A claque dos bananas que aplaudem e dão gritinhos. Por Marli Gonçalves

A CLAQUE DOS BANANAS QUE APLAUDEM E DÃO GRITINHOS

MARLI GONÇALVES

Vamos tentar nos entender, por favor. Falar sério sobre comportamento, honra, orgulho, liturgia do cargo, capacidade, seriedade, educação e outros muitos “quesitos más” necessários a quem se elege presidente da República.  Seja ele ou ela quem for. E, no caso, o atual ocupante do cargo passa dos limites e abre a porteira da ignorância em todo o país. Por onde passa o boi, pode passar uma boiada incontrolável…

Um mau exemplo. Um péssimo exemplo e, pior, comportamento insano que vem sendo seguido como engraçadinho por outros integrantes do governo e pessoas que o cercam, os ainda apoiadores, talvez acreditando que somos todos bananas tropicais, povo pacato, alheio, que essa situação se estenderá, que ficará por isso mesmo, e que eles mandam e desmandam. Pensam, ou pior, se articulam para tal, que ficarão neste comando muito tempo.

Pisamos em brasas. Eles passaram; mas não ficarão – e isso é certo se mantivermos atenção e cuidados com a liberdade de expressão, críticas, comentários, força e união, assim como a devida responsabilidade necessária entre os formadores de opinião. A imprensa, onde me insiro.  Entre as mulheres, onde batalho. Entre os ecologistas, que apoio. Entre os gays, que defendo. Entre os líderes, entre os livres, que buscam Justiça, onde pretendo me manter, sempre, sem fechar os olhos aos desmandos, e como sempre fiz ao longo da vida que já é longa o suficiente para me gabar disso.

Já. O momento é já. Buscarmos novas lideranças, arejar a política, ocupar os espaços vazios, combater a beligerância, a ignorância, o oportunismo e o radicalismo de outras partes é obrigação que temos com a história e com o futuro, e mesmo que nele não estejamos. Aceitar que saímos do ruim para o pior.

Os últimos acontecimentos, as bananas que o presidente nos manda, sorridente e agressivo, como foi nas falas contra a repórter da Folha de S. Paulo, as inacreditáveis e baixas afirmações e ameaças – outro dia disse que seu amigo, o carioca deputado negro Hélio Lopes,  aquele que está sempre por perto dele, olhos arregalados, é negro devido ao tempo a mais que ele teria passado na barriga da mãe; teria dado uma “queimadinha” no forno por demorar dez meses para nascer. Sim, ele também disse mais essa, em uma live de quem pensa que está brincando de internet, de ser piadista, e dando aquela risadinha ridícula já nos dá náuseas. Isso não é humor, não tem graça, nem nunca teve.

Não há tom de brincadeira que possamos aceitar. Até porque visivelmente não é brincadeira. Ele pensa desse jeito torto. Os militares de alta patente que ocupam cada vez mais o governo sabem disso, e não é por menos que estão se espalhando. Nunca confiaram no Capitão, sempre visto como mau militar. Não confiam em sua capacidade de governar. O fato de estarem agora até na Casa Civil(!) é bastante revelador, e o intestino do poder está se alimentando fora de casa.  Os fatos vêm se sobrepondo – todo dia, sem parar, problemas, falas que afetam e trazem desconfiança ao mercado, falas feitas naquele cercadinho ridículo ao qual a imprensa incompreensivelmente ainda se sujeita, com aquela claque nojenta, uma escalada que culmina ainda com a clara e antiga ligação a grupos milicianos.

Não é brincadeira. Não tem graça, nem nunca terá. O Carnaval passará. 2020 precisa acontecer, sim, e não temos mais como perder outra década ensacando ventos, com sacos roxos, precisando “manter isso daí”, nem com gente que lavou dinheiro a jato, se lambuzou e deixou esse buraco da política para agora vir a ser preenchido por um amador em tudo: como militar, como homem, como presidente, e até como engraçadinho.

O que não tem decência. O que não tem juízo. Nem nunca terá.

Está chato. E nós queremos dar nossas risadas. Usando a mais ( e irritante ) nova expressão, que surgiu há alguns dias, temos de “cancelar” todos esses caras.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

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5 thoughts on “A claque dos bananas que aplaudem e dão gritinhos. Por Marli Gonçalves

  1. Capitão não abriu a porteira da ignorância. Estava aberta havia muito tempo.
    Sua contribuição foi nos fazer preferir a ignorância ao resto do que ele trouxe consigo.

  2. Bolsonaro é realmente insano. Mas é o que sempre foi. Gostaria de saber sua opinião sobre as atitudes de Lula. O desrespeito às mulheres, a marolinha, a gripezinha (H1N1), a homofobia (lembra-se de Pelotas?). São tantos e, no entanto, jamais vi você se manifestar com tanta ira. Nossos governantes, antes que se possa chamar os eleitores de ignorantes, são sempre os mesmos. Mudam apenas os métodos. FHC que, eu acredito, é preferido do Brickmann, é aquele da privataria, dos bancos a 1 real, do Ricardo “estamos no limite da nossa irresponsabilidade” Sérgio, do Rubens “Parabólica” Ricúpero. Até mesmo o JK, tido como um estadista, não passou de um megalômano, que nos deixou Brasília, onde tudo de ruim que acontece no pais acontece e nós, pela distância que ela mantém do povão, não podemos nos manifestar. Matou uma das mais lindas e cosmopolita cidade do mundo, o Rio de Janeiro. Simplesmente mudou a capital sem pensar nas consequências para o Rio de Janeiro. Imagina se a capital ainda fosse lá. Esses políticos medíocres praticariam todas essas falcatruas com tanta liberdade? Marli, nós, o povo brasileiro, estamos sempre votando no menos pior. Essa é a realidade. De uma coisa eu tenho certeza. O Lula foi o político, o presidente mais corrupto que esse país já pode ter e jamais terá. O PT é um partido execrável. Bolsonaro? Ele só fala abobrinhas, ele os filhos. Mas falar, pode! Só não pode roubar.

    1. Mauro, desculpe, mas se está dizendo que “nunca viu” é porque nunca procurou. Sou crpitica desses governos – aliás, de todos – em meus 42 anos de jornalismo. Com ênfase especial em Lulas, Dilmas, Collores, Temers e , especialmente, agora, na luta contra a insanidade de Bolsonaro e seus seguidores. Não roubar é obrigação. Abraço. p.s.: procure, que vai se divertir com o que sempre escrevi sobre os “outros” que fala

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