Sexo Feminino e Suicídio – II. Por Meraldo Zisman

Violência


SEXO FEMININO E SUICÍDIO II

MERALDO ZISMAN

Ninguém poderá negar que atentar contra a própria vida passou a ser um tópico dos mais importante na atualidade. O que se faz mais presente é que tal acontecimento esteja crescendo entre as meninas e as jovens. Não obstante, o predomínio de atentar contra a própria vida permanece entre as pessoas do sexo masculino…

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Frequentemente me pergunto a causa da crescente onda de suicídios de crianças e adolescentes do sexo feminino.

O suicídio é sempre uma tragédia, seja qual for a ocasião sócio-histórica em que ocorra, mormente quando a vítima é jovem.  As causas de sua ocorrência permanecem sendo de contínua complexidade, apesar de todos os avanços técnico-científicos da Humanidade.

O vocábulo suicídio vem do latim sui (=”a si”) + cida (=que mata). Suicidar, portanto, significa “matar a si mesmo”. O verbo “suicidar-se”, a princípio, não necessitaria de um pronome reflexivo. Apesar de redundante, o pronome já está consagrado pelo uso. Em alguns idiomas, como o inglês, o verbo suicidar (-se) não existe: uma pessoa commits suicide, ou seja, comete suicídio. Moralmente errado, mas etimologicamente correto.

Ninguém poderá negar que atentar contra a própria vida passou a ser um tópico dos mais importante na atualidade. O que se faz mais presente é que tal acontecimento esteja crescendo entre as meninas e as jovens.

Não obstante, o predomínio de atentar contra a própria vida permanece entre as pessoas do sexo masculino.

Estatísticas recentes apontam um aumento proporcional maior do suicídio entre pessoas do sexo feminino, sobretudo no intervalo temporal dos 10 aos 19 anos de idade, estreitando cada vez a diferença dessa ocorrência entre os dois sexos.  Há ou havia um proporção de 3 suicídios masculinos para 1 feminino.

No ano de 2015 o número de mortes por suicídio de meninas foi notícia de primeira página nos principais periódicos ingleses.

Vale lembrar que a OMS (Organização Mundial da Saúde, publicou, no ano de 2014, que houve um acréscimo significativo na incidência de morte/tentativa de autoagressão entre as meninas e jovens.

Shlomo Ibn Gabirol (1021-1058), filósofo ibérico conhecido por Avicena, dizia: “As perguntas formuladas por um prudente trazem metade das respostas dentro delas”. Mesmo sem me considerar homem prudente, peço vênia para formular algumas indagações.

*Por que o suicídio é o principal matador de meninas adolescentes, sobretudo das mais velhas?

*Qual a causa de as maiores taxas de suicídio serem encontradas em países ou regiões de média ou baixa renda?

*Seria de bom alvitre entender melhor a relação entre o suicídio de adolescentes e sua vida sexual, no contexto das diferenças culturais, além das sociais e costumes religiosos?

*Qual a relação entre o maior índice de atentados contra a própria vida entre essas jovens, principalmente das situadas no intervalo etário dos 15 aos 19 anos, e as alterações psicológicas decorrentes do início de sua vida sexual, agregadas às criadas pelo controle reprodutivo?

* Do que adianta intuir com as descobertas da neurociência que na adolescência os agravos psicossociais são mais intensamente doídos e sofridos? Porque o cérebro está em formação?

*Será que o temor e o despreparo em lidar com uma gestação ou com um aborto podem afetar o equilíbrio emocional da jovem e aumentar o risco de suicídio?

*Não seria pertinente lembrar que 11% de todos os nascimentos em todo o mundo estão entre jovens dos 15 aos 19 anos, em sua maioria resultantes de gestações não programadas?

*Por que, apesar de tanta liberação dos costumes, sobretudo nos países mais desenvolvidos do Ocidente, e de estarmos em plena era da cibernética, o suicídio permanece entre os assuntos interditos?

Para não cansar o leitor com mais perguntas, paro por aqui, destacando que na década de 1980 afirmava-se nos EUA que essas mortes poderiam ocorrer por imitação, reforçando a ideia de que não se deveria falar sobre suicídio. Mas, 30 anos depois, a Organização Mundial da Saúde veio na direção contrária, dizendo que, sim, precisamos conversar sobre o assunto.

Segundo afirma o Office for National Statistics, as taxas de suicídio no Reino Unido durante os anos de 2014 a 2016 estaria conexa a ocorrências de natimortos resultantes de gestações precoces. Outras fontes de organizações que estudam a gravidez na adolescência também revelam que muitos desses óbitos na adolescência são decorrentes de uma gravidez precoce… e por aí vai.

Lembro que o Brasil é o 8º país com mais suicídios no mundo, sendo que a Índia encabeça a lista, segundo agência das Nações Unidas.

O problema é mais grave do que se noticia. Alguma coisa deve estar errada no nosso Brasil…

                              Voltarei ao tema no próximo artigo.

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SOBRE ESSE TEMA ESPECÍFICO, NÃO DEIXE DE LER:

- Sexo feminino e Suicídio - I. Por Meraldo Zisman

Veja os outros artigos onde o autor versa sobre “VIOLÊNCIA”:

artigo I Medicina e Política. Por Meraldo Zisman

artigo IIA Epidemiologia algorítmica na prevenção da violência. Por Meraldo Zisman

artigo IIICélulas espelhos. Por Meraldo Zisman

artigo IVViolência Interpessoal. Por Meraldo Zisman

artigo V – O Medo Ancestral. Por Meraldo Zisman

artigo VIViolência e Drogas. Por Meraldo Zisman

artigo VII Apreciações gerais e tipologia da violência. Por Meraldo Zisman

artigo VIIIViolência Oculta. Cripto-violência. Por Meraldo Zisman

artigo XIXGravidez na Adolescência. Por Meraldo Zisman

artigo XSíndrome da criança espancada. Por Meraldo Zisman


Meraldo Zisman Médico, psicoterapeuta. É um dos primeiros neonatologistas brasileiros. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Vive no Recife (PE).

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