Chumbo Gordo

O latim, sempre atual. Por José Horta Manzano

O LATIM, SEMPRE ATUAL

JOSÉ HORTA MANZANO

Doutor Bolsonaro foi escolhido para cuidar do Brasil e dos brasileiros. Saído do baixo clero do parlamento, não entendeu até hoje a mudança de patamar.

Pardus maculas non deponit
Leopardo não perde as manchas

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Por desgraça, é inimigo do saber. Se faltasse uma prova, acaba de permitir que um ministro seu proponha a cobrança de imposto sobre venda de livros, algo nunca visto antes.

Qui pauca legit, pauca scit
Quem pouco lê pouco sabe

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Passou um tempo em jejum, sem a companhia dos colegas baixo-clérigos. Depois de um ano, não resistiu. Sorriu para o Centrão e voltou a abraçar os antigos companheiros.

Ex aurea etiam sede in paludem rana resilit
Até de um trono dourado, a rã pula sempre de volta ao pântano

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Medroso, permite que os filhos e o entourage fabriquem e difundam dossiês e notícias falsas sobre adversários, sistematicamente elevados à categoria de inimigos.

Timendi causa est nescire
A causa do medo é a ignorância

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Costuma se esquecer da igualdade de todos, prometida pela Constituição.

Nemo est supra leges
Ninguém está acima da lei

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E pensar que, se agisse corretamente, nunca teria problemas.

Recte faciendo securus
Agir corretamente não traz preocupações

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Aos declarar: “Não sou coveiro”, “Todo o mundo tem de morrer”, “E daí?”, mostra total falta de empatia (pra não dizer total presença de antipatia) para com o povo que o elegeu. Nem bichos selvagens procedem assim.

Nutrit et accipiter pullos suos
Até o falcão alimenta seus filhotes

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Melhor faria se meditasse sobre a transitoriedade de tudo.

Omnia transibunt! Sic ibimus, ibitis, ibunt
Tudo há de passar! Passaremos, passareis, passarão.

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JOSÉ HORTA MANZANO – Escritor, analista e cronista. Mantém o blog Brasil de Longe. Analisa as coisas de nosso país em diversos ângulos,  dependendo da inspiração do momento; pode tratar de política, línguas, história, música, geografia, atualidade e notícias do dia a dia. Colabora no caderno Opinião, do Correio Braziliense. Vive na Suíça, e há 45 anos mora no continente europeu. A comparação entre os fatos de lá e os daqui é uma de suas especialidades.

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