Brazil's goalkeeper Alisson stops the shot by Paraguay's Gustavo Gomez in the penalty shoot-out after tying 0-0 during their Copa America football tournament quarter-final match at the Gremio Arena in Porto Alegre, Brazil, on June 27, 2019. (Photo by Luis ACOSTA / AFP)

É preciso sofrer tanto? Coluna Mário Marinho

É PRECISO SOFRER TANTO?

COLUNA MÁRIO MARINHO

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O lado positivo do sofrimento do torcedor brasileiro no jogo contra o Paraguai é que estamos classificados.

A duras penas. A trancos e barrancos. Com botinadas e caneladas, lá estamos nós.

Sou do tempo em que o Paraguai era favas contadas. Na América do Sul, só temíamos a Argentina e respeitávamos o Uruguai por sua garra histórica.

Os outros, com todo respeito, eram fregueses.

Hoje, o Paraguai nos assusta.

Mas, a estatística prova que ainda estamos bem à frente: já disputamos 73 jogos, com 46 vitórias, 17 empates, 10 derrotas.

Esses números foram acumulados mais por um passado brilhante do que o opaco presente. Para se ter uma ideia, desde 2009 o Brasil não venceu o Paraguai. Em 2009, em jogo no Recife, válido pelas Eliminatórias da Copa de 2010, vencemos por 2 a 1.

E lá para cá, foram cinco jogos, cinco empates.

Será que o Paraguai se agigantou ou nós nos apequenamos?

Tomando como base a Seleção paraguaia de ontem, verificamos que não passa de um time meia boca.

Passado o jogo, eu pergunto: à exceção do goleiro Gatito, qual o grande jogador do Paraguai?

Aposto que você respondeu: nenhum.

Então, só nos resta a outra alternativa: já não somos tão grandes.

Eu tenho defendido aqui que a Seleção Brasileira, sem o Neymar, é um bom time – e apenas um bom time.

Para o bem ou para o mal, Neymar faz falta.

Defendi também que o atacante Everton é o único jogador que desequilibra, que pode meter medo ao adversário.

Pois ontem, o primeiro ataque perigoso do Brasil se deu exatamente quando Everton passou por dois marcadores e foi até o limite da linha de fundo e cruzou para trás. A jogada deu em nada, mas foi perigosa.

De resto, estamos cheio de jogadores bons, ou bonzinhos.

Philippe Coutinho é um bom jogador. Firmino, idem.

Gabriel Jesus que um dia eu apontei aqui como com craque que despontava, também parece que se estacionou no degrau dos bons jogadores e se acomodou.

Talvez seja esta a palavra certa: acomodado. O Brasil tem jogadores acomodados.

E o profissional que está acomodado, não quer se arriscar.

Aí está: quantos chutes o Brasil deu ontem de fora da área? Um, dois… três no máximo.

O jogador tem medo de errar. E quem tem medo de errar não cria, não se arrisca.

Por isso, ficamos no 0 a 0.

O Paraguai teve medo. E o Brasil também.

Nos
Pênaltis.

Sempre digo e repito: decisão de pênaltis não é loteria.

Vence aquele time que tem jogadores mais bem preparados para a decisão, que estão com a cabeça boa.

As cobranças brasileiras seguiram os manuais: bater forte, firme, rasteiro, no canto.

O único que chutou para o alto foi Firmino. Para o alto e para fora.

Esse é o tipo de erro inadmissível: chutar para fora.

O goleiro defender, tudo bem. Ele está lá para tentar isso. E se defendeu é porque a bola tinha endereço certo.

Agora, errar o gol daquela distância… não, não dá.

Aliás, bola alta no pênalti é um perigo.

Pênalti cobrado à meia altura é o sonho do goleiro, é o mais fácil de o goleiro pegar.

Já cobrado no alto, é impossível de pegar, porém mais fácil de errar.

O técnico Gentil Cardoso, que fez histórias com suas frases sobre futebol, dizia que o pênalti tem que ser cobrado rasteiro. E explicava:

– Se o pênalti for cobrado alto, pode dar aparecer um pé de vento e levar a bola embora. Agora, se cobrado rasteiro, pode ventar do jeito que for que a bola não vai entrar pela terra…

Lição de um sábio treinador.

Veja os melhores lances:

E o
gramado, hein?

 

Resultado de imagem para gramado, FUTEBOL
Como é que pode um time grande com a história bonita do Grêmio apresentar um gramado nessas condições para uma competição tão importante como a Copa América?

Um absurdo.

E estamos apenas no meio da temporada. Com estará o gramado no final do ano?

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FOTO SOFIA MARINHO

Mário Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
 NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

1 thought on “É preciso sofrer tanto? Coluna Mário Marinho

  1. Prezado Mário, concordo com a sua reflexão sobre o desempenho de aclamados jogadores de bola do Brasil — mas não apenas eles. Talvez o amigo tenha recebido e-mails discordantes, no entanto duvido que tenham partido de computadores de velhos aficionados do futebol como nós. Brasil 0 x Paraguai 0, dias atrás, foi apenas mais um momento de confirmação das razões do nosso crescente saudosismo. Grande abraço.

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