Verdão tá com tudo. Coluna Mário Marinho

Verdão tá com tudo

COLUNA MÁRIO MARINHO

Calma, calma palmeirense. É preciso muita calma essa hora.

Não é só porque ganhou bem o primeiro jogo da Libertadores e o desfile do carnaval de São Paulo que já da para sair dizendo que o Mundial da Fifa tá no papo.

É verdade que, num ano que começou cheio de tragédias, o Verdão vai surfando tranquilo em onda gigante nesse mar revolto.

No Paulistão, tem a segunda melhor campanha de todos, logo abaixo do Santos, mas acima do Corinthians e do São Paulo.

No Carnaval, ganhou o título pela primeira vez em 20 anos de história. Bela conquista!

Na vitória sobre o Junior Barranquilla, 2 a 0, na Colômbia, o Palmeiras foi muito bem, apesar de precisar de boas defesas do goleiro Weverton para garantir o placar.

Em minha opinião, foi o casamento perfeito de uma boa estratégia definida pelo técnico Luiz Felipe Scolari, com a vontade e determinação dos jogadores em campo.

O trio Dudu-Scarpa-Ricardo Goulart, três jogadores de inegável talento, se saiu muito bem.

O primeiro gol, marcado por Scarpa, foi uma obra prima de jogada que nasceu dos pés do eficiente Dudu.

Ricardo Goulart ainda não está mostrando todo o seu potencial.Mas, para começo, está pra lá de bom.

Na Libertadores, o próximo adversário será o peruano Melgar, pouco conhecido e de pouca experiência internacional.

Não deverá ser adversário difícil no Allianz Parque.

Mas, como se diz lá nas Minas Gerais: caldo de galinha, prudência e água benta não fazem mal a ninguém. Afinal, também se diz por lá, é porco magro que suja a água.

Veja alguns gols da quarta-feira.

Neymar:
sonho adiado.

O craque Neymar sonha em ser campeão do Mundo pelo Brasil, campeão da Champions pelo PSG e eleito melhor jogador do Mundo pela Fifa.

São sonhos que vão sendo adiados.

Disputou duas Copas Pelo Brasil e ficou no meio do caminho. Na primeira, foi atropelado por um perna de pau colombiano que quase o deixou aleijado.

Na segunda, também ficou pelo caminho, na Rússia, perdido numa seleção onde todos estavam perdidos. A começar o líder Tite, com toda a sua prosopopeia e cantilenas inúteis e cansativas.

No ano passado, ficou fora da Champions por contusão – e o seu PSG foi eliminado.

Ontem, o filme se repetiu. Ao vencer o primeiro jogo por 2 a 0, na Inglaterra, parecia que a fatura estava liquidada para o jogo de volta na França.
Mas, o que se viu não foi isso.

Buffon, já eleito o melhor goleiro do mundo, bateu roupa como um principiante dos campos de terra da nossa várzea e levou o gol.

Mbappé, revelação da Copa do Mundo da Rússia, perdeu gol que lembrou o velho Geraldão naqueles anos tristes e negros do Corinthians.

Daí, deu no que deu: o Manchester fez 3 a 1 e alcançou a classificação que parecia impossível.

Outra vez o Paris Saint Germain parou nas oitavas.

E não adianta Neymar ficar indignado com o juiz.

Se Buffon não tivesse falhado…

Se Mbappé não tivesse perdido aquele gol…

Ah!, se o “se” não tivesse atrapalhado, o francês não estaria agora fazendo beicinho e murmurando: “Je n’y crois pas, mon Dieu!

Que quer dizer, para quem não consulta o Google, “Eu não acredito, meu Deus!

Veja os gols:

Dia
das Mulheres

Dia da Mulher é todo dia. Mas é justo que haja um dia em especial.

E esse dia será amanhã.

Daí, boa pauta do Globo Esporte com o título #lugardemulher.

A matéria, que teve seu primeiro episódio hoje, quinta-feira, e termina amanhã, discute a presença da mulher no campo de futebol.

Elas vão conquistando seu espaço em todo o mundo com jeito e merecimento que só elas têm.

Daí eu me lembro de um episódio ocorrido há 50 anos.

Era um clássico no Pacaembu, época que pouquíssimas mulheres ousavam atravessar a fronteira machista de um campo de futebol.

Na Editoria de Esportes do Jornal da Tarde não havia uma repórter sequer. Éramos todos machos!

Então a editoria de esportes pediu “emprestado” uma repórter da Editoria Geral para comparecer ao Pacaembu.

Sua pauta: um clássico na visão de uma mulher.

Como ela nunca tinha ido ao campo de futebol, lá fui eu ao seu lado para lhe indicar onde ficava a Tribuna de Imprensa.

Não é que lá chegando, o porteiro, um amável velhinho, não permitiu que ela entrasse!

Por mais que eu tentasse, pedisse, argumentasse ele permaneceu irredutível.

Seu argumento: como a tribuna ficava no meio do setor das cadeiras numeradas, se o torcedor visse uma mulher ali, com certeza iria achar que o jornalista ao invés de trabalhar, estava namorando.

Ele pensava que estava protegendo a reputação dos repórteres…

Anos jurássicos.

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FOTO SOFIA MARINHO

Mário Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
 NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

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