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Ser negro ou preto? (Homem de cor). Por Meraldo Zisman

SER NEGRO OU PRETO?

(Homem de cor)

MERALDO ZISMAN

…No nosso País, durante os censos realizados, os brasileiros autodeclaram-se pretos, negros, mulatos, morenos, mestiços, cujo conjunto ultrapassa hoje os 50% e a tendência estatística é aumentar. Sublinho: não encontro razão especifica para tanto debate quanto ao emprego dos vocábulos preto ou negro, uma vez que a ascendência negra/preta constitui hoje a maioria do povo brasileiro…

Inexiste consenso sobre o significado relativo desses dois vocábulos, embora a forma e o significado sejam apenas uma questão léxica ou de ressignificação, como afirma o jornalista Marcos Luca Valentim, um dos principais líderes do Coletivo Negro do Grupo Globo.

Entendo por Etimologia a ciência que analisa a evolução das palavras desde sua origem, por vezes num passado distante e em língua outra que não a nossa. Entretanto, fatores causais para mudanças alteram de tal forma o sentido que certos vocábulos mudam de significado ao longo do tempo.

 Enfatizo minha estranheza quando as mídias de todas as naturezas mancheteiam manifestações antirracistas pelo mundo afora, exatamente na vigência da decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), declarando a Década Internacional dos Afrodescendentes (2015-2024) e procurando estabelecer designações apropriadas para indicar os descendentes dos africanos.

No nosso País, durante os censos realizados, os brasileiros autodeclaram-se pretos, negros, mulatos, morenos, mestiços, cujo conjunto ultrapassa hoje os 50% e a tendência estatística é aumentar. Sublinho: não encontro razão especifica para tanto debate quanto ao emprego dos vocábulos preto ou negro, uma vez que a ascendência negra/preta constitui hoje a maioria do povo brasileiro.

Sem sentimentalismo piegas ainda escuto/digo/vejo/falo o vocábulo “neguinho” em tom muito afetivo…

 Sumarizo, afirmando nestes dois parágrafos:

  • preconceito pode ser contra negros, asiáticos, índios, mulatos, e até contra brancos, por parte de outras tantas laias. Os pretos, por terem uma história mais sofrida com a escravidão, são a principal referência quando é discutido o racismo no Brasil e não será por alterações léxicas ou etimológicas que acabaremos com as discriminações que ocorrem por aqui.
  • parafraseio o físico Albert Einstein: É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. E esse fato não se alterará por mudanças somente no significado das palavras ou pensamentos ou mesmo dos códigos metafísicos de qualquer natureza. Preconceito é coisa muito entranhada na cabeça de certos cidadãos e só pode ser de lá arrancada pela morte.

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Meraldo Zisman Médico, psicoterapeuta. É um dos primeiros neonatologistas brasileiros. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Vive no Recife (PE). Imortal, pela Academia Recifense de Letras, da Cadeira de número 20, cujo patrono é o escritor Álvaro Ferraz.

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