Meu coração rubro-negro. Blog do Mário Marinho

MEU CORAÇÃO RUBRO-NEGRO

BLOG DO MÁRIO MARINHO

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Futebol como gosta quem gosta de futebol.

Assim é o futebol praticado pelo Mengão sob o comando do português Jorge Jesus que soube juntar e sabe comandar craques, ídolos – gente famosa geralmente arredia a normas e leis.

Jorge Jesus impôs uma lei maior: é preciso gostar do futebol.

A brilhante campanha deste ano, que teve seu ponto culminante no massacre sobre o forte time do Grêmio na semana passada, está mexendo com quem gosta e futebol, independente da paixão clubística.

A alegria que o Flamengo anda espalhando pelo Brasil, levou-me a uma viagem à minha infância, à época em que morei no Rio de Janeiro.

Era uma criança ainda do primeiro ano escolar.

Moramos na Ilha do Fundão que, na época, recebia as primeiras construções do que viria a ser hoje a portentosa Cidade Universitária.

Eu e meus irmãos, Maria Helena e o Márcio, estudávamos na ilha da Sapucaia que, desconfio, nem existe mais.

Eu já gostava de futebol e de rádio.

O rádio lá de casa, um Invictus, ficava quase o dia inteiro ligado na rádio Nacional. Minha mãe ouvia as lacrimosas radionovelas durante a semana.

Aos sábado, os programas imperdíveis eram o “César de Alencar” e o humorístico “Balança mas não cai”.

Havia também um humorístico que eu gostava muito que envolvia futebol. Não sei se na rádio Nacional ou na rádio Mayrink Veiga – as duas brigavam pela liderança de audiência. Lembro-me do personagem que fazia o papel do flamenguista e que usava esse bordão: “Mengo, tu és o maior!”

Aos domingos, eu ouvia jogo de futebol com meu pai.

Naquele começo dos anos 50, pintou no Flamengo o atacante Rubens. No jogo de estreia, ele marcou o gol da vitória sobre o Vasco da Gama, interrompendo um jejum de sete anos sem vitória do Mengão sobre o Vascão.

Caiu no gosto da torcida e passou a ser chamado de “Doutor Rubis”.

O sambista Wilson Batista compôs o “Samba Rubro-Negro”, cuja letra é esta:

Flamengo joga amanhã
Eu vou pra lá
Vai haver mais um baile no Maracanã
O mais querido
Tem Rubens, Dequinha e Pavão
Eu já rezei pra São Jorge
Pro mengo ser campeão
O mais querido
Tem Rubens, Dequinha e Pavão
Eu já rezei pra São Jorge
Pro mengo ser campeão
Pode chover, pode o sol me queimar
Que eu vou pra ver
A charanga do Jaime tocar:
Flamengo! Flamengo!
Tua glória é lutar
Quando o mengo perde
Eu não quero almoçar
Eu não quero jantar

Ouça, na voz de João Nogueira:

Em minha família, o Márcio, irmão mais velho, torcia para Fluminense; eu torcia para o Flamengo. Ele gostava da Marlene; eu gostava da Emilinha.

Mantínhamos nossa saudável rivalidade.

Os outros irmãos, Maria Helena, Marina, Marco Antônio e Marta ainda eram muito pequenos para se ligar no futebol.

Não cheguei a ver o Flamengo jogar naquela época, mas conhecia os jogadores e sabia de cor a escalação:
Garcia; Tomires e Pavão; Jadir, Dequinha e Jordan; Joel, Henrique, Dida, Índio e Babá.

E muitos outros ídolos, para mim craques, que vestiram aquela camisa e se sagraram tricampeões, em 1953, 1954 e 55.

Lembro-me de Zagallo, Evaristo, Joubert, Henrique e outros

O técnico era o uruguaio Fleitas Solich.

Em 1966, começando minha carreira no Diário da Tarde, em Belo Horizonte, entrevistei Zagallo que começava sua carreira de técnico dirigindo a seleção carioca que participava de um campeonato brasileiro de juvenis em BH.

Anos depois, tive o prazer de trabalhar com o Zagallo na Portuguesa de Desportos.

Em 1984, quando era presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo), conheci Evaristo que acabava de assumir a Seleção Brasileira e, a convite meu, compareceu à Aceesp para uma entrevista coletiva com os jornalistas de São Paulo.

Evaristo foi um craque e um dos primeiros jogadores brasileiros a jogar no Real Madri, o mais poderoso time de futebol do mundo na década de 1950.

De volta a Belo Horizonte, acompanhei de longe o tricampeonato do Flamengo, 1953-54-55, que continuou com lugar cativo no meu coração.

Mas o meu coração batia e bate mais forte pelo América, o único deca campeão do futebol brasileiro.

Dá-lhe, Coelho!

Nada
de novo

No Brasileirão, tudo como dantes no quartel d’Abrantes.

O Mengão continua líder imbatível, mesmo com vitória magra sobre o CSA e sem gol do Gabigol. O Palmeiras segue desesperado correndo atrás do bonde perdido. Os mineiros vão mal: o Galo perde para o São Paulo no Morumbi. Bom, resultado até que normal.

Mas, o Cruzeiro empata com o Fortaleza no Mineirão, perdendo grande chance de pular para fora da pegajosa zona do rebaixamento.

No sábado, o torcedor do Timão continuou sua Via Crucis: 0 a 0 contra o Santos, em Itaquera. É um clássico e o resultado pode ser considerado normal. Porém, o futebol apresentado pelo Corinthians continua ridículo e a possibilidade de sair da Z6 e deixar a zona de classificação para a Libertadores aumenta a cada dia.

Veja os gols do Fantástico:

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FOTO SOFIA MARINHO

Mário Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS
 NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

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