Santo remédio. Coluna Mário Marinho

SANTO REMÉDIO

Sabe, não me lembro de ter visto palmeirenses e são-paulinos passando por fase tão terrível quanto a de agora. É uma situação trágica.

Vamos falar do São Paulo.

O inferno astral do Tricolor já dura anos.

Seu último título de campeão paulista foi em 2005; três anos depois, em 2008, conquistou seu último Brasileirão. O último troféu de importância foi a Copa Sul-Americana, em 2012.

Já faz, portanto, um tempinho que a torcida tricolor não solta o grito de campeão.

Mas não é só este o problema.

No ano passado, o Tricolor teve como técnicos: Muricy Ramalho, Juan Carlos Osório, Doriva. Entre um e outro, também passou Milton Cruz, eterno auxiliar técnico.

Este ano, veio o argentino Edgard Bauza.

Em tempos idos e melhores, o cargo de técnico do São Paulo era o menos ameaçado do mercado. Dificilmente o Tricolor dispensava um técnico antes do fim de seu contrato. Pelo contrário, normalmente, até renovava o contrato.

Mas, agora, nem presidente cumpre todo o mandato, como vimos com Carlos Miguel Aidar, outrora um nome muito forte no mundo tricolor, que saiu sob suspeita de corrupção.

Assim, onde está a solução para um time (não vamos falar do clube todo) que não consegue jogar, que não vence, que não convence, que não alegra seu torcedor?

As coisas com o time do São Paulo andam tão esquisitas que o artilheiro do time é o meia Ganso, que nunca se notabilizou por gols, mas sempre por jogadas criativas, de craque que se mostrou ser – e que parece não ser mais.

O técnico Edgardo Bauza começou seu trabalho neste ano. É ainda pouco tempo para cobrar resultados brilhantes. Mas, também, já passou um tempinho para, pelo menos, poder notar que o Tricolor tem uma proposta de jogo.

É, são-paulino, vai ser preciso muita paciência.

Lá no Verdão, as coisas não são muito diferentes.

O presidente Paulo Nobre colocou as finanças do clube em dia e começou a contratar jogadores. Foram 35 nos últimos três anos.

Neste mesmo intervalo de tempo, o único título conquistado foi a Copa do Brasil, em 2015.

Só para lembrar, o último Paulistão foi em 2008 e o último Brasileirão, em 2013, mas da Série B.

Quando contratou o técnico Marcelo Oliveira, que havia levado o Cruzeiro ao bi do Brasileirão, esperava-se que, enfim, o Verdão teria trabalho a longo prazo.

Marcelo recebeu jogadores aos montes. Mas, em troca, não deu ao torcedor um time. Foram escalações que não se repetiam, esquema de jogo infrutífero e, finalmente, a demissão após nove meses de trabalho.

Ganhou a Copa do Brasil, é verdade, que colocou o time na Libertadores.

Mas, na disputa da sonhada Copa, é um vexame atrás do outro.

Chegou então o competente Cuca.

Na estreia, um desastre: derrota para o Nacional, em Montevidéu.

Não que ganhar lá fosse moleza, mas seria uma vitória emblemática que poderia dar novas forças ao time.

Então, voltamos ao Paulistão para jogar contra o Audax, em Osasco.

Vitória?

Que nada, o Palmeiras perdeu e ainda levou um baile deste Barcelona caboclo que colocou o time do Verdão na roda em suas trocas de passes durante o jogo todo.

Após a derrota, 2 a 1, o técnico Cuca ouviu gritos da torcida: “Volta pra China!”

Mas já?, perguntou Cuca incrédulo.

Vai precisar de muito remédio.

Nem Messi.

Conversando com amigos em Brasília, o deputado Alberto Fraga (DEM-DF) disse que o impeachment já tem os votos necessários. Um dos amigos perguntou:

– Mas, e se o Lula entrar na jogada?

Fraga disparou sem pestanejar.

– Vai adiantar nada. É como contratar o Messi para jogar no Ibis.

O pernambucano Ibis, como se sabe, se orgulha de ter o título de pior time do mundo.

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FOTO SOFIA MARINHO
MARIO MARINHO

Mario Marinho É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, nas rádios 9 de Julho, Atual e Capital. Foi duas vezes presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo). Também é escritor. Tem publicados Velórios Inusitados e O Padre e a Partilha, além de participação em  livros do setor esportivo

A COLUNA MÁRIO MARINHO É PUBLICADA TODAS AS SEGUNDAS E QUINTAS AQUI NO CHUMBO GORDO.

… e sempre que tiver alguma novidade

3 thoughts on “Santo remédio. Coluna Mário Marinho

  1. São Paulo e Palmeiras estão mortos. A diferença é que o Palestra já conhece o caminho da segundona, de olhos fechados. Para o Tricolor é um rumo ainda inédito, mas o elenco está se esforçando para desbravá-lo. O sucesso em modalidades coletivas depende diretamente da solidariedade. Vide Corinthians, que tem sido exemplar nesse quesito. Panelinhas formadas por três ou quatro imbecis metidos a estrelinha, destroem qualquer time. Telê colocaria as bonecas para correr. Dentro de campo ou pra rua.

    1. Concordo Ary.
      Dia desses, o goleiro são-paulino, Denis, que me parece um cara sério, disse em entrevista coletiva que a solução para o São Paulo passa em total mudança de atitude dos jogadores. Só que entra jogo e sai jogo, não vejo nenhuma mudança de atitude.
      Abraços,
      MMarinho.

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