Um circo criminoso. Por Edmilson Siqueira

UM CIRCO CRIMINOSO

EDMILSON SIQUEIRA

…o Brasil vai caminhando, como gado em direção ao matadouro, enquanto as classes dos três poderes (um servidor público do Judiciário berrou dia desses que ele não aguenta mais fazer o sacrifício de viver com a merreca de 24 mil reais líquidos mensais e exige aumento) continuam com seus salários nababescos, tirando um sarro com a cara do resto do povo.

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A queda de braço pela volta da CPMF acabou custando a cabeça do diretor da Receita Federal, Marcos Cintra. E provocou um pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro de que o imposto sobre transações não volta, bem como não haverá nenhum aumento da carga tributária que o cidadão brasileiro carrega nas costas, com muito sacrifício, diga-se.

O enfrentamento no Congresso pelas reformas continua rendendo fartas notícias diárias. A da Previdência caminha hesitante: depois de passar na primeira comissão do Senado fala-se que perdeu valores; que há mudanças que a farão voltar para a Câmara; que a tal da PEC paralela está encontrando resistências… enfim, a coisa que era pra ser resolvida ali por volta de agosto, adentra setembro como se adentrasse num túnel, cuja luz do fim parece estar a anos-luz.

A reforma tributária, então, nem se fale. Com ânimo, pelo menos do governo, de ser aprovada ainda este ano, já recebeu claros sinais de que a atual balbúrdia arrecadadora entrará solerte em 2020. Lá por março, quando começa o ano no Congresso, talvez, se a reforma da Previdência e a PEC paralela já tiverem sido sancionadas pelo Planalto, será criada uma comissão especial para analisar a papelada. Sairá dessa comissão, depois de uns dois meses, com umas 479 emendas, que a desfigurarão totalmente, fazendo tudo voltar como antes, ou seja, reformando a reforma para que reforma não se faça. Aí a papelada vai para Comissão de Constituição de Justiça, que ficará por mais uns dois meses servindo de palanque para os senhores deputados e, depois de umas 347 emendas, ela vai para o plenário. Ali, o presidente da Câmara, interessadíssimo no tema, diz que não terá tempo de colocar em votação ainda no primeiro semestre, pois já estaremos em junho. E, no segundo semestre, como haverá eleições municipais, o Congresso estará desmobilizado, sendo impossível juntar o quórum necessário para a rejeição das 768 emendas e a aprovação do projeto como saiu do Executivo.

Esse circo assassino chamado Brasil tem jeito, claro, mas não será com políticos incompetentes, com inúteis lutas ideológicas, com uma esquerda que só sabe gastar dinheiro público e com uma direita que apoia qualquer absurdo que seus líderes digam ou façam, que sairemos do enorme picadeiro em que os últimos governos nos jogaram. 

Entraremos, então, em 2021, como novas forças políticas eleitas por aí, com candidatos a presidente em 2002 glorificados ou massacrados, com deputados que viraram prefeitos e com um plenário modificado em uns 10 ou 15 por cento, o que exigirá novas consultas, novas negociações e, quem sabe, o projeto estará pronto pra ser votado pouco antes das férias de meio de ano dos parlamentares.

Enquanto isso, a Bolsa de Valores vive das subidas e descidas dos humores nacionais e internacionais. O governo anuncia que vai privatizar algumas empresas e a Bolsa sobe, investidores esfregam as mãos, as ações se elevam. Dia seguinte, um juiz de Rondônia dá uma liminar para um sindicato de Carapicuíba e adia, por meses ou anos (até o caso chegar ao Supremo) a privatização que fez subir 0,8% o pregão do dia anterior e que, no dia seguinte, cai 2,3%…

Já aqueles investidores cujos capitais vagam pelo mundo em busca de bons portos para atracar, passam babando pelas costas do Brasil, percebem um país com um potencial imenso para crescer de forma segura e gerar bons lucros para as aplicações, mas não conseguem lançar âncora por aqui, já que a política e a economia são águas turbulentas demais que não oferecem a menor segurança de que o céu de brigadeiro de hoje não se transformará amanhã num furacão com epicentro em Brasília.

Assim, perdendo tempos e vidas (sim, há gente morrendo por aí nos hospitais sem recursos, nas estradas esburacadas, na falta de recursos para a segurança) o Brasil vai caminhando, como gado em direção ao matadouro, enquanto as classes dos três poderes (um servidor público do Judiciário berrou dia desses que ele não aguenta mais fazer o sacrifício de viver com a merreca de 24 mil reais líquidos mensais e exige aumento) continuam com seus salários nababescos, tirando um sarro com a cara do resto do povo.

Esse circo assassino chamado Brasil tem jeito, claro, mas não será com políticos incompetentes, com inúteis lutas ideológicas, com uma esquerda que só sabe gastar dinheiro público e com uma direita que apoia qualquer absurdo que seus líderes digam ou façam, que sairemos do enorme picadeiro em que os últimos governos nos jogaram.

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Edmilson Siqueira–  é jornalista

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