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Ilustração: Benjamim Cafalli       

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Hífen dá surra… (Ilustração: Benjamim Cafalli)

Brasileiros e brasileiras, o pessoal das academias de Letras do Brasil e da Terrinha mudou de ideia. O bem feito no sentido de locução adverbial não existe mais, morreu. Agora vale o bem-feito, adjetivo. Benfeito, que era adjetivo, mudou pra substantivo. E bem feito, interjeição, é pra quem tem de lidar com este confuso vernáculo.                                                       

 Pisadas estadônicazinhas: “Professor da Faculdade de Direito da UERJ,”. Urge conhecer as regras, escriba, é Uerj.

Claro, eles não poderiam faltar! “O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou nesta quinta-feira, 15, a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro da sala de Estado Maior que ocupava na Superintendência da Polícia Federal (PF)”. Não se trata de comparação entre o Amazonas e Sergipe, qual o estado é maior, é Estado-Maior, cara-pálida, é o conjunto de pessoas importantes de uma  classe, profissão ou grupo. Se for termo militar, é  a reunião dos oficiais de mais alta patente. Santa, santa, que dó tenho de você…  Mais sem hífen: “que o acusou de manter seu pai em um “cativeiro” e reclamou do barulho do ar-condicionado na sala de Estado Maior.”. De novo: “O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou ontem a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da sala de Estado Maior que ocupava na Superintendência da Polícia Federal (PF)”. O pessoal do “Estadão menor” não aprende mesmo. 

Obs.: – Na GloboNews, no gerador de caracteres, primeiro apareceu Estado maior, depois Estado Maior e, finalmente, Estado-Maior.

Em legenda de foto na capa! “Acima, o Guarujá.”. É assim no mapa particular deles, com artigo que não existe. Eles não se dão bem com o litoral: para usar mesas e cadeiras em praias como Enseada e Pernambuco, no Guarujá, e Praia Grande,”. Guarujá errado, Praia Grande, certo. Não resistiu: “Ele diz que, na Praia Grande,”. Errou mais à frente. Mudou de ideia! “No Canto do Forte, em Praia Grande,”. Daí para a frente acertou todas!

Dá nele, sigla: “Em pacientes do sexo feminino, fatores não tradicionais, como dissecção espontânea da artéria coronária (DEAC),”. Deac, desconhecente. Que trabalheira: “como sair para o trabalho a partir das 6h e retornar para sua residência até 22h, (…), comparecer trimestralmente em Juízo para informar e justificar suas atividades”. Até as, escriba. Por que juízo em alta? Aqui o oposto: “Mastercard deixa de aceitar cartões de crédito will bank”; “A Mastercard parou de aceitar compras feitas por cartões de crédito do will bank, uma fintech que pertencia ao Banco Master,”. Por que em baixa se é nome? Pisante na bola: “era funcionário do Luís Roberto, ocupando cargo de diretor ou função semelhante em uma das empresas dele.”. De Luis Roberto, viste? Outra pisada: “Outra questão a ser melhor esclarecida é a da arma.”. Mais bem, caramba. E a saga continua: “A proposta da Acciona é R$ 295 milhões mais cara do que a oferecida pelo consórcio brasileiro (R$ 1,8 bilhão),”. Mais alta, escriba, proposta não é produto. 

Um folhal solidário aos estadônicozinhos: “e rebateu as críticas dos filhos do ex-presidente sobre as condições da sala de Estado Maior da PF.”.  Hifen, hífen… Tá feia a situação…“Assista filmes e séries de 2016 no streaming”. Como a gente faz pra ajudar, dá uma graninha? Assista a, folhal! Que trabalhão dá este pessoal! “Frente a esse panteão com seu novo álbum, (…). Está nítido ali um ímpeto vocal ancorado em maneirismos entre seu pop, como se tornou famosa, e a vaneira, de suas origens como cantora de banda de baile no Sul do Brasil.”. Não basta ter de ler a respeito de um disquinho muito ruim cheio de erros, tem de apontar os do texto também. Diante desse, ante esse, dificultoso. Maneira, distraído. Epa, opa! “Primo e irmãos de ministro tiveram empreendimento na fronteira entre Paraná e São Paulo”. PR e SP elevados à categoria de países! Que falta de categoria, escriba, divisa, viste?

