Ilustração: Benjamim Cafalli
Implicâncias #7: o tracinho, os letreiros, muitas escorregadas

Quarta-feira (8), 4h, pego o “Estadãozinho”. Antes de ler, abro o emelho, 4h07 chega a ilustração do Benja, fecho o “Mirando” e mando pra Marli, a Única.
Em seguida, começo a leitura do jornal. Pronto, material pro “Implicâncias#7!
No editorial: “Entre as 13h e 13h30 daquele fatídico domingo,”. Cadê o as antes de 13h30, sr.? De novo, o tracinho: “Acabei fazendo uma brincadeira para descontrair a coletiva que foi muito mal-interpretada”. Mal interpretada e mal escrita… Acabou? Não! Uma separação silábica quântica: “Esse efeito explica como os fótons que atingem o sensor liberam elétr-ons”. Peçam pra ABL validar! Agora, a obra-prima: “Com depoimentos reais, iniciativa visa combater excesso de velocidade, uma das causas principais dos sinistros, com 2.630 vítimas fatais no Estado em 2024; 43% estavam em motos”. A pobre vítima, morre e é acusada de assassinato, mata! A patacoada é repetida no texto.
Na semana passada tinha acabado de mandar o “Implicâncias#6” e em seguida começar uma grande colheita para o próximo #7. Mandei às 4h da matina e às 4h10, lendo o jornal, começou a festa.
Começo o dia pelo “Estadãozinho” impresso. No caso, o implicante aposta que foi interferência indevida do editante, não foi obra do autor, conheço bem: “A fala aconteceu durante a Assembleia-Geral da ONU,”. Dá neles, tracinho! “Donos dizem receber ligações constantes de quem quer vender bebidas por preços muito baratos”. Mais baixos, cara-pálida. Mais uma: “implica na “convolação da principal recuperação judicial da América Latina”.”. Não é implicância, é erro mesmo: implica a, claudicante. “Tudo bem feito, sem estripulias gastronômicas.”. Texto malfeito, é tudo benfeito…
Eta nóis. a capa deixou de ser uma área nobre como se viu no #6. Na do UOL: “Subsecretário da Praia Grande (SP) pede exoneração após ser alvo no caso Ruy Ferraz”. No texto: “O subsecretário de Gestão e Tecnologia de Praia Grande (SP),”. O capeiro, além de desconhecente, não registra o que lê no texto.
Inacreditável, não prestam atenção em nada, toda vez o mesmo erro! “Segundo a PCERJ, a investigação acontecia há meses e foi iniciada após uma denúncia do Instituto Médico Legal”. Com hífen, caramba.
Não, cara-pálida! “Mulher também brocha, afirma Marcela McGowan: ‘Física e psicologicamente’”. Broxa, viste? Apesar de o “Uáiss” dizer que tem o sentido e que é preferível a broxar – que besteira, o ideal é nunca! –, o “Orélio” diz que não e tem broxar e até broxante no “Volp”
Hein??? “Coleira de pescoço faz mal aos cães? Descubra riscos e alternativas seguras”. Uólico, conte-nos quais coleiras existem que não sejam de pescoço jacques a definição delas é: “peça geralmente de couro com que se cinge o pescoço dos cães e de outros animais”.
Que crase linda! Sabiam da existência de “a” Seul? “O diálogo entre Casares e o presidente da CBF aconteceu em meio à viagem de Xaud à Seul,”. Gentem, onde isso vai parar? Repórter desgramaticado, editor idem…
Viva o g1!!! “VÍDEO: Homem invade contramão e ‘joga’ moto na direção do irmão em MG”
Segundo a Polícia Civil, o caso registrado na segunda-feira (29), em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, é investigado como tentativa de homicídio. Imagens mostram o suspeito saltando da moto instantes antes do impacto. O irmão foi atingido pelo irmão que conhece desde que nasceu, reconheceu-o e ainda assim pro vaselinista ele é suspeito!
Tem jeito não, eles não aprendem: “A medida, segundo Renan Filho, titular da pasta dos Transportes, tem como objetivo baratear o custo do documento – projeção aponta barateamento em até 80% da primeira habilitação”. Uólico, custo é preço, preço é aumentado ou diminuido, o que fica mais barato ou mais caro é um produto, viste?
“Falta de água em SP já chegou na sua casa? Envie seu relato ao UOL”. Sim! Enviando: é chegou à sua casa, viste? Oh, santa Santa…
Falta de atenção na ESPN: “Nesta quinta-feira (2), a Adidas apresentou a Trionda, apresentou a Trionda,”. É adidas… Em compensão, acertar em Trionda. Osostros acertaram na marca, erraram na esférica.
Ói um dos incorrigíveis estadônicozinhos de novo: “parte de centro comercial do Itaim-Bibi,”. Apud Santo Agostinho, “Perdoar é divino, insistir no erro é demoníaco”. Já para “alguém” com o coraçãozinho cheio de maldades, definição dada por um amigo, e longe de ser canonizado, é inhorância da grossa e desrespeito com os leitores mesmo. Não tem hífen, caramba, confiram na página da Prefeitura de São Paulo!
Oh, oh, oh, como os escribas são “sostificados”. Na Imprensa, ninguém tem – todos“possuem” – pais e parentes, são genitores – quando não progenitores – e familiares; casa-se, é contrai núpcias; morre, é vai a óbito; chega perto, é próximo. Agora, a novidade: “Enquanto isso, a oposição corre atrás da própria cauda”. Não é mais rabo!!!
Há mais procura: “Procuram-se financiadores para o passe-livre”. Procuram-se no “Estadãozinho” escribas que saibam usar hífen! Não tem, “editorialista”. Olhe a capa, lá tá certo. De novo! “Trump e o sistema de ponta cabeça”. O uso está de ponta-cabeça, aqui tem!
Viva ela! Alice Ferraz novamente salva o jornal da inhorância total: “A “química” entre Lula e Trump durante a Assembleia Geral da ONU rendeu: os dois presidentes finalmente conversaram sobre o tarifaço.”. Mas uma colega de outra área não “traçou” e errou: “Filé mignon suíno é um curinga: macio, com sabor delicado, fácil de temperar e muito versátil.”. Fílé-mignon de porco – não sou “sostificado” – é versátil desde que hifenado, viste?
Olhem o nível da vaselinice folhística: “Ele teve o celular e o relógio levados pelos suspeitos. Santos —que aparece nas imagens agredindo Pacheco— disse que passava pela rua Itambé, acompanhado da namorada, Ana Paula, e de outros dois moradores de rua, quando avistou o advogado em aparente estado de embriaguez, cambaleante e passando mal.
O suspeito afirmou ter perguntado a Pacheco se ele estava bem, momento em que o advogado teria caído sobre ele. Quando o viu no chão, Santos disse ter aproveitado para roubar o celular e o relógio dele. Em seguida, fugiu com a namorada. Santos disse ter olhado para trás durante a fuga e visto Pacheco sentado no chão, ofegante. Longe dali, afirmou ter entregado o celular a um outro morador de rua que os acompanhava, José Lucas —conhecido como Gordinho. O relógio foi entregue para um outro homem que também estava junto ao casal e ainda não foi identificado.”
Primeiro: como é possível que alguém seja assaltado por um suspeito, ainda mais identificado por imagens? Segundo: ele confessou ter cometido o crime, caramba! Que distribuiu o que roubou! Isso não é Jornalismo, é suposto jornalismo suspeito.
E o desastre continua: “Diferente do relatado por Santos, Ana Paula disse ter ficado no vale Anhangabaú,”. O suposto repórter não conhece São Paulo, é Vale do Anhangabaú! Não tem ideia do que seja um vale e nem o porquê do nome. Barrabás, o nível dos pretensos informadores está cada vez pior.
Na “Folha”: “Uma postagem numa rede social chamou atenção de defensores da causa animal,”. Tem mais coisa que chama “a” atenção, o título da matéria: “Polícia prende 3 por suspeita de esquema ilegal de venda de sangue de gatos em SP”. É só ler o texto pra saber que eles não têm nada de suspeitos, fazem parte do esquema, admitem.
Quanta criatividade!

