ESTELIONATO

Mais um estelionato eleitoral. Por Edmilson Siqueira

MAIS UM ESTELIONATO ELEITORAL

EDMILSON SIQUEIRA

…a desconfiança começou a pairar assim que situações mais complexas, que exigiam um jogo de cintura à altura do cargo, que exigiam liderança firme, surgiram no horizonte. Jair Bolsonaro simplesmente virava as costas para a política, acusando a tudo e a todos de inimigos figadais e mostrando um despreparo mental e prático que, fosse na direção de uma grande empresa, significaria uma bancarrota iminente.

ESTELIONATO

Quando Jair Messias Bolsonaro foi eleito, muita gente se encheu de esperança, afinal o lulopetismo havia sido derrotado, o combate à corrupção ganhava um aliado de peso, as reformas liberais que fariam o Brasil finalmente se desenvolver de forma sustentável estavam a caminho. Ou seja: Lula iria apodrecer na prisão que estaria cada vez mais cheia de corruptos do PT e de qualquer outro partido, a Previdência deixaria de ser a mamata que é para alguns em detrimento da grande maioria, os impostos iriam diminuir e muita gente deixaria de sonegar – o que compensaria o valor menor a ser pago – os empregos e os salários iriam crescer e o Brasil finalmente encontraria com seu futuro.

No princípio, deu-se alguns descontos para o estilo tosco, que beirava a burrice, do presidente e de alguns de seus aliados mais íntimos como seus filhos, por exemplo. Afinal, o noviciado num governo complexo de um país tão grande, cobraria sim um preço e os tropeços no início poderiam até ser considerados normais.

Mas o tempo foi passando e aquilo que até parecia meio divertido no início, começou a tomar ares de perenidade, ou seja, a falta de conhecimento – e não só político – necessário para governar o Brasil parecia ser crônica. Não se via evolução a não ser em alguns determinados pontos, como o combate à violência, que começou a apresentar esperançosos índices ainda no primeiro semestre de governo. Algumas obras tocadas principalmente pelo Exército, também mostravam solução para antigos e caros problemas que sofríamos e sustentávamos.

Mas a desconfiança começou a pairar assim que situações mais complexas, que exigiam um jogo de cintura à altura do cargo, que exigiam liderança firme, surgiram no horizonte. Jair Bolsonaro simplesmente virava as costas para a política, acusando a tudo e a todos de inimigos figadais e mostrando um despreparo mental e prático que, fosse na direção de uma grande empresa, significaria uma bancarrota iminente.

Assim a bagunça generalizada que virou seu governo em pouco tempo seria  palco ideal para que uma pandemia se instalasse. A tempestade perfeita, dizem os analistas, acertando em cheio o que viria a ocorrer caso o comportamento do presidente continuasse do mesmo jeito para encarar a tragédia que se avizinhava em forma de vírus. Uma tragédia que estava parando os países da Europa e a China, ou seja, era uma tragédia real provocada por um vírus novo que causava mortes e exigia tratamento em UTI.

A negação de que se tratava de um problema sério, o incentivo à desobediência às ordens médicas de isolamento e uso de máscaras, a propaganda enganosa de que um remédio barato era suficiente para curar a peste e a insistência em provocar aglomerações revelou ao Brasil e ao mundo que estávamos sendo governados por um, no mínimo, débil mental. O resultado foi que, rapidamente, galgamos o segundo lugar em número de casos e de mortes, à frente até de países bem mais populosos como China e Índia e gastamos o que o Tesouro não tinha para tentar não matar ainda mais gente de fome. A corrupção, aquela que seria combatida incansavelmente desde o primeiro dia de seu governo, proliferou soberana quando exigências de fiscalização e procedimentos caíram para agilizar compras para o combate a pandemia.

Como em países governados por débeis mentais desgraça pouca é besteira, Bolsonaro achou que a única saída para se manter no poder – pois já se falava com insistência em impeachment – era se aliar ao que de pior há na política brasileira. E o que há de pior na política num país como o Brasil forma maioria. E essa maioria impede que um processo de impeachment aconteça.

As alianças com o chamado centrão – cujos deputados e senadores foram coadjuvantes dos governo petistas, garantindo-lhes vitórias no Legislativo a troco de cargos no governo onde podiam roubar à vontade – desnudou o Bolsonaro de sempre: um deputado do baixo clero que, em seus mandatos, além de votar com o “inimigo” PT na maioria dos projetos enviados à Câmara, tinha também um notório esquema de roubar dinheiro público, nomeando funcionários fantasmas para inúmeros cargos e ficando com parte ou com o total de seus salários. Ele e a família, como mostram fartas e robustas provas, usaram desse expediente durante praticamente toda a vida legislativa. Compras de casas e apartamentos em dinheiro vivo – prova cabal de origem ilícita – pululam nos processos que correm por aí.

Ao mesmo tempo, a economia caminha para um debacle. Importantes nomes do Ministério estão abandonando o barco prestes a afundar e o último ministro em que o mercado confia, Paulo Guedes, mais parece um bobo da corte lambendo o saco do presidente e mentindo para o Brasil para se manter no cargo.

Com um governo burro, um presidente que sempre foi corrupto do baixo clero e com a aliança com a gigantesca ala podre da política brasileira, o resultado só pode ser o escancaramento de mais esse estelionato eleitoral: o eleitor brasileiro elegeu de novo a esperança e acabou com o mico na mão. Vamos continuar a ser um paiseco de terceiro mundo, uma republiqueta de bananas, um zero à esquerda no mundo civilizado. Porque é bem capaz que esse povinho que parece adorar ser tratado como lixo, ainda reeleja esse presidente de baixo calão para mais quatro anos de desgraça.

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Edmilson Siqueira é jornalista

 

1 thought on “Mais um estelionato eleitoral. Por Edmilson Siqueira

  1. Por pior que vcs achem que seja prefiro o Bolsonaro com todos os defeitos que os da oposição lhe atribuem do que os ratos petistas ladroes. Deixem o homem governar que estamos num caminho melhor.

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