Majestoso, mas só na torcida. Coluna Mário Marinho

Majestoso, mas só na torcida

No dia 24 de maio de 1942, um domingo friorento, Leônidas da Silva, chamado de Homem Borracha e de Diamante Negro, fez sua estreia no São Paulo, em jogo contra o Corinthians.

O São Paulo pagou a fábula de 200 contos de réis ao Flamengo pelo passe do artilheiro da última Copa do Mundo (1938, 7 gols) e os adversários – corintianos e palmeirenses à frente – diziam que o Tricolor havia comprado um bonde.

O Pacaembu, naquela época, tinha suas arquibancadas em formato de ferradura. Na parte aberta da ferradura, havia a Concha Acústica, que servia para outros espetáculos. Em 1970 a charmosa concha acústica foi derrubada e em seu lugar construída a arquibancada que recebeu o apelido de Tobogã, um monumento ao mau gosto, mas, que aumentou o espaço para o torcedor.

Hoje, com Tobogã e tudo a capacidade do Pacaembu é limitada em 40 mil torcedores.

Pois bem, na estreia de Leônidas foram vendidos 70.281 ingressos, um recorde de torcedores jamais batido.

Como foi possível?

Primeiro, os torcedores daquela época eram mais civilizados e se viam apenas como rivais de clubes e não inimigos mortais. Assim, tricolores e alvinegros torceram lado a lado. Não se perdia espaços com a separação de torcidas.

Além disso, consta que muitos torcedores do São Paulo compraram ingressos apenas para ajudar o clube a pagar o incrível valor do passe de Leônidas. Muitos não foram ao Pacaembu e preferiram apenas guardar o ingresso como recordação.

Aquela majestosa paisagem do Pacaembu lotado, inspirou o sempre inspirado jornalista Thomaz Mazzoni, redator chefe da Gazeta Esportiva, a chamar o clássico São Paulo x Corinthians de Majestoso, apelido que continua até hoje.

Eis as escalações dos dois times naquele domingo de 1942:

São Paulo: Doutor; Fiorotti e Virgílio; Waldemar Zaclis, Lola e Silva; Luizinho, Waldemar de Brito, Leônidas, Teixeirinha e Pardal. Capitão: Fiorotti. Técnico: Conrado Ross.

Corinthians: Joel; Agostinho e Chico Preto; Jango, Brandão e Dino; Jerônimo, Milani, Servílio, Eduardinho e Hércules. Técnico: Rato.

Veja só a sequência dos gols: aos 3 minutos, Jerônimo colocou o Corinthians na frente, 1 a 0; Lola empatou aos 19, 1 a 1; no segundo tempo, aos 8, Servílio fez Corinthians 2 a 1; aos 13, Luizinho empatou, 2 a 2; aos 34, Teixeirinha colocou o Tricolor na frente, 3 a 2; aos 42, Servílio empatou, 3 a 3.

Mais do que Majestoso, eletrizante.

Mas, o Majestoso deste fim de semana, só foi bonito na presença de 36.378 torcedores.

Mas, tão poucos? Há de perguntar o importante leitor.

Sim, porque hoje os espaços são mais controlados e, além disso, durante toda a semana, falou-se que os dois times usariam seus reservas e poupariam os titulares para seus jogos pela Libertadores no meio desta semana.

Então, está justificado.

Belo Público, mas, em campo não aconteceu tão belo futebol.

O São Paulo entrou em campo com o que tem de melhor, com exceção do zagueiro Lucão que substituiu Breno, machucado.

Já Tite escalou jogadores que possam vir a ser titulares como, por exemplo, André que fez pálida estreia.

No primeiro tempo, os dois times se preocuparam mais em destruir do que construir; mais em se defender do que atacar. Foi muito ruim.

O gol do Corinthians, marcado por Lucca, aos 23 minutos do primeiro tempo, saiu, graças e tão somente, a uma incrível falha do zagueiro Lucão. E o segundo gol, de cabeça, graças ao reflexo apurado do zagueiro Yago.

O São Paulo também criou pelo menos duas boas chances de gol que pararam nas mãos e corpo do goleirão Cássio.

A rigor e por justiça, o jogo deveria terminar empatado. Mas, como se sabe, campo de futebol não é tribunal de justiça.

LEÔNIDAS, O DIAMANTE NEGRO
LEÔNIDAS, O DIAMANTE NEGRO

 

O pênalti

surpresa de Messi

Meu neto, o Vinicius, além de corintiano, é fanático por futebol e acompanha tudo. Quando viu a cobrança do pênalti do Messi em que o argentino ao invés de cobrar direto, passa a bola para Suarez marcar, arregalou os olhos e me perguntou.

– Ô vô, pode isso?

Pode sim. É muito difícil ver o pênalti não ser cobrado direto para o gol adversário, mas não há nada de ilegal em se dar um passe para um companheiro, desde que a bola seja tocada para frente.

No futebol, só existem duas ocasiões em que é obrigatório tocar a bola para frente: quando há a saída de bola para começar o jogo ou recomeçar após um gole na cobrança de pênalti.

Eis a cobrança ensaiada do Messi

https://youtu.be/YdAJAYnShYY

Aqui no Brasil, a primeira vez que vi esse tipo de cobrança foi num jogo do meu América-MG, há sete anos. Euler passou a bola para Douglas marcar. Veja as imagens:

https://youtu.be/YnIgedX6jW4

Agora, veja essas curiosas cobranças de faltas e pênaltis:

___________

FOTO SOFIA MARINHO
MARIO MARINHO, agora qui no Chumbo Gordo.com.br

Mario Marinho É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, nas rádios 9 de Julho, Atual e Capital. Foi duas vezes presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo). Também é escritor. Tem publicados Velórios Inusitados e O Padre e a Partilha, além de participação em  livros do setor esportivo

A COLUNA MÁRIO MARINHO É PUBLICADA TODAS AS SEGUNDAS E QUINTAS AQUI NO CHUMBO GORDO.

… e sempre que tiver alguma novidade

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *