Um governo autofágico. Por Edmilson Siqueira

Um governo autofágico

Edmilson Siqueira

…Já vimos reportagens sobre isolamento de Paulo Guedes e Sérgio Moro, os dois mais importantes ministros do governo. Já vimos o general vice-presidente sendo ponderado e entendendo o Brasil mais que Bolsonaro. E, pior, já vimos os generais, que formam uma espécie de núcleo garantidor do governo, chamando a atenção do presidente, tentando alertá-lo de que a campanha já acabou e que o Brasil não cabe no WhatsApp. …

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Eu combato a esquerda há muito tempo. E a corrupção desde sempre. Mas repudio – sempre repudiei – qualquer tipo de ditadura. E não há diferença entre elas, a ditadura de direita ou a de esquerda são a mesma porcaria. Acabam com o país e instalam o autoritarismo. Foi assim em Cuba, é assim na Venezuela e quase assim no Brasil: depois da ditadura militar, a inflação só foi domesticada com o Plano Real, dez anos depois, e a um custo altíssimo para o povo.

Votei em Bolsonaro no segundo turno (no primeiro em João Amoêdo, do Novo), mas isso não quer dizer que vou apoiá-lo cegamente. Ainda mais com a confusão instalada na maioria dos ministérios, com a ausência de articulação política (articulação com conversa e convencimento, não troca de favores) e com um presidente que parece dar mais importância a textos curtos e provocativos nas redes sociais do que em lutar pelas mudanças de que o país tanto precisa.

Resultado de imagem para autofagic… estamos diante de um governo autofágico que corre o risco de, pela primeira vez  na nossa História, ser destruído por seus próprios membros.

 

 

Já vimos reportagens sobre isolamento de Paulo Guedes e Sérgio Moro, os dois mais importantes ministros do governo. Já vimos o general vice-presidente sendo ponderado e entendendo o Brasil mais que Bolsonaro. E, pior, já vimos os generais, que formam uma espécie de núcleo garantidor do governo, chamando a atenção do presidente, tentando alertá-lo de que a campanha já acabou e que o Brasil não cabe no WhatsApp.

Todo mundo sabe que sem a reforma da Previdência o Brasil quebra e que, sem as medidas do Moro aprovadas, o crime organizado – do tráfico de drogas e armas ao tráfico de orçamentos públicos praticado por políticos – vai continuar. E, muito pior, corremos o risco de ver todo o trabalho da Lava Jato indo pro ralo da história e os Lulas e Cunhas saírem de mãos dadas das prisões e irem brincar de afundar o país com um golpe socialista com o inimputável José Dirceu.

Todo mundo sabe disso, inclusive os governantes atuais, mas parece que é mais importante atacar a Rede Globo, dar entrevistas só para canais com audiências medíocres, atacar toda e qualquer “mídia” (herança petista, né?) que ouse criticar um governo que começa tropeçando nas próprias pernas, engolindo as próprias promessas, demitindo ledos enganos nomeados sem a devida cautela, fazendo propaganda do golpe de 64 sem admitir que fez, obedecendo ordens de um ex-astrólogo que se intitula filósofo e que nem vive no Brasil, tendo ministros que acreditam em lendas urbanas, enfim, um governo imune a qualquer crítica, como se vê.

O Brasil precisa mudar, claro. A maioria do povo brasileiro quer que o país mude. Bolsonaro foi eleito com promessas de mudanças. Mas parece que, na prática, a teoria é bem outra. O presidente revela uma incapacidade de governar que salta aos olhos. Sobrevive nas redes sociais com textos de seus seguidores (muitas vezes atribuídos falsamente a bons e famosos jornalistas numa busca desesperada de audiência, jornalistas, aliás, que são bons e famosos justamente por não escrever bobagens como aquelas que lhes atribuem), mas pode não resistir muito tempo. Afinal, todas as crises vividas nesses três primeiros meses de governo não tiveram um dedo sequer da oposição: o próprio governo as criou e nelas se enrolou.

Infelizmente, parece que estamos diante de um governo autofágico que corre o risco de, pela primeira vez  na nossa História, ser destruído por seus próprios membros.

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– Edmilson Siqueira – jornalista

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