Em busca do carisma perdido. Coluna Mário Marinho

EM BUSCA DO CARISMA PERDIDO

COLUNA MÁRIO MARINHO

Segunda-feira é dia de acionar o DataPadoca para medir a quantas anda o humor esportivo do brasileiro. Humor que anda azedo em setores mais importantes como a Economia e a Política.

De cara uma constatação: nosso futebol pode estar meio fraco, meio mambembe, mas ainda atrai o torcedor. Digo isso porque ouço de alguns: o domingo sem jogo do brasileirão não tem a menor graça.

E se não há futebol no domingo, a discussões, civilizadas ou nem tanto, tornam-se raras nos balcões das padarias, entre o pingado e o pão com manteiga.

A Copa América não emplacou e pode ser que venha a emplacar.

Alguns comentam a vitória do Uruguai sobre o Equador, mas, sem conferir grandes méritos ou heroísmos nos 4 a 0.

A vitória do Uruguai era pedra cantada e a expulsão de um jogador equatoriano facilitou a já não muito difícil missão do Uruguai. Os 4 a 0 poderiam ate ser mais retumbantes.

O Brasil se classifica para as oitavas?

A população crava: classifica-se amanhã contra a Venezuela, tradicional freguês daqueles do tempo da caderneta.

Mas, se Salvador deverá ter casa cheia, o baiano adora uma festa, a audiência de televisão não deverá ser muito grande: o horário e a falta de carisma de nossa seleção afastam a apaixonite própria do brasileiro pelo futebol e pela Seleção.

Todo bom time de futebol tem que ter pelo menos um jogador que desequilibra, que mete medo no adversário.

Falta essa fera à nossa Seleção.

Atualmente, somente Neymar é capaz de impor respeito e medo aos adversários.

Mas, tanto faz e apronta o Neymar que seu filme anda meio queimado com o torcedor.

Dentro de campo, ele é um craque indiscutível, embora em dados momentos exagere na posse da bola, um fominha, e nos tombos espetaculares que encena – e encena mal, como um ator canastrão de comédias baratas.

Não se sabe, ainda, se Tite vai escalar o jovem Everton, de Manacanaú, no Ceará, onde nasceu em 22 de março de 1996.

Tem apenas 23 anos, mas já caiu no gosto da torcida: é um bom driblador, parte pra cima do adversário e, salvo imprevistos do destino, está pintando como o jogador que mete medo no adversário, que exige respeito e marcação especial.

O time brasileiro, como já disse aqui outras vezes, é bom. Mas ser apenas bom não é o suficiente para o brasileiro, apaixonado e exigente torcedor.

Os jogadores da nossa Seleção jogam, quase todos, fora do Brasil. Isso dificulta a identificação com o torcedor, diminui o carisma.

E os treinos fechados que Tite gosta de comandar, em nada contribui para a maior aproximação.

Aliás, o empolado discurso que Tite usa nas coletivas, mais parecendo um pregador, também ajuda nesse mau caminho.

Los hermanos,
que peninha!

Não gosto de torcer contra ninguém: prefiro gastar minha paciência e meu entusiasmo a favor.

Mas, não dá para evitar um sorrisinho de satisfação com a derrota da Argentina, 2 a 0, para a Colômbia.

Cavalo
paraguaio

Você certamente já ouviu a expressão cavalo paraguaio designando uma situação em que um time sai na frente e, depois, vai perdendo a força.

A expressão cai com justiça e justeza na Seleção do Paraguai que abriu 2 a 0 em cima de atônitos e esforçados jogadores do Catar e depois foi caindo, caindo até levar o empate.

Se o jogo não acaba logo o Catar poderia ter vencido.

Goleada
do Uruguai

Que o Uruguai iria vencer o Equador, eram favas contadas, como se diz lá no interior das Minas Gerais.

Não era nem preciso a expulsão de um jogador do Equador, mas, já que veio, facilitou.

Mesmo nos 20 minutos em que o jogo teve onze contra onze jogadores em campo, o Uruguai sobrou. Com toda certeza, será o primeiro colocado de seu Grupo.

Ah!,
essas meninas

As meninas, que disputam a Copa do Mundo de futebol feminino, deram uma de cavalo paraguaio: abriram 2 a 0 contra a Austrália e acabaram levando a virada: 3 a 2.

Amanhã, jogam sua classificação para a oitavas de final contra a Itália.

É jogo duro, mas, queira Deus, que a cracaça Marta e a artilheira Cristiane estejam num bom dia.

Veja os gols do Fantástico e a Fantástica Marta.

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FOTO SOFIA MARINHO

Mário Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
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