRO DE 2018

Pouco mais de 55 anos de jornalismo me mostraram o mundo como ele é: já vi cachorro matando elefante, delegado dando ordem de prisão a boi no pasto, passarinho ciscando na boca do jacaré, carro novo mais barato que o velho da mesma marca e categoria, bilionário com nome e capacete de viking passando uma temporada na cadeia. E, se não vi o título mundial do Palmeiras, não foi por desleixo: é dificílimo enxergar o que não existe.

Mas nunca imaginei ver a Folha de S. Paulo e o Grupo Globo acusados de comunistas – Octávio Frias e Roberto Marinho jamais pensariam em integrar o grupo de comunistas formado também por O Estado de S. Paulo – alguém terá imaginado o dr. Júlio de Mesquita Filho, sempre impecavelmente vestido, conspirando com desleixados bolcheviques petistas? – e notáveis como Fernando Henrique, José Serra, Mário Covas, ao lado de banqueiros da mais seleta estirpe, Cândido Bracher, George Soros – que, ao que imaginam seus detratores, move-se silenciosamente pelo mundo tentando implantar o regime comunista, aquele no qual toda sua fortuna será confiscada. Soros deve gostar de correr riscos: se o trabalho não der certo, na certa ele será punido por seus camaradas; se der certo, sua fortuna irá para o Governo, que comprará sítios e apartamentos para os governantes, mas que estarão em nome de outros.

Mas quem é que entende o que se passa na cabeça desses comunistas?

Quem manda e quem faz

Um jornal de qualidade não discrimina por ideologia as pessoas que contrata. Essa história de que o jornal tem um jornalista antipetista ou petista deve ser verdadeira (todos têm), mas não tem sentido. O jornal segue a linha da direção. Se alguém fugir a ela, cai fora. O principal editorialista de O Estado de S.Paulo era dirigente comunista, da total confiança de Júlio de Mesquita Filho. Roberto Marinho disse a líderes militares que não se metessem com O Globo: “Dos meus comunistas cuido eu”. A Folha tinha Oswaldo Peralva, ex-dirigente do PCB; Ricardo Kotscho, do PT; gente da Libelu trostquista. E eu, que não era de esquerda. Peguei uma época boa, em que esquerdista estudava. E aprendia com eles.

Cuidado com pesquisas

Pesquisa é ótimo: serve para orientar a campanha do candidato. E só. Quem acha que seu favorito vai vencer ou perder por causa da pesquisa se engana. Há uma foto clássica: o presidente americano Harry Truman, reeleito, mostrando o Chicago Daily Tribune com a manchete “Dewey derrota Truman”. Brigar com pesquisas, acusar institutos de falsear números, é perder tempo: melhor é usá-lo em busca de novos eleitores.

Cuidado

E é preciso, no caso de pesquisas, verificar se foram mesmo feitas. Uma instituição americana, a University of Southern California, de Los Angeles, apareceu como autora de uma pesquisa que dava Bolsonaro como vitorioso no primeiro turno, com mais de 60% dos votos.

Só que a pesquisa era falsa: a USC não fez pesquisa alguma sobre as eleições no Brasil.

Grande frase

Do jornalista Chico Bruno: “Esta é a eleição presidencial em que os líderes querem reeditar o passado – ou o remoto ou o mais recente”.

Racha de esquerda

A senadora Kátia Abreu, que foi ministra de Dilma e é candidata a vice de Ciro Gomes, abriu fogo contra o candidato petista Fernando Haddad. Katia, líder ruralista, virou amiga de infância de Dilma e não a abandonou nem quando ficou claro que seria afastada do poder. E foi o comportamento de Haddad no impeachment de Dilma o alvo de Kátia: “Fernando Haddad é o fujão covarde do impeachment”.

OK, ele não se mexeu para salvar a presidente eleita por seu PT. Mas não fez isso por mal: tem dificuldades para tomar posições (tanto que até hoje precisa ir a Curitiba, visitar Lula na cadeia, para saber se deve tomar café com açúcar ou adoçante); e, mesmo quando recebe as ordens do Chefe, não é exatamente uma pessoa prática. Kátia não pode exigir que todos, como ela, queiram defender seus aliados.

Os ricos comandam

O professor Luiz Carlos Bresser Pereira, diz o site gaúcho Espaço Vital (www.espacovital.com.br), quer Abílio Diniz, ex-Pão de Açúcar, hoje Carrefour, no apoio a Haddad no segundo turno. Bresser foi ministro da Fazenda de Sarney e trabalhou com Diniz no supermercado.

A número 1

A surfista carioca Maya Gabeira acaba de entrar no Livro Guiness de Recordes: foi reconhecida pela Liga Mundial de Surfe como a mulher que surfou a maior onda já registrada na História. Maya pegou uma onda de 20m72 cm, na Praia do Norte, Nazaré, Portugal, no dia 18 de janeiro. A demora no registro se explica: o Guiness Book confirma todos os detalhes.

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3 thoughts on “O samba dos crioulos doidos. Coluna Carlos Brickmann

  1. Dessa história de grandes empresas jornalísticas serem comandadas por comunistas, nada sei. Sobre conseguirem amestrar seus comunistas, e deles obter comportamento imparcial, igualmente. Mas sei que o Datafolha costuma oferecer sempre uns pontinhos a mais a candidatos do PT. Não acredito que consiga levar para o partido um só voto antes indeciso, mas que petistas, em geral, costumam aparecer ali em melhor forma do que em outras pesquisas, isso não se discute. Em todo caso, dia 8, segunda que vem, a gente confere o que Haddad teve nas urnas. De resto, valho-me de um pensamento de minha saudosa mamãe. “Darwin estava certo: quem desconfia, procria. A história tá cheia de animaizinhos confiantes que nossa civilização nem conheceu…”

    P.S. É verdade que quase ninguém consegue enxergar o que não existe no mundo real. O problema é que há populações de jornalistas enrustidos, verdes que querem parecer cinzentos, “que não torcem pra ninguém”, mas que juram que tiveram coletivamente a mesma alucinação de escala mundial. Sugiro, pois, às grandes empresas jornalísticas, que controlem tais torcedores com a mesma competência que controlam seus comunistas. Afinal, sempre, para eles, há um “Datafolha” futebolístico que consegue tirar vai saber de onde a informação que o parmera é campeão do mundo – normalmente garantem que isso aconteceu lá pelo Séc. XVI., mais ou menos. Deve ser por isso que ninguém sabe.

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