Chumbo Gordo

A esperança é a terceira via. Por Edmilson Siqueira

A ESPERANÇA É A TERCEIRA VIA

EDMILSON SIQUEIRA

… para que o Brasil saia da fatal armadilha de ter de escolher entre o pior e o pior, urge a união dos contrários a esses dois para o surgimento de uma terceira via palatável à maioria dos eleitores que querem mudança para melhor…

O Brasil hoje está diante de uma escolha que definirá se vamos crescer como país ou se vamos continuar a ser a ralé do mundo. Se em passado recente a escolha entre dois candidatos de propostas diferentes monopolizou a opinião pública, hoje o leque aumentou e o eleitor se encontrará diante de três alternativas que podem, qualquer uma delas, determinar o que o país será daqui pra frente.

Depois de quatro anos do governo de Fernando Henrique Cardoso, quando o Brasil parecia estar se inserindo no concerto mundial de nações, com uma moeda forte e inflação controlada, eis que um segundo mandato, desejado pela maioria do povo brasileiro, pela maioria dos congressistas e também com apoio quase unânime da Imprensa, põe quase tudo a perder. Sem coragem para fazer as reformas mais profundas no Brasil, FHC se perdeu, deixou grandes estatais incólumes, não soube unificar seus aliados, deu voz e vez à oposição sem refutá-la como deveria e o que se viu foi o crescimento de uma proposta demagógica de um líder de esquerda que iria arrasar (ou tentar arrasar) com o que ainda restava de bom da era FHC.

Depois de 14 anos de petismo, o Brasil era uma espécie de terra arrasada: as estatais (um câncer na vida brasileira) estavam mais fortes que nunca, embora o roubo na Petrobras quase deixou-a falida, a inflação estava voltando célere, as contas haviam sido de tal forma maquiadas que causaram o impeachment da inacreditável presidenta que a ignorância do eleitor, a demagogia dos políticos e a compra de votos, principalmente dos eleitores do  Norte e de Nordeste do país, elegeram por duas vezes.

A entrada de Michel Temer no lugar de Dilma para governar por dois anos, não mudou muita coisa, pois o vice era partícipe dos esquemas corruptos do petismo e seria fácil enredá-lo numa acusação mortal que acabou com qualquer intenção que tivesse de deixar seu nome na história de modo positivo.

A eleição de Bolsonaro trouxe alguma esperança. Afinal o petismo, que tanto mal causara ao país, fora derrotado e o novo eleito trouxera promessas de mortal combate à corrupção, de privatizações importantes e de liberalidade na economia.

Em menos de dois anos todas as suas promessas viraram pó. Nada foi cumprido e o que estava ruim piorou sobremaneira com a chegada da pandemia da Covid 19 que paralisou o mundo e fez despencar todos os índices econômicos de todos os países, por mais desenvolvidos que fossem.

A desgraça da pandemia foi grande até em países que a enfrentaram conforme os protocolos científicos: se nesses países as mortes não chegaram a um número absurdo, eles tiveram que ficar paralisados por um bom tempo, com reflexos negativos na economia que levará algum tempo para voltar ao normal.

Agora, imaginem um vírus altamente infeccioso, que necessita de cuidados extremos com grande parte dos infectados – muitos com necessidade de internação em UTIs – circulando livremente num país imenso como Brasil, e tendo um presidente que, sem capacidade de entender o que é a doença e sabendo que uma economia em frangalhos não o reelegeria, não só não tomou as atitudes que deveriam ser tomadas, como fez ao contrário, incentivando aglomerações, desdenhando vacinas, zombando da morte de brasileiros e chamando de “maricas” quem se prevenia com o uso da máscara.

O resultado é que a economia apodreceu de vez – o déficit público está batendo no trilhão de reais, a inflação começa a crescer mais do que o normal, o desemprego está vencendo a  criação de vagas e a população faminta e necessitada de auxílios emergenciais passa de 40 milhões de pessoas – criando um país destroçado, cuja recuperação pode levar mais de uma década.

Pois é nesse cenário caótico que as duas piores opções que poderiam aparecer para o eleitor brasileiro, se apresentam para as eleições de 2022 até aqui como favoritas. O antigo apostando na fraca memória do brasileiro e num único ano em que o país cresceu acima da média. E o atual, apostando no poder do poder, nas alianças espúrias com o famigerado e corrupto Centrão e na mesma compra de votos que seu rival usou para se manter no poder.

Então temos que o genocida presidente Jair Bolsonaro está fazendo de tudo para enfrentar o “ex-condenado”(?) por corrupção e lavagem de dinheiro e que foi o chefe do maior esquema de assaltos ao erário da história do Brasil (e talvez do mundo) nas próximas eleições. Ambos estão certos que podem vencer o outro.

Só que as pesquisas indicam que a soma dos que não têm candidato ainda e dos que não votariam em nenhum dos dois é bem maior que os votos que os dois angariariam no primeiro turno. Outro detalhe: a soma dos votos dos candidatos que se apresentam como alternativa também é maior que os votos das desgraças radicais de esquerda e direita.

Assim, para que o Brasil saia da fatal armadilha de ter de escolher entre o pior e o pior, urge a união dos contrários a esses dois para o surgimento de uma terceira via palatável à maioria dos eleitores que querem mudança para melhor.

Por enquanto, esse nome não existe, mas vários possíveis presidenciáveis já estão se reunindo e terçando forças para definir quem poderá levar o estandarte da mudança e do fim do desgraçado destino brasileiro, cujo retrato dos últimos 20 anos dói mais que a Itabira do poeta.

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Edmilson Siqueira é jornalista

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