Como diziam antigamente, o que é que etc. tem a ver com etc. se tem etc. entre etc. e etc.? Lembrou-me de uma velha gafe cometida em um jornal. Houve um crime em uma praça de nome Carlos Gomes, a redação não tinha foto do local. Publicaram uma foto de Carlos Gomes com a legenda: “Carlos Gomes, nome da praça em que foi cometido o terrível crime”.
Está definido, os escribas não sabem o significado do pronome indefinido: “Seu amigo de infância Sean Penn faz várias aparições, os dois cresceram juntos em Los Angeles, faziam parte de uma turma bem gauche que morava na praia de Malibu antes de Malibu ser o que virou hoje, um lugar exclusivo para milionários. Charlie tinha outros três irmãos, Sean mais um e Rob Lowe, amigo de escola de ambos,”. Cara-pálida, são mencionados dois amigos e nenhum irmão é, por que, então, “outros três irmãos”? Tadinha da santa… Mas ele é solidário, não deixou seus colegas do “Estadãozinho” abandonados: “em que só era bem informado quem se esforçasse para isso,”. Fique bem-informado, é bem-informado, viste?
Ô Grobo, quiéquiéisto? No SP1 um arraso: “Pra gente enxergar detalhes melhores” em vez de “Pra gente enxergar melhor os detalhes”. É só um detalhe…
Mais: “Atualizar os dados que não são atualizados desde…”; “As informações impactam no…”. Queria ver atualizar o que está atualizado… E é impactam o, escriba.
A Prefeitura de São Paulo foi solidária em um anúncio: “Milhares de empresas trouxeram suas empresas para cá!”. Lindo, não? Orna com a qualidade da administração.
SP1, de novo: “Menino morre afogado “no” Guarujá”… “Preso suspeito do assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz “na” Praia Grande”. As Câmaras Municipais deveriam pensar em acrescentar os artigos. Ah, as Assembleias Legislativas de MT e MS também…
Ainda no SP1. Como são – por gosto – emocionantes e úteis os comentários feitos pelos telespectorantes. O que seria do noticiário sem eles…
Ih, na GloboNews “dulteraram” a adulteração!

