nem um nem outro

Nem um nem outro. Por Edmilson Siqueira

… O Brasil tem duas saídas para se livrar do atraso, da incompetência e da corrupção que vêm sendo as marcas dos governos brasileiros de 2003 até hoje.  Elas são a união em torno de uma terceira via representada por alguém de centro apoiado pela centro esquerda e centro direita ou um nome que sobressaia ao grupo que está se formando na terceira via…

nem um nem outro

O Brasil tem duas saídas para se livrar do atraso, da incompetência e da corrupção que vêm sendo as marcas dos governos brasileiros de 2003 até hoje.  Elas são a união em torno de uma terceira via representada por alguém de centro apoiado pela centro esquerda e centro direita ou um nome que sobressaia ao grupo que está se formando na terceira via e consiga vencer os dois representantes do atraso, que são Bolsonaro e Lula.

Um cenário com esses dois num segundo turno será a treva para o Brasil por mais quatro ou oito anos, quando continuaremos vítimas de um esquema de populismo corrupto, ou fazendo demagogia para grupos sociais que não representam a maioria e nem mesmo a vontade da maioria, ou continuaremos na corrupção tosca e rasteira e na incompetência crônica para governar que estamos vivendo.

Por isso, as duas opções colocadas, que podem até se transformar numa só, são mais do que importantes. Atualmente, há uma corrente que vem se firmando representada por Eduardo Leite, Henrique Mandetta e Sergio Moro, com os três dizendo que podem abdicar de uma candidatura caso outro esteja melhor colocado nas pesquisas, o que é um ótimo sinal de desprendimento a favor do Brasil. Afinal, é difícil encontrar políticos que deixem de lado a empáfia, o ego, a soberba em nome de um objetivo maior para o país. Nesse trio, a dúvida é se João Doria, o insistente governador paulista, teria a mesma atitude caso vença a convenção do PSDB. Se as pesquisas continuarem dando-lhe um dígito de intenção de voto, não haverá motivo para ele continuar na disputa e seu apoio a outro melhor colocado seria importante. E, afinal, Doria pode se reeleger governador e tentar a presidência mais tarde.

O outro candidato que poderia representar também uma mudança importante no cenário eleitoral é Ciro Gomes. Eu sei que o moço tem um passado comprometedor, já passou por quase uma dezena de partidos, fala muito além do que é necessário e se julga um salvador da pátria acima de qualquer suspeita. Mas sua contenda com as esquerdas mais radicais e sua total aversão à direita nazista que está no poder, talvez lhe ondule o caráter um tanto, suficientemente para que ele se alie às esquerdas e direitas moderadas e consiga se sobressair.

Eu sei que Ciro Gomes é difícil de engolir pra muita gente, mas diante da tragédia que pode ser a volta de Lula ou a permanência de Bolsonaro, ele se transforma em alguém palatável, o mal menor que experimentaríamos, nem tanto lá, nem tanto cá, para fugir do inferno constante que tem sido a vida brasileira nas mãos dos demagogos e populistas rastaqueras.

O ideal seria uma aliança ampla, que contemplasse de Ciro Gomes a João Doria, de Rodrigo Pacheco a Sergio Moro, mas no Brasil é difícil convencer certos políticos que eles não têm chance, pois as campanhas eleitorais, do modo como são feitas, acabam enriquecendo muita gente e servindo também como alavanca para alianças espúrias no segundo turno, onde o apoio é vendido a peso de ouro.

Só que a eleição de 2022 tem uma característica que a difere das últimas: nela, há dois candidatos que, embora pertençam a ideologias contrárias, representam as mesmas desgraças para o país caso consigam ir para o segundo turno. Os extremismos de Bolsonaro e Lula podem até não se configurarem imediatamente em ditaduras, mas todos sabemos que esse objetivo sempre permeou a cabeça dos dois: são autoritários, ignorantes, louvam ditadores do passado e do presente, são altamente corruptos e têm como principal objetivo se perpetuar no poder, solapando as instituições que garantem a sobrevivência da democracia.

Sob Bolsonaro estamos vendo um primitivismo político que já foi abolido no mundo democrático e que já deveria não mais existir por aqui. Ele exige subserviência total aos seus desejos e qualquer mínimo gesto que não o agrade pode se transformar em alta traição. O resultado dessa infantilidade toda é um governo sem rumo, sem discussão interna e totalmente sem qualquer programa que possa ser chamado de sério. Por trás, claro, corre a corrupção que, se não tomou ainda as proporções petistas é por dois motivos: a crise financeira é hoje muito pior e proíbe grandes obras e a corrupção petista foi tão gigantesca que se houvesse outra daquela o Brasil poderia decretar falência e encerrar sua história como país.

Mas a volta de Lula é um problema tão grande quanto a permanência de Bolsonaro. Seus primeiros sinais do que fará no governo não diferem do que de ruim ele fez – e foi muita coisa – nos 14 anos de poder. Ele já declarou que pretende criar um mecanismo de “regulamentação” da Imprensa, ou da “mídia”, como costumam falar erroneamente por aí. Depois ele resolveu voltar atrás nesse objetivo, talvez avisado pelo marqueteiro que uma declaração dessa poderia trincar relações com os veículos mais importantes do país que ainda têm muitos petistas em suas redações. Mas não dá pra acreditar que, no poder, voltarão os blogueiros sujos pagos com dinheiro público para fazer bajular o governo e detratar adversários, tanto que o idealizador dessa “organização paralela de apoio”, o ex-jornalista e ex-ministro Franklin Martins, já está de volta às hostes petistas.

Na economia, a primeira declaração de Lula foi sobre furar o teto de gastos, ou seja, pretende acabar com a única medida do desastrado governo Temer que trouxe algum benefício para a combalida economia brasileira.

De resto, é bem mais que provável esperar que, sob Lula, o Brasil vire as costas para o mundo capitalista que conta no planeta e passe, de novo, a bajular (e ajudar financeiramente) ditaduras sanguinárias de esquerda que lhe prometam votos numa quase impossível mudança do Conselho de Segurança da ONU. E, claro, a volta da política dos empresários campeões nacionais, hoje quase todos absolvidos pelo esquema STF de impunidade à corrupção. Esquema esse que enriquece os empresários e os políticos, baseado sempre no toma-lá-dá-cá: o governo dá a obra e o empresário dá a propina.

Assim, é fundamental que essas duas vertentes do populismo, ambas maléficas ao extremo para qualquer país, sejam extirpadas da vida nacional pelo voto.

A terceira via que começa a ganhar um corpo mais consistente nas tratativas, precisa apresentar, o quanto antes, um robusto programa de governo que contemple o povo que está na miséria e que garanta um desenvolvimento sustentável. É difícil? Claro que é. Mas a inflação herdada da ditadura e, depois, de Sarney e Collor também era considerada quase impossível de ser vencida. E o Plano Real provou que, com competência, não há problema impossível de ser derrotado.

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Edmilson Siqueira é jornalista

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