À espera da luz no fim do túnel. Por Edmilson Siqueira

À ESPERA DA LUZ NO FIM DO TÚNEL

EDMILSON SIQUEIRA

…quando esse artigo estava sendo escrito, ainda ressoava a inacreditável ideia do guru Olavo de Carvalho de criar uma lista com os bolsonaristas-raiz, com CPF, RG e e-mail, talvez para que recebam aulas particulares de como defender o indefensável, de como distribuir fake news com eficiência (poderiam aprender com a esquerda que é boa nisso) e, quem sabe, ter um horóscopo personalizado por um precinho bem camarada…

As últimas atitudes de políticos e outros que apoiam cegamente Jair Bolsonaro começam a causar sérias preocupações naquele eleitor que, ao mesmo tempo em que quer ver um Brasil se desenvolvendo de modo sustentável, também viu na eleição uma ótima chance de se livrar do mal maior, ou seja, do PT.

A existência de um acordão que, se não está provada está cheia de fortes indícios, entre Bolsonaro, o Congresso (leia-se Alcolumbre e Maia) e o Judiciário (leia-se Toffoli, Gilmar e Lewandowski) para botar panos quentes em casos cabeludos de corrupção nos três poderes, é o maior sinal de que a eleição de uns e as nomeações de outros que tanto serviram ao PT para fazer sua política de compadrio e acobertamento de ações não republicanas, começam a servir ao capitão reformado e sua turminha.

O presidente do Senado já deu gigantescos sinais de que não está nem aí com a Lava Jato e que tudo que puder fazer para livrar a cara de seus pares, será feito, mesmo passando por cima de regimentos e de direitos da minoria. A tentativa de votar uma lei que facilita o caixa 2 e propõe mudanças (pra maior, claro) no fundo eleitoral, mesmo antes de discuti-la numa comissão – como manda o regimento – é mostra cabal de que ele ligou um trator a favor dos corruptos.

Sua recusa em aceitar a CPI da Lava Toga – tenta-se, agora, pela terceira vez – revela sua defesa dos gatos e sapatos que o STF tem feito da legislação brasileira, tornando o ambiente de negócios cada vez mais difícil por conta da insegurança jurídica.

Na Câmara, o truque de enganar vários deputados para assinarem uma CPI dizendo que era pra investigar o roubo das mensagens de autoridades e, depois, protocolar uma CPI com essas assinaturas para investigar as autoridades a partir das mensagens roubadas, demonstra o tipo de elemento que a população andou elegendo. Deviam, no mínimo, serem acusados de incursos no artigo 171 do Código Penal.

Já o próprio Judiciário, nas notórias figuras do trio Toffoli/Mendes/Lewandowski, tem roubado (ôps!) a cena com ataques autoritários, instalando processos inconstitucionais que provocaram, inclusive, uma inacreditável censura à revista Crusoé por ter publicado um documento público, com interpretações muito particulares de leis à revelia do consenso, com disposição de validar “provas” descaradamente obtidas de maneira ilícita e de soltar notórios corruptos em vias de colaborar com as autoridades, alegando um etéreo “tempo demais” na prisão preventiva.

E o Executivo… Bem, quando esse artigo estava sendo escrito, ainda ressoava a inacreditável ideia do guru Olavo de Carvalho de criar uma lista com os bolsonaristas-raiz, com CPF, RG e e-mail, talvez para que recebam aulas particulares de como defender o indefensável, de como distribuir fake news com eficiência (poderiam aprender com a esquerda que é boa nisso) e, quem sabe, ter um horóscopo personalizado por um precinho bem camarada…

…o Brasil inteiro está tendo de esperar muito mais por reformas que já poderiam estar mudando o cenário econômico e trazendo algum bem estar aos mais necessitados. Ao invés disso, somos obrigados a assistir a um desfile de estultices, a um jogo sem regras, a bate-bocas sem sentido e a receber listas e mais listas de “grandes feitos” do governo Bolsonaro “em apenas x meses”

E ainda tem o capitão. Como ele passou quase uma semana no hospital (recebeu alta nesta segunda-feira), baixou muito o índice de “encrencas sem motivo” que ele faz questão de elevar cada vez mais e que só atrapalham o andamento das reformas tão vitais para o país.

Há ainda os preocupantes rumores de que o ministro Sérgio Moro está em rota de colisão com todos esses núcleos do acordão, o que o torna a bola da vez para ter seu nome na primeira página do Diário Oficial e não na seção do Ministério da Justiça. Se, desgraçadamente, sua saída for confirmada, Bolsonaro perderá uns 50% dos eleitores que nele votaram ano passado e sua pretensa candidatura à reeleição irá pro brejo. Maioria no Congresso, então, só muito bem paga. Por isso, e desconfio que só por isso, Moro continua no cargo.

Por essas e outras, muitas outras, aliás, o Brasil inteiro está tendo de esperar muito mais por reformas que já poderiam estar mudando o cenário econômico e trazendo algum bem estar aos mais necessitados. Ao invés disso, somos obrigados a assistir a um desfile de estultices, a um jogo sem regras, a bate-bocas sem sentido e a receber listas e mais listas de “grandes feitos” do governo Bolsonaro “em apenas x meses”, listas que enumeram algumas coisas que foram realmente feitas, outras são automáticas, outras são projetos que dependem de muita coisa ainda e o restante saiu da cabeça de quem fez a lista. Relação de ações como o enorme avião jogando água sobre incêndio da floresta “que Bolsonaro trouxe diretamente de Israel” e que, na verdade, era um Boeing 777 de uma empresa contratada pelo governo boliviano para combater os incêndios de lá.

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Edmilson Siqueira–  é jornalista

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