Mais futebol, menos enrolação. Coluna Mário Marinho

Mais futebol, menos enrolação.

COLUNA MÁRIO MARINHO

Imagem relacionadaNão é sempre que acontece, mas, às vezes a Fifa dá uma dentro.

Há quem brigue para que as regras do futebol sejam sempre atualizadas. Há quem brigue para que as regras não sejam modificadas.

Os “inovadores” defendem as mudanças para que o futebol se modernize sempre; os “conservadores” acreditam que a simplicidade das regras e sua continuação são a razão direta de o futebol ser o esporte mais popular do mundo.

No meio disso, está a Fifa.

E dentro da Fifa, a International Football Association Board (IFAB) que é o órgão que regulamenta as regras do futebol.

A Ifab foi fundada nos primórdios do futebol, em 1883, num encontro na cidade de Manchester, Inglaterra, com representantes da própria Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda (que na época era uma só, hoje o representante é da Irlanda do Norte).

Em 1958, com o crescimento do futebol e a importância da Fifa, ficou decidido que o sistema de votação na Ifab contaria com seis votos: as quatro Federações fundadoras e mais dois representantes da Fifa.

E mais: uma decisão só seria aprovada se contasse com pelo menos quatro dos seis votos. Assim, até hoje, qualquer modificação em uma regra do futebol proposta pela Fifa, terá que receber o sim de pelo menos dois dos países do Reino Unido.

As primeiras regras datam de 1863 e eram 13 e não 17 como hoje.

Tratavam das dimensões do campo (que poderia ter até 180 metros de comprimento por 100 metros de largura (hoje, as medidas máximas são de 120 metros por 90).

Em 1891 foi introduzido o pênalti.

Um jogador estaria impedido se não tivesse pela frente pelo menos três adversários, regra que durou até 1925 quando esse número caiu para dois.

Ao longo da história, algumas regras se mantiveram, mas receberam interpretações diferentes. No impedimento, por exemplo, um jogador pode estar em posição de impedimento, mas a jogada não será paralisada se ele dela não participar.

A partir do mês de junho, algumas regras serão mudadas.

SÁLVIO SPINOLA – OPINIÃO ABALIZADA

Perguntei ao ex-juiz de futebol Sálvio Spinola o que ele achou das modificações. Sua resposta foi rápida como eram suas decisões dentro de campo.

– São ótimas porque visam: 1 – Aumentar o tempo de bola rolando; 2 – Melhorar a disciplina em campo.

A primeira regra a ser modificada é a seguinte: na cobrança de pênalti, o goleiro, hoje, é obrigado a ficar com os dois pés em cima da linha de gol.

Após essas modificações que passarão a valer a partir de junho/julho, ele será obrigado a ficar com apenas um pé em cima da linha. O outro, poderá ficar antes ou depois da linha. Não modifica muito a situação de hoje.

Pedi ao Sálvio Spinola que comentasse as outras seis modificações. Veja:

Mão na bola – Quando ocorrer um gol em que a bola bateu na mão de um jogador antes de entrar (fora o goleiro, claro) o gol será anulado mesmo que o toque for involuntário.

Sálvio Spinola – Regra vai diferenciar defensor de atacante, não querem “gol de mão legal”, bola bater acidentalmente na mão do atacante e entrar no gol, anula, e o mesmo lance no defensor não é pênalti.

Bola ao chão – Não haverá mais disputa. A bola será entregue ao jogador que a tocou pela última vez antes da paralisação da partida.

Sálvio – É o Fair Play oficial. Não depende mais do jogador, a regra determina a devolução da bola.

Substituições – O jogador substituído poderá deixar o campo na linha que estiver mais próximo dele, seja lateral ou de fundo.

Sálvio – Árbitros já praticam isso, mas não havia a regra que, agora passa a ser: sair pela linha mais próxima. Como os ingleses que mandam nas regras (IFAB, Reino Unido), isso é fácil lá, mas no futebol sulamericano é difícil isso. Imagina o jogador visitante ter que sair de campo dando a volta no campo e passando pela torcida adversária.

Adversário na barreira – Nas cobranças de falta, o jogador do time que cobrará a falta terá que ficar pelo menos um metro de distância da barreira.

Sálvio – Isso irá reduzir o tempo perdido nas cobranças de faltas

Tiro de meta – Poderá ser cobrado dentro da área; o mesmo vale para tiros livres: a bola entra em jogo assim que for tocada.

Sálvio – A modificação visa agilizar mais o jogo

Cartões Amarelos para a Comissão Técnica – Todos os membros do banco de reserva poderão ser advertidos com o cartão amarelo ou vermelho.

Sálvio – Isso evita que o árbitro perca tempo indo ao banco de reservas para bronca nos técnicos que, geralmente, são muito teimosos. Vale para todos que estiverem no banco.

O balanço, portanto, é positivo no entender de quem entende do assunto.

Essas são as sete principais alterações que passarão a vigorar a partir de julho. Aqui no Brasil, a CBF promete que elas entrarão em vigor no dia 8 de julho.

Veja os gols do fim de semana.

Veja também o golaço de Carlos Eduardo em Palmeiras 1 x 0 São Paulo.

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FOTO SOFIA MARINHO

Mário Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
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