Chumbo Gordo

Aleatórios que vêm na cabeça. Por Angelo Castelo Branco

ALEATÓRIOS QUE VÊM NA CABEÇA

ANGELO CASTELO BRANCO

… Bolsonaro lembra um pouco a figura excêntrica de Jânio Quadros a quem não pode ser nivelado por conta da ausência de mesóclises …

Um presidente imprevisível num país de políticos santificados pela pureza é um alto risco. Mas, ante o medo, cabe ao Congresso, tal como fez com Collor e Dilma, interromper qualquer mandato presidencial através do instrumento constitucional do impeachment.

Bolsonaro lembra um pouco a figura excêntrica de Jânio Quadros a quem não pode ser nivelado por conta da ausência de mesóclises.

O atual presidente abusa da linguagem direta e nada polida, diferente das aparições de seus antecessores (já nos círculos íntimos os vocabulários são mais hostis conforme revelaram as conversas do presidente Lula gravadas por Moro).

Por outro lado, há de se considerar a questão da Lava Jato. A operação pode ser vista por dois lados: o lado que recuperou os bilionários desvios dos recursos subtraídos dos cofres públicos roubados através de acordos multilaterais entre o poder político e empresas privadas, e as sequelas que restaram.

No rol das sequelas devemos considerar o ódio das categorias políticas e de pessoas punidas pela Lava Jato, e o desmonte em massa de empreiteiras que faliram e tiveram que desempregar milhões, que de uma hora para outra amanheceram sem emprego, pagando o preço de uma manobra da qual tiveram culpa alguma.

O processo da democracia pelo avesso terminou afunilando entre duas opções: ou o eleitor iria premiar o PT passando por cima do que foi denominado de “maior escândalo da nação”, ou iria optar pelo antipetismo qualquer que fosse o rosto do antipetista…

Admite-se que, como tudo na vida, a Lava Jato tem duas faces. Uma positiva, na medida da moralização no trato do dinheiro público, e outra negativa na medida do súbito desaquecimento da economia. É uma espécie de quimioterapia na estrutura da máquina brasileira. O remédio cura, mas maltrata o paciente.

Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro são meras representações de uma peça shakespeariana focada num imaginário remendo de país chamado Brasil. Uma nação cujo povo pratica a democracia pelo avesso pois seus eleitos sempre contribuem para piorar as condições sociais e econômicas da nação.

Há séculos que a pobreza e a escravidão perduram em regiões como a do Nordeste onde reinam políticos ricos e privilegiados cercados pela doença, pelo analfabetismo, pela fome nas ruas, e a violência e a miséria nas periferias.

O atual capítulo da história do Brasil é o fruto da falência ética do Partido dos Trabalhadores. O processo da democracia pelo avesso terminou afunilando entre duas opções: ou o eleitor iria premiar o PT passando por cima do que foi denominado de “maior escândalo da nação”, ou iria optar pelo antipetismo qualquer que fosse o rosto do antipetista. Simples assim.

Agora é torcer para que as coisas possam seguir no rumo das incertezas a que somos acostumados.

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Angelo Castelo Branco –  Jornalista. Recifense, também advogado formado pela Universidade Católica de Pernambuco. Com passagens pelo Jornal do Commercio, Jornal do Brasil, Diario de Pernambuco, Folha de S. Paulo e Gazeta Mercantil, como editor, repórter e colunista de Política.

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