E os aposentados, ó!

E OS APOSENTADOS, Ó!

POR JOSUÉ MACHADO

 

Por que os aposentados do INSS ganham tão menos do que os do funcionalismo federal?

O sistema de aposentadoria vigente no Brasil é um dos mais discriminatórios entre o Céu, a Terra e Júpiter.

Por dados de 2015, os benefícios pagos aos 10,8 milhões de aposentados “comuns” são escandalosamente inferiores aos do funcionalismo federal: no INSS, a média mensal paga aos aposentados urbanos é de R$ 1.240; no funcionalismo federal, a média varia de R$ 6.558 aos servidores civis do Poder Executivo a R$ 25.225 aos aposentados do Poder Legislativo.

É preciso repetir: média de R$ 1.240 aos aposentados do INSS e variação de R$ 6.558 aos servidores civis do Poder Executivo a R$ 25.225 aos do Legislativo.

Entre esses felizardos, situam-se os militares (média de R$ 7.741), os inativos do Judiciário (R$ 16.726) e do Ministério Público Federal (R$ 19.324).

Também curioso e expressivo da colorida distorção é o fato de a média mensal dos INATIVOS do Judiciário SER SUPERIOR (R$ 16.726) à dos ATIVOS (R$ 13.575). Os funcionários em exercício, portanto, têm um estímulo fascinante para embarcar na gorda e tranquilizadora aposentadoria.

… qual a razão para tantas disparidades entre os benefícios para os aposentados pelo INSS e os do funcionalismo público?

Enquanto isso, os aposentados e pensionistas do INSS são espremidos com a compressão do “fator previdenciário”, aquele índice mágico que comprime o benefício dos inativos do INSS, de modo que eles jamais consigam atingir o teto de R$ 4.663, mesmo que tenham contribuído com o máximo durante toda a vida.

(O fator previdenciário será substituído a partir deste ano pela fórmula 85/95, para quem a escolher e a ela se adequar. Os números 85 e 95 representam a soma da idade da pessoa e do tempo de contribuição para o INSS: 85 para mulheres e 95 para homens.)

Mas qual a razão para tantas disparidades entre os benefícios para os aposentados pelo INSS e os do funcionalismo público?

São magias, que levam a minoria favorecida ao paraíso da bonança e a maioria desfavorecida ao inferno da desesperança.

Que ninguém sequer imagine que NOSSOS legisladores, aqueles honrados senhores que compõem o ínclito Congresso, seriam capazes de fazer leis em benefício próprio ou de certas categorias MAIS INFLUENTES. Ou que as fariam em favor de grupos de pressão, como são os funcionários do probo Legislativo. E como são também os poderosos componentes do sempre inatacável Executivo. Ou como são ainda os também poderosos integrantes do respeitável Judiciário. E do desinteressado Ministério Público. E por aí vai.

Sim, sim e sim: eles fazem leis – inclusive de aposentadoria – sempre em benefício do povo, que os elegeu, e da Justiça para todos.

E não está bom assim?

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JOSUE 2Josué Rodrigues Silva Machado, jornalista, autor de “Manual da Falta de Estilo”, Best Seller, SP, 1995; e “Língua sem Vergonha”, Civilização Brasileira, RJ, 2011, livros de avaliação crítica e análise bem-humorada de textos torturados de jornais, revistas, TV, rádio e publicidade.

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