Releia a nota, então: “Em nota ao Painel, a Secretaria de Segurança Pública de SP” e verá que nela está “da” Seg. Públ., cara-pálida.

Epa, opa, mudaram de ideia: “Obras feitas com emendas na Amazônia driblam lei de consulta a indígenas”. Finalmente caiu a ficha, Amazônia em caixa-alta! Mas aqui, pisaron en la pelota: “Para Ellen Batista, advogada da APIAM (Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas),”. Apiam, escriba.

Mudaram nada, acertaram por distração: “Projeto do Einstein promete reduzir para 15 minutos diagnóstico de malária na amazônia”. Mais pra frente a falta de noção voltou. Não, cara-pálida: “Acordo de livre comércio entre União Europeia e Brasil é assinado depois de 26 anos”. De livre-comércio, caramba. Faz 26 anos que o assunto está em pauta e não aprendeu? Errado no texto também.

A que (baixo) nível chegou-se: “A PNDD, que integra a AGU (Advocacia Geral da União),”. O folhal escreveu sem hífen apesar de em AGU haver um hiperlink que aberto leva a A AGU (Advocacia-Geral da União) é o órgão do governo federal responsável por representar judicialmente a União. Será que também trata assim a informação? Explique-se, folhoso: “O corregedor-geral de justiça,”. Por que j e não J?

Viva o irrepararante uólico: “Idoso esfaqueia revendedor da Tim após se irritar com cobranças em Pernambuco”. É TIM, rapaiz! Sigla de três letras. Dá neles hífen! A dificuldade é geral: “Ex-presidente ficará na Sala de Estado Maior da prisão, em cela de 64,8 m²”. De novo… Hífen!

Mais um patinador na maionese:“A Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu hoje o passaporte de uma advogada argentina, suspeita de ofensas raciais contra funcionário de um bar em Ipanema, na zona sul da capital fluminense”“Argentina, identificada como Agostina Paez, 29, foi flagrada praticando ofensas racistas na saída de um bar. O episódio ocorreu na quarta-feira (14), mas a suspeita só prestou depoimento hoje, quando teve o passaporte apreendido.”.“(…) De acordo com a polícia, o homem, que é funcionário do bar, informou que a argentina teria lhe apontado o dedo e proferido ofensas de cunho racial ao chamá-lo de “negro” de forma pejorativa e discriminatória,”

“Parte da confusão foi registrada em vídeo e as imagens mostram a argentina imitando gestos de macaco e reproduzindo sons do animal para a vítima. Ela também proferiu a palavra “mono”, expressão em espanhol para se referir a macaco de forma racista”.

 Foi devido a textos desta espécie que o título mudou de “Implicâncias” para “Intolerâncias”.

É inaceitável que alguém que se diz jornalista não ligue lé com cré como fez o uólico.Suspeita de ofensas raciais” e “foi flagrada praticando ofensas racistas na saída de um bar.”. Suspeita e flagrada??? “De acordo com a polícia,, o homem, que é funcionário do bar, informou que a argentina teria”. Teria? Quer dizer que a polícia não tem certeza a respeito do que o homem informou e ele tem? Tudo registrado, “confusão foi registrada em vídeo e as imagens mostram a argentina imitando gestos de macaco e reproduzindo sons do animal para a vítima. Ela também proferiu a palavra “mono”” e ela é suspeita??? Tenho certeza que o escriba está na profissão errada.

Mais um ruim d+: “Uma nota publicada nas redes sociais do evento afirma que o PM teria se envolvido em uma discussão com outros policiais. Porém, o relato oficial da Polícia Militar, encaminhado em nota ao UOL, aponta que aconteceu ao menos duas situações:”. Escorrega no fato e no vernáculo. Será que um dia descobrirá que afirma e teria são água e óleo? E que duas é plural, então aconteceram? Péssimo d+: “O jovem também terá de pagar fiança no valor de cinco salários-mínimos e teve seu direito de dirigir suspenso.”. Não sabe a diferença que há entre um ortográfico e um léxico. Ô, incompetente, com hífen é quem ganha mal, viste? Deixei de apontar os vários “suspeito” de quem não é.

