<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	
	>
<channel>
	<title>
	Comentários sobre: A onda dos bebês reborn. Por Rui Martins	</title>
	<atom:link href="https://www.chumbogordo.com.br/456218-a-onda-dos-bebes-reborn-por-rui-martins/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://www.chumbogordo.com.br/456218-a-onda-dos-bebes-reborn-por-rui-martins/</link>
	<description>Informação. Opinião. Pensamento.</description>
	<lastBuildDate>Sun, 25 May 2025 14:30:47 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0</generator>
	<item>
		<title>
		Por: Carla		</title>
		<link>https://www.chumbogordo.com.br/456218-a-onda-dos-bebes-reborn-por-rui-martins/#comment-115127</link>

		<dc:creator><![CDATA[Carla]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 May 2025 14:30:47 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://www.chumbogordo.com.br/?p=456218#comment-115127</guid>

					<description><![CDATA[Essas bonecas que parecem reais são uma moda que tomou o mundo quase inteiro. No mês passado estive a trabalho na Europa, entre a Alemanha, a Inglaterra e a França, e vi esses mini mortos-vivos de silicone por lá também. Aqui no Canadá estão em todo lugar, mas, verdade seja dita, até agora só nas mãos de gente com menos de 15 anos (se pessoas mais crescidas brincam com isso é fato tão raro que ainda não flagrei). Na Alemanha, mês passado, ouvi de um colega neuropsiquiatra o relato médico uma história que lembra a da brasileira que foi ao SUS para socorrer sua bonequinha : uma senhora procurou um veterinário para que ele curasse, em função do aspecto doentio, seu gato embalsamado. A história toda é longa demais para recontar aqui, mas termina com a mulher se submetendo a um intrincado tratamento experimental. Deve abrandar em breve esse tratamento - pelo menos na parcela medicamentosa -, pois o caso parece experimentar evolução bem favorável.

Pus-me a pensar no que faria uma pessoa « normal » - multipliquem-se as aspas – passar, de uma hora para outra, a não mais reconhecer como morto um gato que ela mesma havia embalsamado anos antes de vê-lo novamente como vivo. Não sei ao certo, mas deve-se considerar, para este caso, não apenas uma variedade, até então oculta, de demência (o que fez dele um caso mais neurológico que psiquiátrico), mas também deve ser levado em conta o aspecto psíquico da coisa, pois trata-se de ver vida onde não há, o que nunca ocorre por acaso, e não apenas em casos desse tipo. Penso que o que torna este caso semelhante ao das pessoas que « amamentam », « alimentam » e levam pra passear suas bonecas de silicone não é apenas o cuidado médico dedicado (SUS num caso, veterinário no outro), mas uma ideia particular do que sejam a vida e a morte. Não é casual que essas pessoas tenham procurado médicos, cuidados, tratamentos, ou seja, tudo que tem por papel garantir a vida biológica, preservá-la. Nos dois casos, tentou-se preservar a vida de objetos inanimados, mortos (Não se tentou psicoterapeutizar tais objetos, o que é importante notar, pois essas pessoas não veem « ânimo » ou « vontade » neles. Veem apenas vida, seja lá o que entendem por isso, mas que deve ter algo a ver com semelhança estética, não ética.).

Deve-se admitir, claro está, que para a imensa maioria dos que possuem reborns a ideia de que aquilo seja vivo obviamente não passa de uma piada. Sabem que vivo, aquilo não está. Mas tenho a impressão de que, no fundo de suas almas, essas pessoas não apenas desejam ver esses objetos ganharem vida, mas, em certo sentido, reinterpretam o que é viver a partir desses objetos aparentemente vivos que ressignificam e conferem valores alternativos às suas experiências vividas junto deles. Dizendo de outro modo, para conferir realidade a suas experiências em companhia de bonecas, essas pessoas não apenas se põem a vê-las como algo entre a vida e a morte (mas não algo fixado em qualquer um desses conceitos), como também podem, assim, ver a si mesmas numa realidade que transcende a vida comum - a vida dos outros, por exemplo, que também se pauta na ética, não apenas na estética. Por isso mesmo, essas bonecas são chamadas de  « realistas » : ao parecer reproduzir esteticamente o mundo real, exigem menos esforço psicológico e cognitivo de reconhecimento (e de aceitação), parecendo fundir verdade e falsidade não apenas para quem « vive » a seu lado, mas também, na imaginação destes, para todos ao redor. É como se essas pessoas, ao lado de suas bonecas, estivessem dizendo ao mundo : « Não é, mas bem que poderia ser... ! »  Como tudo na vida, aliás, e esse tipo de admissão, essencialmente ética da vida, elas compreendem. É seu link com o mundo real, e parece que este não se perde, ao menos para a maioria.

Resta saber até que ponto esse estado de semi-alienação se garante sozinho mantendo a ilusão de um mundo alternativo em que a realização pessoal independe de real interação humana, ou seja, se - e por quanto tempo - ele permanece a despeito das inúmeras provas que a realidade objetiva põe a um tipo de experiência realmente partilhada por tão pouca gente ao redor. A conferir.

