FHC - LULA

FHC erra de novo. Por Edmilson Siqueira

…há um esforço de parte de políticos que podem ser considerados inteligentes, para formar algum movimento que possa alavancar um candidato que seja um alternativa viável eleitoralmente ao ruim e ao pior que se avizinha. Se Fernando Henrique quer ainda ter algum protagonismo político no Brasil – e tem capacidade para tanto – deveria estar à frente desse movimento, conversando, angariando apoios entre políticos e empresários, se esforçando para que seu partido esquecesse as divergências internas e ajudasse a ampliar esse movimento.

LULA - FHC

Votar em Bolsonaro num eventual segundo turno em 2022 é coisa que, tenho certeza, a maioria dos tucanos sequer imagina. Algum tucano pode até votar em Lula nesse eventual segundo turno, imaginando um mal menor para o Brasil com petistas no poder no lugar dos genocidas bolsonaristas. Afinal, muitos votaram em Bolsonaro para se livrar de Lula e agora pensam em votar em Lula para se livrar de Bolsonaro. É um raciocínio idiota, mas há quem pense assim.

Mas Fernando Henrique Cardoso não poderia dizer agora, a quase 20 meses antes da eleição, que votará em Lula, caso que ele seja a opção a Bolsonaro. Isso porque, Lula foi e é tão inimigo dos tucanos – e de um projeto bom para o Brasil – quanto Bolsonaro.

Ok, FHC está com 90 anos, é um intelectual, o maior que já chegou a presidente, e é dono de seu nariz independente do partido há muito tempo. Mas ele poderia ser muito mais não fosse a desconstrução que foi feita do seu governo durante todo o tempo em que esteve no poder, bem como do seu legado, durante os 14 anos em que o PT ficou no poder.

FHC também poderia ser muito mais se tivesse tido, no segundo mandato, a coragem que teve ao implantar o Plano Real e continuar com um programa de governo que levasse o liberalismo econômico até onde ele deveria ir para produzir os resultados que tornariam o Brasil um Coreia do Sul com 200 milhões de habitantes e muito mais riquezas para explorar.

O tucano contribuiu para ofuscar sua própria biografia no segundo mandato, mas Lula e o PT, além da esquerda em geral, contribuíram muito mais. Foram milhares de artigos em jornais e comentários na mídia eletrônica e milhões de manifestações contra o legado FHC nas redes sociais todas, com textos, áudios e vídeos.

Por essas e outras, o ex-presidente que saiu do poder sem acusações de corrupção não poderia ir a um almoço com o ex-presidente que saiu do poder acusado e condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, além de ter sido o comandante-em-chefe de um esquema de desvio de dinheiro público que pode ser considerado o maior do mundo.

Além do mais, há um esforço de parte de políticos que podem ser considerados inteligentes, para formar algum movimento que possa alavancar um candidato que seja um alternativa viável eleitoralmente ao ruim e ao pior que se avizinha.

Se Fernando Henrique quer ainda ter algum protagonismo político no Brasil – e tem capacidade para tanto – deveria estar à frente desse movimento, conversando, angariando apoios entre políticos e empresários, se esforçando para que seu partido esquecesse as divergências internas e ajudasse a ampliar esse movimento.

Esse movimento, ainda, infelizmente, pequeno e lutando para prosperar, surgiu exatamente porque alguns políticos sérios perceberam que, com a inacreditável e vergonhosa alforria dada a Lula por alguns ministros do STF, o país caminharia para o desfiladeiro ou o abismo caso num segundo turno as opções fossem Bolsonaro ou Lula. E não há dúvida que isso ocorrerá caso algum desses dois facínoras receba a faixa presidencial em primeiro de janeiro de 2023.

Se ocorrer uma reeleição, a farra da boiada aproveitando a porteira aberta pela eleição – um dos melhores símbolos para representar o atual governo – se estenderá não só a todos os ministérios, mas a todos os governos estaduais e municipais e o Brasil se transformará num caos total que o atrasará mais algumas décadas do que já está atrasado no contexto mundial. O “pária” de hoje será visto como “aqueles bons tempos” num  futuro próximo com a família miliciana no poder.

E se as pesquisas de hoje se confirmarem, a volta de Lula e do PT ao poder será o triunfo das nulidades do qual falava Rui Barbosa. Será o coroamento da desonestidade de um grupo de corruptos que adiaram a possibilidade do Brasil ser um país decente. Será a vitória da injustiça comprada com dinheiro roubado do erário e da desmoralização de qualquer projeto que possa conduzir o país a um desenvolvimento sustentável.

Por isso, FHC não poderia ter se manifestado como se manifestou. Seu apoio, embora condicional (“Vamos lançar candidato do PSDB”; “Só votarei no Lula num segundo turno contra Bolsonaro”) não poderia ser também a quem, comprovadamente desgraçou o Brasil em 14 anos de poder. A opção por uma terceira via deveria ter sido claríssima por parte do tucano, sem deixar qualquer plano B em aberto.

E jamais deveria aceitar convites de um ex-ministro aproveitador que serviu a ambos, pois caiu em mais uma armadilha armada pelo PT contra seu já reduzido legado.

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Edmilson Siqueira é jornalista

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2 thoughts on “FHC erra de novo. Por Edmilson Siqueira

  1. Obrigada. O PSDB dos caciques: Serra, Alckmin, Aloísio Nunes, Aécio, Anastasia, todos denunciados por corrupções já havia acabado. FHC fez o velório e o enterro, porque Tasso não deslanchará como candidato. Os novatos não encantam. Isto vale para o PT. Mas quem faria o velório e o enterro de seu Capo e os 40 ladrões?
    O eleitor. Mas a mídia e os mandatários de sempre insistem em repaginar os Vendilhões do templo para capturar o eleitor. Os marqueteiros para isso tem recursos e dimdim dos partidos e do fundo eleitoral.

  2. Concordo com cada palavra sua escrita.
    Demoram a agir os políticos da chamada terceira via. Já deveriam estar em campo, se tornando conhecidos.

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