Outra, esta contribuição do Carlucho, mas o bom, o irmão da Marli, a Única:

Pra eles então 8 de Outubro é o dia da tentativa de golpe em BSB!
Caros problemáticos, não contem com ela para ajudá-los, só vai piorar a situação:

Os prloblemas é um pobrema oriundo do passeio dominical da Marli, a Única.
A Imprensa apressada. Ontem houve um desabamento no Jamile, restaurante que tem – ou será possui? – cardápio assinado por Henrique Fogaça. Pronto, começou a farra. Primeiro título na capa do UOL:

Nada como uma pessoa famosa para atiçar as veias fofoqueiras. Fogaça não é nem dono nem sócio do restaurante. Não houve explosão por vazamento de gás. E em Português é “suspeita é a de explosão de gás”. E o melhor: “suspeita-se de explosão de gás”. Jacques o assunto é restaurante, vale o “os apressados comem cru ou queimam a boca.”. Pra piorar a fofocagem ressaltam que ele é jurado de um programa de TV.
Repetindo o escrito em outro comentário, o que etc. tem a ver com etc. etc. etc.
Segundo título: “Teto de restaurante que tem Fogaça como chef desaba e deixa um morto em SP”. Corrigiram a “propriedade”, mas mantiveram a impropriedade de chamar a atenção para o fato de ele ser o chef. Do jeito que a fofocagem anda só faltou publicarem que Odete Roitman almoçou lá dia desses.
E na BandNews aconteceu o clássico “Um dos feridos foi socorrido a um pronto-socorro da região…”.
Coletânea do brogue:
“Adriana Calcanhotto abre cerimônia que marca chegada do acervo de Antônio Cícero à PUC-Rio” e a mistake abre a marca de cinco grafias erradas do nome de Antonio Cicero. Sua outra personalidade, MsC, também está presente: “que recebe o inédito título da UNESCO este ano”,”. Unesco, zifia!
Pra não deixar que passasse vexame sozinha, veio o errador: “Justiça extingue ação de petistas contra Moro por atos da Lava-Jato e ganhos políticos”; “Grupo de parlamentares do partido apontava acusava o ex-juiz de benefícios políticos e econômicos com sua conduta como magistrado”. Atinado e atilado escriba, Lava Jato (errado mais uma vez no texto); apontava ou acusava, os dois, não. “A Justiça Federal em Brasília extinguiu,”. Aqui é de, caramba! “contra o ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro.”. Sem acento, meu! Faz 11 anos que começou e eles não aprenderam!
Para inovar nos tracinhos em lugares errados, mistake conseguiu o que parecia impossível! Na sexta-feira, ao escrever o nome do dia anterior, não pôs no lugar mais óbvio de todos: “A venda dos ingressos começam na próxima quinta feira, dia 02 de outubro”. E, para completar, usou zero antes do 2 na data.
Mistake ainda não ouviu falar na reforma ortográfica: “diz Elisa Gomes, co-diretora e produtora do documentário.”. Tudo junto, atualizada editora.
Jefe, et tu desconheces a reforma?“que celebram a potência da chamada literatura afro-diaspórica.”. A expressão não consta em nenhum dicionário, mas se existisse seria afrodiaspórica, viste?
Dá-lhe, errador: “Serão veículos totalmente novos (o km),”. Zero é 0, o que pôs é “o”. “ A Polícia Civil civil terá direito a 200 unidades,”. Tem Polícia Civil que não seja civil ou baixou o MrC e ficou em dúvida qual usar?
O analfabetismo está no projeto de dois vereadores cariocas, um deles, 02: “extrema importância para conscientizar a sociedade sobre as consequências e riscos relacionados ao aborto”. E os riscos, anarfa.
Como apanham, todos eles:“Veja essa. Na semana passada, um vazamento de água na Rua Professor Gabiso,”. Adoram usar pronomes demonstrativos mas não sabem como. É esta, mistake.
Da dupla mistake/MsC: “um projeto de lei que endurece as punições a estabelecimentos flagrados com bebidas falsificadas.”. Uma linha abaixo: “De autoria do vereador Dr. Gilberto (SD), o Projeto de Lei prevê sanções diretas aos donos de bares e lojas que fabriquem,”. In dubio, pró-duas caixas… Mais uma: “No Rio, a Secretaria estadual de Saúde adquiriu kits de etanol farmacêutico,”. No caso, não há farmacêutico que tenha remédio pra cxb em Estadual.
(CACALO KFOURI)
Legenda para “O blog do Ancelmo Gois”
Jefe: ele.
Errador, Mister Caixa, Mister Crase: o editor Nelson Lima Neto
Mistake, Miss Caixa, Miss Crase: a editora Fernanda Pontes
Importante:
a santa é a Santa Inhorância, padroeira da Imprensa.

