A polêmica continua. Ainda bem. Blog do Mário Marinho

A POLÊMICA CONTINUA

BLOG DO MÁRIO MARINHO

Em tempos idos, assisti a uma palestra do então presidente da Fifa, João Havelange, o brasileiro que chegou à entidade máxima do futebol como um cartola renovador, mas saiu pelas portas do fundo.

Nessa palestra, Havelange defendia a tese que os erros de arbitragem não só faziam parte do futebol, como também eram uma espécie de vitamina essencial à vida saudável do futebol.

– O dia que o futebol não tiver mais polêmicas, deixará de existir, pontificou ele.

Não sei se tanto, mas a polêmica é mesmo necessária.

Segundas e quintas-feiras são os dias mais propícios a essas discussões.

Na tal palestra, João Havelange usava esse argumento para justificar sua posição contra a tecnologia na arbitragem de futebol.

Em um ponto ele tinha razão: o futebol não é matemático e a emoção não se mede.

O desjejum das manhãs das padarias têm três ingredientes básicos: a média de café com leite, o pão com manteiga (quase sempre na chapa) e o futebol. Ou, mais especificamente, a rodada do dia anterior e os problemas de arbitragem.

Neste fim de semana, a grande polêmica ficou por conta da anulação do gol que daria a vitória do Palmeiras sobre o Internacional, em Porto Alegre. Vitória que colocaria o Verdão fungando no cangote do líder Flamengo.

O palmeirense de verdade jamais admitirá que a bola tocou na mão do atacante William, razão da anulação do gol.

Meu genro, Armando Ferretti, é palmeirense. Tentei explicar-lhe racionalmente que a regra mudou e que agora quando a bola toca no braço ou mão de um atacante e dali se origina um lance de gol, a falta deve ser marcada, independente do fato de o atacante ter tido ou não a intenção de tocar na bola com o braço ou mão.

Não teve jeito, ele não aceitou. Para ele, meteram a mão no Palmeiras. Insisti um pouco mais, mostrando que outros times já foram prejudicados pelos juízes ou pelo VAR, mas, ele parecia não ouvir.

Por fim, lançou mão de um argumento contra o qual não existem fatos:

– Não adianta, pode falar o que quiser, mas pra mim, meteram a mão. O Palmeiras foi roubado.

Aí, como eu disse, não adianta discutir.

Então, meu caro João Havelange, se essas linhas chegarem até o mundo onde o senhor estiver, saiba que a polêmica, apesar da tecnologia, continua.

Quedas
& brigas

Como se fossem peças de dominó, os técnicos foram caindo neste fim de semana.

Cuca saiu do São Paulo; Rogério Ceni pegou seu boné no Cruzeiro; Zé Ricardo, que substituiu Ceni no Fortaleza, também caiu; no tumultuado Fluminense, caiu Osvaldo de Oliveira.

Há poucos dias, o carismático Felipão, aquele dos 7 a 1, já havia perdido o cargo para Mano Menezes que chegou ao Palmeiras sob a suspeição de ser corintiano.

No Tricolor, Cuca disse justificou não ter conseguido liga com os jogadores e resolveu sair.

O São Paulo agiu rápido e trouxe Fernando Diniz (foto acima), um técnico ousado e criativo. Resta saber se conseguirá liga com os jogadores e se terá respaldo da diretoria para seu esquema de jogo ousado.

A rapidez com que o São Paulo anda trocando de técnico faz supor que existem problemas mais sérios e mais profundos em seus domínios.

De todo jeito, Fernando Diniz estreou com um ótimo empate com o todo poderoso Flamengo em pleno Maracanã lotado. Uma façanha.

Rogério Ceni, experiente como jogador, cometeu o pecado mortal de criticar publicamente alguns ídolos cruzeirenses. Neste caso, a receita usual é a permanência do jogador e a saída do técnico.

Ceni voltou ao Fortaleza e já fez sua reestreia vencendo.

O substituto de Ceni no Cruzeiro é o respeitado Abel Braga, mas, sua estreia não foi muito feliz: perdeu para o Goiás, 1 a 0.

Osvaldo de Oliveira, que não prima pela simpatia, bateu de frente com o Ganso.

Foi feio.

Substituído no meio do jogo, jogador passou ao lado de Osvaldo de Oliveira e praguejou: “Você é muito burro!”

Oliveira respondeu à altura: “E você é um vagabundo”.

Só não chegaram aos tapas porque a turma do deixa disso interveio prontamente.

Acintosamente, Ganso foi para a beirada do gramado e passou a orientar o time. Desnecessária e indesculpável prova de que era o mais forte nessa briga em público.

Roupa suja se lava em casa. Ou no vestiário.

Se tivesse havido um pouquinho de racionalidade, um pouquinho de inteligência, qualquer um dos dois poderia lançar mão daquela temida frase que as mulheres tão bem sabem explorar quando há ameaça de uma discussão em público com o marido:

– Em casa a gente conversa.

Gols da segunda-feira:

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FOTO SOFIA MARINHO

Mário Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
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