Tragédia ou vergonha? Coluna Mário Marinho

Tragédia ou vergonha?

COLUNA MÁRIO MARINHO

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Seria muito bom se após uma rodada do campeonato – seja ele qual for – pudéssemos estar discutindo apenas questões relativas ao futebol dentro de campo, aquele que realmente interessa.

Assuntos do tipo: o time X mereceu vencer? O gol foi legítimo? A bola saiu? Houve pênalti? Afinal, foi falta ou não?

Esses são os assuntos que dão vida ao futebol: as polêmicas.

O dia que não houver polêmica após os jogos, o futebol estará com sua sobrevivência seriamente ameaçada.

Mas o duro é ter que discutir coisas extracampo.

Já se falou muito da triste tragédia que matou 10 garotos no Inferno do Urubu e muito ainda vai se falar pois nem explicações convincentes foram dadas, nem garantias de que a tragédia não voltará a acontecer.

No meio da semana, assistimos ao péssimo futebol que o São Paulo FC apresentou e que lhe valeu a desclassificação da Libertadores, e a deplorável atuação de sua torcida que depredou a estação de Metrô que fica próxima ao Morumbi.

E depredou por quê?

Simplesmente porque esses torcedores (vândalos) resolveram ficar no estádio após a vexaminosa desclassificação da Libertadores protestando contra time e sua diretoria.

Ficaram o tempo que bem entenderam e quando se dirigiram à estação do Metrô ela já estava fechada, cumprindo o seu horário de fechamento às 24 horas.

Daí, quebram tudo.

Queriam eles que o Metrô se colocasse à sua espera! Era o que faltava.

No domingo, antes do clássico Corinthians x São Paulo, no estádio do Corinthians, com torcida única, torcedores (vândalos) promoveram quebra-quebra na estação Itaquera Corinthians do Metrô.

De repente, um torcedor resolveu dar um chute num segurança do Metrô. Assim, do nada. E, quando o segurança reagiu, os parças desse vândalo partiram para cima.

Deu-se o tumulto, o quebra-quebra, o corre-corre – enfim, o alto risco de pessoas machucadas, feridas.

E, como se não bastasse, um torcedor soltou rojão em plena passarela que os torcedores usam para chegar ao estádio.

Um torcedor foi preso e com ele encontrada uma bomba de fabricação caseira. Esse indivíduo ia ao estádio para torcer?

Ele foi identificado e constatou-se que ele reincidente nesse tipo de ação.

Prestou depoimento e foi liberado.

Liberado para aprontar outras.

Mas a vergonha maior do fim de semana ocorreu no Rio de Janeiro.

Fluminense e Vasco estavam decidindo a Taça Guanabara, equivalente ao primeiro turno do Campeonato Carioca.

Jogo no Maracanã, como as grandes decisões exigem.

Mas, aí Vasco e Fluminense começaram a brigar pelo local onde sua torcida deveria ficar. Ambos queriam o lado sul do Maracanã.

Sabe aquela briguinha de seus filhinhos no carro, quando ambos querem sentar-se junto da mesma janela?

Pois foi o que aconteceu.

O Vasco se disse mandante do jogo e, portanto, tinha o direito de escolher.

O Fluminense apontou um contrato com a empresa que administra o Maracanã desde 2013 e que lhe dá o direito de ficar naquela janelinha, ops, naquele setor.

A Justiça resolveu, como você certamente faria com seus filhinhos pirracentos dentro do carro: nem um nem outro senta-se à janela: ou seja, jogo será realizado com portões fechados.

Um jogo dessa importância sem público! Só mesmo na cabecinha vazia de nossos dirigentes esportivos.

Coisa de criança que diria assim: se eu não posso, ele também não pode.

Deu-se o problema que o Vasco já havia colocado ingressos à venda, cerca de 30 mil.

De posse dos ingressos, os torcedores foram ao Maracanã.

E deu no que deu: o que sempre dá – confronto com a polícia, quebra-quebra, tumulto, gente ferida.

Um vexame.

Um novo 7 a 1.

Quo usque tandem, Catilina, abutere patientia nostra?

A frase acima foi pronunciada pelo cônsul romano Marco Túlio Cícero há mais de dois mil anos e dirigida ao senador Lucio Sergio Catilina,

Ela continua atualíssima, basta trocar o nome do senador Catilina por Cartola – claro, o mau cartola que coloca seus interesses acima do nosso futebol.

“Até quando, Cartola, Você abusará da nossa paciência”.

Até quando?

Veja os gols do fim de semana:

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FOTO SOFIA MARINHO

Mário Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
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