Covid-19 e Saúde Mental – II. Por Meraldo Zisman

COVID-19 E SAÚDE MENTAL II

MERALDO ZISMAN

… A quarentena, esse estado de prisão domiciliar, torna as pessoas nervosas, apreensivas, preocupadas e angustiadas. É hora de focarmos apenas no presente e, acima de tudo, no nosso bem-estar cotidiano. Focalizar no “aqui e agora” reduz a carga mental e a preocupação. Devemos nos acostumar a fazer e pensar uma coisa de cada vez. Lembrar de que a mente fica esgotada quando se ocupa de várias coisas ao mesmo tempo…

Especialistas dão dicas de como cuidar da saúde mental durante a ...

O prêmio Nobel de Literatura (2010) Mario Vargas Llosa escreveu sobre o coronavírus: “Ninguém parece estar entendendo que nada disso poderia ter acontecido no mundo se a China popular fosse um país livre e democrático, e não uma ditadura”. Vargas Llosa então comparou o surto epidêmico ao desastre em Chernobyl, na Ucrânia, durante a era soviética. Ambas as ditaduras censuraram e silenciaram informações sobre as crises.

Em resposta, o regime de Pequim não apenas chamou Vargas Llosa de “irresponsável”, mas baniu seus livros das plataformas chinesas de e-books. Vargas Llosa alertou os “tolos” ocidentais para não acreditarem na China, país com “um livre mercado e uma ditadura política” e que “o que aconteceu com o coronavírus deveria abrir os olhos dos cegos”.

Dito isto, passo diretamente aos eventos traumáticos, dos desastres naturais às guerras e às epidemias, que quase sempre prejudicam a saúde mental das pessoas.

O toque, o contacto entre indivíduos, é essencial tanto para o Homo Sapiens quanto para os primatas. O medo, a sensação de alerta, é de extraordinária importância para a sobrevivência das mais diversas espécies animais.

Bastaria lembrar que apenas um receio, um estado de incerteza acompanhada de temor, faz as pessoas fugirem pois consideram a situação arriscada, perigosa ou nociva para ela e seus adeptos.  Exemplos: “Tenho receio de perder meu emprego, tenho receio do que vai acontecer comigo ou meu marido, se mudar tudo o que será dos meus filhos, etc.”.

Para que planejar se tudo é incerto? A quarentena, esse estado de prisão domiciliar, torna as pessoas nervosas, apreensivas, preocupadas e angustiadas. É hora de focarmos apenas no presente e, acima de tudo, no nosso bem-estar cotidiano. Focalizar no “aqui e agora” reduz a carga mental e a preocupação. Devemos nos acostumar a fazer e pensar uma coisa de cada vez. Lembrar de que a mente fica esgotada quando se ocupa de várias coisas ao mesmo tempo.

Assim, quando estou tomando café da manhã, me concentro em comer de maneira bem relaxada. Se estou trabalhando em home office, me concentro no trabalho. Caso eu tenha que decidir alguma coisa, decidirei em um momento específico do dia em que eu possa me dedicar exclusivamente a isso.

É necessário acolher as sensações e sentimentos, sem julgar a nós mesmos e lembrar que em qualquer circunstância temos dias em que não estamos bem e levar em conta que ninguém pode estar continuamente de bom humor.  Entretanto, podemos tentar ter calma para dar algum alívio à nossa mente. Os altos e baixos emocionais são normais nesses momentos anômalos.

O vocábulo quarentena, por extensão, significa o tempo durante o qual determinada pessoa, animal ou objeto deve permanecer isolado de outros de igual natureza, seja por problemas infecciosos ou por outros problemas verdadeiros ou artificialmente criados pelos governos. Concluo parafraseando Vargas Llosa:

            “Só um idiota completo pode ser totalmente feliz”.

… ou usar uma máscara sem saber bem por que nem para quê…

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Meraldo Zisman Médico, psicoterapeuta. É um dos primeiros neonatologistas brasileiros. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Vive no Recife (PE). Imortal, pela Academia Recifense de Letras, da Cadeira de número 20, cujo patrono é o escritor Álvaro Ferraz.

 

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