É tudo mentira. Edmilson Siqueira

É TUDO MENTIRA

EDMILSON SIQUEIRA

… A mentira não precisa mais ser publicada num jornal, depois em outro, entrar num livro ou num discurso de alguém importante para, depois de tempo, cair na boca do povo. Não. Basta colocá-la na internet e ela se espalhará célere, em questão de segundos, pelo mudo afora…

Three Music Industry Lies Artists Need To Stop Believing

“Em tempos de guerra, a primeira vítima é a verdade.” A autoria dessa frase é controversa, mas ela nunca foi tão presente quanto agora, quando os meios de comunicação ganharam formidável amplitude com a tecnologia das redes sociais. A mentira não precisa mais ser publicada num jornal, depois em outro, entrar num livro ou num discurso de alguém importante para, depois de tempo, cair na boca do povo. Não. Basta colocá-la na internet e ela se espalhará célere, em questão de segundos, pelo mudo afora.

E não precisa mais ser uma guerra convencional para que mentiras ululem por aí. As disputas políticas no Brasil, bem antes da pandemia do coronavírus, já evidenciavam que a mentira seria a maior vedete dos nossos tempos.

É certo que políticos mentem, que seus seguidores mentem e que há um grupo muito grande que não só acredita na mentira, como faz com que ela se espalhe como se verdade fosse. Mas, com a chegada das facilidades da internet, espalhar mentiras se tornou um dos expedientes mais usados pelos governos, pelos políticos e por muita gente também. Aliás, descobriu-se, nesses tempos de tecnologia avançada ao alcance de todos, que mentir é uma prática muito mais corriqueira do ser humano do que se imaginava antes. Corriqueira e desonesta, obviamente.

Three Music Industry Lies Artists Need To Stop Believing… Com o fim da era petista e a chegada de uma incógnita chamada Bolsonaro ao poder, a mentira não desapareceu. Pelo contrário: se somou às mentiras contadas antes, só que agora na contramão daquelas. E piorou muito o cenário: agora são dois lados fortemente armados de computadores e celulares que disputam a primazia de escrever e espalhar mais mentiras…

A facilidade de espalhar mentiras pelas redes teve início, coincidentemente, no governo petista de Lula. Percebendo o potencial da coisa, criou-se um grupo, regiamente pago (com dinheiro nosso, dos impostos), para: a) propagar notícias que, mostrando verdades ou não, espargiam mentira; b) destruir a reputação de qualquer um que ousasse ser contra o poder instituído. Deu certo. Lula foi reeleito, elegeu uma sucessora que também se reelegeu. Foram quase 14 anos de domínio da mentira travestida de verdade, um domínio tão grande que espalhou pelo mundo como se realmente verdade algo inacreditável: até hoje Lula é recebido em vários países como um “estadista” que nunca foi, ao invés de ser repudiado como o corrupto condenado à prisão que é.

Com o fim da era petista e a chegada de uma incógnita chamada Bolsonaro ao poder, a mentira não desapareceu. Pelo contrário: se somou às mentiras contadas antes, só que agora na contramão daquelas. E piorou muito o cenário: agora são dois lados fortemente armados de computadores e celulares que disputam a primazia de escrever e espalhar mais mentiras.

As chamadas fake news encontram no Brasil talvez o seu terreno mais fértil para a proliferação. Os motivos para essa facilidade de propagação são vários. O mais notório deles é a ignorância geral do brasileiro, para a qual colabora a sua notória preguiça para ler. Colaboram bastante também a desonestidade histórica dos nossos políticos, o desmesurado apego ao poder, a cara de pau sem limites e o grande objetivo de todos eles ao entrar na política: ficar rico, ou mais rico.

Assim, nas batalhas atuais em meio a uma pandemia que já atingiu mais de meio milhão de pessoas no mundo, o Brasil vive um festival de mentiras nas redes sociais como jamais havia vista anteriormente. E com um componente inusitado: o grupo espalhador de mentiras (regiamente pago com o nosso dinheiro) as comete contra grupos do próprio governo.

Exemplo? O primeiro ministro militar de Bolsonaro a cair foi vítima de campanha desonesta pelas redes sociais. Já está provado que o próprio presidente o desligou baseado em mentiras urdidas dentro do próprio palácio e que chegaram aos celulares presidenciais.

Mais recentemente o governador Ronaldo Caiado apareceu sendo  hostilizado em praça pública, com um texto que dizia que tal fato teria ocorrida “hoje”, ou seja, em  dia 25 de março, porque, no dia anterior rompera como Bolsonaro. Só que a hostilidade ocorreu dez dias antes, quando tentou impedir manifestação de bolsonaristas, porque elas estavam proibidas em decorrência da proliferação do corona vírus.

Outra: Arnaldo Jabor não escreveu um texto elogiando Bolsonaro, como querem fazer crer os desonestos de sempre. O texto deve ser de um desses seguidores da seita bolsonarista, mas colocado, desonestamente, em nome de uma pessoa famosa, para atrair mais leitura. Além desses, há inúmeros vídeos que tentam mostrar adversários do presidente como notórios esquerdistas, comunistas, corruptos etc. Tudo falso, tudo criado para sustentar um governo cuja base de apoio é a intriga, a criação diária de inimigos e a eterna pose de vitima de um presidente que mal sabe falar uma frase inteira sem apelar a gírias de mau gosto ou a expressões que lhe servem de muleta na falta de um vocabulário adequado.

Diferentemente de Dilma Rousseff, que errava por algum problema cerebral e por geralmente estar por fora do assunto abordado, Bolsonaro erra por não ter a mínima noção do que é um discurso, por falar como se estivesse numa rodinha de amigos ou inimigos, por não ter nenhuma noção da importância de seu cargo.

E, assim, o Brasil segue sua terrível sina: livrou-se de um esquema esquerdizante que o levaria, propositalmente, à bancarrota para um posterior domínio do grupo petista por tempo indeterminado e caiu nas mãos de um grupo tosco, cujas maiores armas são a mentira, a virulência verbal e a total falta de objetivos outros que não a desesperada manutenção do poder. Não deu certo de novo.

Espero que sobrevivamos todos à crise do coronavírus e a esse governo.

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Edmilson Siqueira é jornalista

1 thought on “É tudo mentira. Edmilson Siqueira

  1. Parafraseando o que alguns americanos dizem em filmes (não sei se na vida real também): LUCIDEZ é o nome do meio de EDMILSON SIQUEIRA! Parabéns pelo artigo!!!

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