Se, no futuro, bebês reborn ainda mais realistas começarem a chorar às três da madrugada, e só pararem ao amanhecer, simulando mesmo a vida real, essa moda certamente passará bem rápido. É meu palpite. A mulher que levou seu gato embalsamado ao veterinário, pelo que sei, já compreende bem por que ele não foge dos cães, e por que os cães pouco se interessam por ele. Seu tratamento progride, e lentamente ela parece retornar à realidade objetiva. Há muitas gradações no alheamento da realidade, e só nos casos mais radicais a emersão da autoilusão será um caso psiquiátrico realmente desafiador.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Essas bonecas que parecem reais são uma moda que tomou o mundo quase inteiro. No mês passado estive a trabalho na Europa, entre a Alemanha, a Inglaterra e a França, e vi esses mini mortos-vivos de silicone por lá também. Aqui no Canadá estão em todo lugar, mas, verdade seja dita, até agora só nas mãos de gente com menos de 15 anos (se pessoas mais crescidas brincam com isso é fato tão raro que ainda não flagrei). Na Alemanha, mês passado, ouvi de um colega neuropsiquiatra o relato médico uma história que lembra a da brasileira que foi ao SUS para socorrer sua bonequinha : uma senhora procurou um veterinário para que ele curasse, em função do aspecto doentio, seu gato embalsamado. A história toda é longa demais para recontar aqui, mas termina com a mulher se submetendo a um intrincado tratamento experimental. Deve abrandar em breve esse tratamento &#8211; pelo menos na parcela medicamentosa -, pois o caso parece experimentar evolução bem favorável.</p>
<p>Pus-me a pensar no que faria uma pessoa « normal » &#8211; multipliquem-se as aspas – passar, de uma hora para outra, a não mais reconhecer como morto um gato que ela mesma havia embalsamado anos antes de vê-lo novamente como vivo. Não sei ao certo, mas deve-se considerar, para este caso, não apenas uma variedade, até então oculta, de demência (o que fez dele um caso mais neurológico que psiquiátrico), mas também deve ser levado em conta o aspecto psíquico da coisa, pois trata-se de ver vida onde não há, o que nunca ocorre por acaso, e não apenas em casos desse tipo. Penso que o que torna este caso semelhante ao das pessoas que « amamentam », « alimentam » e levam pra passear suas bonecas de silicone não é apenas o cuidado médico dedicado (SUS num caso, veterinário no outro), mas uma ideia particular do que sejam a vida e a morte. Não é casual que essas pessoas tenham procurado médicos, cuidados, tratamentos, ou seja, tudo que tem por papel garantir a vida biológica, preservá-la. Nos dois casos, tentou-se preservar a vida de objetos inanimados, mortos (Não se tentou psicoterapeutizar tais objetos, o que é importante notar, pois essas pessoas não veem « ânimo » ou « vontade » neles. Veem apenas vida, seja lá o que entendem por isso, mas que deve ter algo a ver com semelhança estética, não ética.).</p>
<p>Deve-se admitir, claro está, que para a imensa maioria dos que possuem reborns a ideia de que aquilo seja vivo obviamente não passa de uma piada. Sabem que vivo, aquilo não está. Mas tenho a impressão de que, no fundo de suas almas, essas pessoas não apenas desejam ver esses objetos ganharem vida, mas, em certo sentido, reinterpretam o que é viver a partir desses objetos aparentemente vivos que ressignificam e conferem valores alternativos às suas experiências vividas junto deles. Dizendo de outro modo, para conferir realidade a suas experiências em companhia de bonecas, essas pessoas não apenas se põem a vê-las como algo entre a vida e a morte (mas não algo fixado em qualquer um desses conceitos), como também podem, assim, ver a si mesmas numa realidade que transcende a vida comum &#8211; a vida dos outros, por exemplo, que também se pauta na ética, não apenas na estética. Por isso mesmo, essas bonecas são chamadas de  « realistas » : ao parecer reproduzir esteticamente o mundo real, exigem menos esforço psicológico e cognitivo de reconhecimento (e de aceitação), parecendo fundir verdade e falsidade não apenas para quem « vive » a seu lado, mas também, na imaginação destes, para todos ao redor. É como se essas pessoas, ao lado de suas bonecas, estivessem dizendo ao mundo : « Não é, mas bem que poderia ser&#8230; ! »  Como tudo na vida, aliás, e esse tipo de admissão, essencialmente ética da vida, elas compreendem. É seu link com o mundo real, e parece que este não se perde, ao menos para a maioria.</p>
<p>Resta saber até que ponto esse estado de semi-alienação se garante sozinho mantendo a ilusão de um mundo alternativo em que a realização pessoal independe de real interação humana, ou seja, se &#8211; e por quanto tempo &#8211; ele permanece a despeito das inúmeras provas que a realidade objetiva põe a um tipo de experiência realmente partilhada por tão pouca gente ao redor. A conferir.</p>
<p>Se, no futuro, bebês reborn ainda mais realistas começarem a chorar às três da madrugada, e só pararem ao amanhecer, simulando mesmo a vida real, essa moda certamente passará bem rápido. É meu palpite. A mulher que levou seu gato embalsamado ao veterinário, pelo que sei, já compreende bem por que ele não foge dos cães, e por que os cães pouco se interessam por ele. Seu tratamento progride, e lentamente ela parece retornar à realidade objetiva. Há muitas gradações no alheamento da realidade, e só nos casos mais radicais a emersão da autoilusão será um caso psiquiátrico realmente desafiador.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Por: Carlos Weber		</title>
		<link>https://www.chumbogordo.com.br/456218-a-onda-dos-bebes-reborn-por-rui-martins/#comment-114920</link>

		<dc:creator><![CDATA[Carlos Weber]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 May 2025 10:02:52 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://www.chumbogordo.com.br/?p=456218#comment-114920</guid>

					<description><![CDATA[Enquanto se fala de bebês reborn, se cala sobre o roubo dos aposentados.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto se fala de bebês reborn, se cala sobre o roubo dos aposentados.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
	</channel>
</rss>