Não tem jeito, o QI de ostra apossou-se do “UOL”. No título: “Homem é morto com tiro de sniper após fazer ex-esposa refém em SP”. No texto:“Armado, o suspeito pulou o muro da casa da mãe da ex-esposa na tarde de ontem, informaram testemunhas à polícia. A ex do suspeito foi usada como escudo em alguns momentos de negociação, (…).  Tiro de sniper foi dado após “homem se mostrar irredutível”, segundo a polícia. O major Oliveira Junior, do Grupo de Ações Táticas Especiais, afirmou que o homem estava nervoso e que, após ser baleado, ele morreu no local. A ex-esposa do homem e a mãe dela foram baleadas durante o sequestro. Segundo o irmão da vítima, os tiros contra a idosa foram disparados pelo suspeito, antes da chegada da polícia.”. Nem precisa comentar, né? Não tem sniper que dê jeito…

E aí, São Paulo, tudo bem? “São Paulo responde Corinthians e pede R$ 1,5 milhão para o empréstimo de Alisson”. Corinthians!!! E não venham com a história velha de que não se usa artigo em títulos! Quando aconteceu? “Mulher de Moraes atua em caso enviado pela Justiça Federal de SP a Toffoli no STF”. Cara-pálida, quando o estado de SP foi elevado à categoria de país? JF “em” SP! Errado no texto também. De novo! “A Polícia Científica e o IML (Instituto Médico Legal) foram acionados e o caso ficou sob responsabilidade da Polícia Militar”. Hífen pra ficar legal nem a pau… Ignaros convictos.

O uólico capeiro não consegue nem copiar:CVM denuncia Miguel Gutierrez e mais 29 por fraude nas Americanas”. Na matéria cujo título “capou”: “CVM denuncia Miguel Gutierrez e mais 29 por fraude na Americanas”

E Xandão também falhou! “Determino a imediata transferência de Jair Messias Bolsonaro da Sala de Estado Maior da Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal para a Sala de Estado Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar do DF (PMDF),”. Eu, do alto de minha autoridade mirandeira, determino a hifenação de todos os Estado-Maior! Cumpra-se!

Geúnico, atenção: “Em determinado momento, os três se envolveram em uma discussão no interior do estabelecimento e uma equipe da Guarda Civil foi acionada.”. O nome da instituição não tem hífen. Já seus componentes merecem o adorno: “No boletim de ocorrência consta que os guardas civis que foram acionados”. Guardas-civis, viste? Erro repetido mais à frente no texto. Tá loco, sô! “(…) Nas imagens, obtidas pela TV Globo, é possível ver as vítimas sentadas em uma mesa,”. Não, ignaro, a uma mesa, é falta de educação sentar em. Senta-se em cadeia, seus pais não ensinaram? “A Guarda Municipal foi acionada para atender uma ocorrência com uma pessoa armada. “No entanto, ao chegarem no restaurante,”. Ao, cara-pálida, ao!

Dá nele, hífen! “prevê uma proteção contra imitações de alguns alimentos que são considerados tradicionais dos países membros dos dois blocos e propriedade intelectual deles.”. Países-membros, cara-pálida. “Para entrar no acordo, a Estado precisa solicitar o acréscimo do item na lista de proteção.”. “a” Estado? No compriendo. Mais um apanhando do tracinho: “Com isso, a rodovia foi interditada e o Instituto Médico Legal (IML) chegou a ser acionado para a remoção do corpo.”. Médico-Legal, escriba ilegal. Não foi só o Pix: “PIX fora do ar? Clientes de diversos bancos reclamam nas redes sociais”. O geúnico também está fora, mais um dos que não notaram como se escreve certo. Hein??? “Trump ameaça taxar vinhos franceses para pressionar Macron a aderir Conselho”. Colar o Conselho onde, cara-pálida? Ao Conselho, caramba.

Junção da inhorância com a dãããzância. No título: “VÍDEO: homem ateia fogo em estátua do Cristiano Ronaldo na ilha da Madeira”. Na linha fina: “Estátua do jogador de futebol português fica em frente a museu privado dedicado à sua carreira em Funchal. Suspeito foi ‘interceptado’ e encaminhado para receber ajuda psiquiátrica, afirmou a polícia da Madeira.”. Carente, ateia a! Se o incendiário foi gravado, interceptado, encaminhado para receber ajuda, onde está a possibilidade de suspeição??? Geúnico, o acordo ainda não está garantido:“O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia”. Mas um fato está, tem hífen! 

