Violência Oculta. Cripto-violência. Por Meraldo Zisman

[ Violência – VIII / X]


Violência Oculta
CRIPTO-VIOLÊNCIA 

MERALDO ZISMAN

* explico o motivo de se denominar o suicídio de cripto-violência,: em grego antigo (kryptós) quer dizer escondido secreto: criptojudeu, criptografia…

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O suicídio é um dos mais devastadores e desconcertantes de todos os comportamentos humanos e passou a ser enquadrado pela Organização Mundial de Saúde como um tipo de violência (vide artigo VII, anterior, VIOLÊNCIA AUTO PROVOCADA).

* o Ministério da Saúde do Brasil recomendou a inclusão das categorias da CID-10: automutilação intencional (X60-X84), intoxicação por drogas de intenção indeterminada (Y10-Y19) e sequelas de automutilação intencional (Y87.0), entre as mortes por suicídio visando reduzir erros de classificação.

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Enquanto a taxa de mortalidade de muitas das principais causas de morte (por exemplo, tuberculose, pneumonia, gripe e outras doenças infectocontagiosas), tenha declinado no último século, os suicídios aumentaram ou se estabilizaram nos últimos 100 anos.

Isso não é muito divulgado por ser assunto que envergonha, além de que a maioria das famílias se auto acusam por terem falhado em relação ao suicida, culpando ainda a maior frequência de auto violências do mesmo tipo entre os demais membros da família.

Talvez a taxa seja subnotificada para não acanhar a família do suicida. O suicídio é, sem dúvida, uma grande preocupação global da Saúde Pública. É responsável por mais de 800.000 mortes a cada ano, sendo a segunda principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos de idade. Um total de 78% dos suicídios ocorre em países de baixa ou média renda. No Brasil, o suicídio também está entre as principais causas de morte entre os jovens, ocupando o quarto lugar entre as pessoas dos 15 a 29 anos.

O suicídio é a terceira principal causa de morte entre os homens (9 por 100.000 pessoas a cada ano) e a oitava causa principal entre as mulheres (2,4 por 100.000 pessoas a cada ano). Conferir (20/4/2019) http://portal.jornaldocomercio.com.br/_conteudo/2017/09/geral/586705-suicidio-e-a-quarta-principal-causa-de-morte-entre-jovens-brasileiros-mostra-estudo.html

A identificação de fatores de risco de suicídio e de subpopulações com risco aumentado de suicídio é crucial para o desenvolvimento de estratégias preventivas no que hoje é denominado de ‘medicina baseada em evidências’.

Determinados tipos de violência não atingem o grande público por falta de informação ou passam longe das grandes empresas noticiosas que se autocensuram para evitar que a grande divulgação dos casos de suicídio possa aumentar a contagiosidade dessa violência.

Essa contagiosidade é também denominada de “Efeito Werther” que identifica um pico de emulações de suicídios depois de suicídios amplamente divulgados. O nome se deve ao romance Os Sofrimentos do Jovem Werther(1774) do alemão  Johann Wolfgang von Goethe(1749-1832), onde se argumenta que o suicídio copiado tem conexão com outro suicídio, seja devido à tradição, a conhecimentos locais ou a representações do suicídio original em diferentes meios de comunicação, como (hoje) cinema, televisão, livros, jornais e agora a internet. Para maiores detalhes conferir no site: https://homoliteratus.com/maldicao-goethiana-jovem-werther-suicidio-na-literatura/

Os homens morrem muito mais frequentemente por meio de suicídio do que as mulheres, embora as mulheres tentem o suicídio com mais frequência. Alguns médicos acreditam que isso decorre do fato de serem os homens mais propensos a acabar com suas vidas através de meios eficazes de violência, enquanto as mulheres usam métodos mais lentos, como o consumo excessivo de medicamentos. As maiores taxas de suicídio entre homens foram encontradas entre os adolescentes 15 a 19 anos de idade. As taxas para as mulheres foram relacionadas a indicadores econômicos mais baixos, como alta taxa de desemprego, sendo que as mulheres são mais propensas ao suicídio devido a agravos sexuais. O Brasil é um país continental e as diferenças entre nossas regiões geográficas são enormes.

Muito embora a taxa de suicídio entre as jovens esteja aumentando, carecemos de estudos mais abrangentes. Devemos nos acautelar, pois, como há poucos dados disponíveis sobre os vários fatores que levam ao suicídio, a relação entre os indicadores socioeconômicos e as taxas de suicídio não pode ser inferida como cau sal. Como estamos atravessando uma época de transição, novo governo, desemprego para muitos, aconselho cautela e maiores cuidados para não haver ilações nem influência de natureza ideológica, incompatíveis com a Ciência.

Observação:

A automutilação pode não ser sempre uma tentativa de suicídio; no entanto, tempos atrás as lesões autoprovocadas eram erroneamente classificadas como tentativas de suicídio*. Existe uma correlação não causal entre a automutilação e o suicídio: ambos são comumente consequências de depressão. A população do Brasil apresenta-se como a de maior taxa de ansiedade no mundo.

*o contrário ao que afirma a CID-10.

ACOMPANHE A SÉRIE “VIOLÊNCIA”, DO AUTOR; SERÃO DEZ ARTIGOS. VEJA OS QUE JÁ SAÍRAM:

artigo I Medicina e Política. Por Meraldo Zisman

artigo IIA Epidemiologia algorítmica na prevenção da violência. Por Meraldo Zisman

artigo IIICélulas espelhos. Por Meraldo Zisman

artigo IVViolência Interpessoal. Por Meraldo Zisman

artigo V – O Medo Ancestral. Por Meraldo Zisman

artigo VIViolência e Drogas. Por Meraldo Zisman

artigo VII Apreciações gerais e tipologia da violência. Por Meraldo Zisman



Meraldo Zisman Médico, psicoterapeuta. É um dos primeiros neonatologistas brasileiros. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Vive no Recife (PE).

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