Não, Casão: “Não tem velocidade para acompanhar o atacante, mas o pior é a demora para tomar uma decisão, como foi no segundo gol do John John contra o Bragantino”. Deve ser assim, mas é Jhon Jhon, agá deslocado que nem o daquele sinistro ministro. A diferença está em que o ministro atrapalhou o país e Jhon Jhon acabou com o Coringão…

Jornalistas&Cia pisando na bola de novo: “E das 7h até às 10h a apresentação será de Evandro Cini e Beatriz Frehner,”. Cara-pálida, uma coisa é das 7h às 10h, outra é das 7h até as 10h, viste?

 No SP1: “Foi socorrido ao Samed.”. Barrabás, Zi Globe, Faustão com cada vez mais razão, “Padrão Globo de Babaquice”? No, caramba! No “Jornal da 18h”, dia 18,“O trem foi atingido por outro que vinha na direção contrária.”. Não, locutante, no sentido contrário. De novo no “Jornal Hoje”, dia 19: “,“O trem foi atingido por outro que vinha na direção oposta.”. Uau!

 Em outro “SP1”: “Bem na divisa entre São Paulo e Embu-Guaçu”. Limite, falante, divisa é entre estados.

  Aviso aos leitorantes!

Confesso que desisti! Não adianta perder tempo – o meu e o de vocês – apontando erros dos broguistas do “Blog do Ancelmo Gois”. São sempre os mesmos, quando não aparecem piores – desde que comecei a apontá-los em janeiro de 2015, ainda n’ “O Globo” impresso. Depois que se transformou em brogue o desastre cresceu.

Continuarei a ler, muitas vezes traz informações exclusivas, mas só voltarei a apontar erros se forem do gênero acachapante.

Mas não quer dizer que, de vez em quando, não possa bater uma saudadezinha…

Jefe: Ancelmo Gois
Miss Caixa/mistake: Fernanda Pontes
Mister Caixa/errador: Nelson Lima Neto

 Este é do tipo ai donte bélive. E é do jefe, o dono do brogue. No título: “Saiu nova ordem de citação de Ratinho na ação aberta por Chico Buarque”.  Na linha fina: Cantor diz que apresentou vinculou sua atuação política a recursos recebidos via Lei Rouanet”. Hein??? Jefe, pra que ajuda pra errar? Desliga o corretor, caramba, sabe errar sozinho (na verdade, com ajuda de um de seus editores…). É apresentador, viste? De novo? “entrou com uma ação judicial contra a concessionária Igua Rio,”. Iguá, jefe.

Ó outro, este do errador: “Leonardo Espíndola assina representa o Rubro-negro na Justiça desde o início do ano”. Da mesma espécie da do jefe, a diferença é que esse é copia e cola que faiô. Tira o assina, errodendante. Na capa e ninguém nota! No brogue é “Caiu na rede, azar do leitor!”. No título do errador: “Cidade do Rio recebeu 12,5 milhões de turistas em 2025, equivalente a ‘uma Bolívia’”. Na linha fina: “Desse total, foram 10,5 milhões de visitantes nacionais e 2,1 milhões de estrangeiros”. A menos que a Aritmética tenha mudado, a soma dá 12,6 milhões. A diferença veio de Marte, errador? Errador, atenção: “tendo como principais países de origem dos hóspedes os Estados Unidos, França e Reino Unido.”. Tira o “os” ou ponha os artigos adequados, viste? Errador/MrC, e aí? “Trabalhar nos pontos turísticos aos sábados e domingo não tem compensado para os agentes”. Só um domingo? “Como se sabe, o projeto cria um policiamento ostensivo em bairros da capital e cidade do Estado,”; “Isso porque tem dado muita dor de cabeça trabalhar nas áreas próximas às praias do estado,”. E ou e? A dupla, de novo: “incluindo multas cont(R)atuais e juros. O caso tramita em segredo de (J)justiça.”. É multa quando não se consegue trocar msgs, errador?

Ele voltou. Como sempre… “O trabalho do Ginga-UFF inovou ao utilizar mídias independentes e veículos focados em questões étnico-raciais como fontes principais,”. É um temporário contínuo na erração. Etnorraciais, viste?

 (CACALO KFOURI)

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