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	Comentários sobre: Marginalidade e perda do Prêmio Nobel. Por Meraldo Zisman	</title>
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		Por: RedFox		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[RedFox]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Sep 2021 19:39:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Prezado. Apreciei teu artigo. É uma boa contribuição ao tema. Como creio não se tratar, o Sr., de profissional das ciências humanas e sociais, gostaria de apenas adicionar aqui uma e outra palavrinhas. Vale lembrar que, do ponto de vista sociológico (a heterogeneidade das teorias sociológicas constitui licença permissora do termo aqui), o &#039;homem marginal&#039; não é, na maioria das vezes, nem o &#039;borderline&#039; que involuntariamente se distancia da média sociocultural local, nem o &#039;outsider&#039; que voluntariamente deseja abandonar tal média, seja por que meio ou razão ele o tentar fazer: é sobretudo alguém não reconhecido como um igual pelos &#039;insiders&#039;. A transição, completa ou incompletamente realizada, entre grupos sociais, econômicos ou culturais distintos, ou mesmo o que julgamos ser o espaço possível dessa transição no mundo moderno (na sociedade indiana, a impossibilidade de efetuar qualquer transição entre castas, por exemplo, afasta esse caso do que aqui se discute, mas justifica a conclusão), não me parecem, pois, ser aquilo que faz do &#039;homem marginal&#039; um marginalizado. Sem desconsiderar o valor analítico dessas transições ou mesmo do conceito central, o mais importante, penso, é o fato de que o &#039;homem marginal&#039; é interpretado, em seus valores, julgados bons ou maus conforme o caso, por quem não partilha deles, não vive com eles e, na maioria das vezes, pouco os entende. Dizendo mais simplesmente: no mundo moderno, marginal é o invisível que a cegueira alheia se recusa a identificar como algo que merece nossos olhos. A marginalidade, do &#039;louco&#039;, do criminoso ou do exótico que nos assusta, para larga maioria dos casos em nossas sociedades modernas, constitui-se de um sedimento de preconceitos e ideologias prontas, da estreiteza de um pensamento coletivo cada mais intolerante e, eventualmente, de sentimentos difusos de inferioridade e estranhamento em face de um &#039;outro&#039; que disputa recursos finitos ou apenas põe nossos modos práticos e certezas metafísicas em risco permanente, por destes diferir, oferecendo-nos - veja só! - uma alternativa significativa ao que somos. É claro que o &#039;homem marginal&#039; que nos agride, rouba ou mata, deve ser punido, porque &#039;marginalidade&#039;, em seu caso, é o que contraria exatamente o princípio elementar da sociabilidade, qual seja, o de que as sociedades só existem porque seus membros, internamente, cooperam entre si. Mas este é um caso extremo. Que, mesmo assim, serve ao propósito de nos pôr a pensar sobre nossos limites, nossas certezas e nossa ideia de justiça, bem como da justiça da divisão desigual das riquezas que geramos. No fundo, definir o que é marginal serve especialmente para nos ajudar a entender melhor o que definimos como nós mesmos, ou seja, como aquilo que é &#039;normal&#039;...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Prezado. Apreciei teu artigo. É uma boa contribuição ao tema. Como creio não se tratar, o Sr., de profissional das ciências humanas e sociais, gostaria de apenas adicionar aqui uma e outra palavrinhas. Vale lembrar que, do ponto de vista sociológico (a heterogeneidade das teorias sociológicas constitui licença permissora do termo aqui), o &#8216;homem marginal&#8217; não é, na maioria das vezes, nem o &#8216;borderline&#8217; que involuntariamente se distancia da média sociocultural local, nem o &#8216;outsider&#8217; que voluntariamente deseja abandonar tal média, seja por que meio ou razão ele o tentar fazer: é sobretudo alguém não reconhecido como um igual pelos &#8216;insiders&#8217;. A transição, completa ou incompletamente realizada, entre grupos sociais, econômicos ou culturais distintos, ou mesmo o que julgamos ser o espaço possível dessa transição no mundo moderno (na sociedade indiana, a impossibilidade de efetuar qualquer transição entre castas, por exemplo, afasta esse caso do que aqui se discute, mas justifica a conclusão), não me parecem, pois, ser aquilo que faz do &#8216;homem marginal&#8217; um marginalizado. Sem desconsiderar o valor analítico dessas transições ou mesmo do conceito central, o mais importante, penso, é o fato de que o &#8216;homem marginal&#8217; é interpretado, em seus valores, julgados bons ou maus conforme o caso, por quem não partilha deles, não vive com eles e, na maioria das vezes, pouco os entende. Dizendo mais simplesmente: no mundo moderno, marginal é o invisível que a cegueira alheia se recusa a identificar como algo que merece nossos olhos. A marginalidade, do &#8216;louco&#8217;, do criminoso ou do exótico que nos assusta, para larga maioria dos casos em nossas sociedades modernas, constitui-se de um sedimento de preconceitos e ideologias prontas, da estreiteza de um pensamento coletivo cada mais intolerante e, eventualmente, de sentimentos difusos de inferioridade e estranhamento em face de um &#8216;outro&#8217; que disputa recursos finitos ou apenas põe nossos modos práticos e certezas metafísicas em risco permanente, por destes diferir, oferecendo-nos &#8211; veja só! &#8211; uma alternativa significativa ao que somos. É claro que o &#8216;homem marginal&#8217; que nos agride, rouba ou mata, deve ser punido, porque &#8216;marginalidade&#8217;, em seu caso, é o que contraria exatamente o princípio elementar da sociabilidade, qual seja, o de que as sociedades só existem porque seus membros, internamente, cooperam entre si. Mas este é um caso extremo. Que, mesmo assim, serve ao propósito de nos pôr a pensar sobre nossos limites, nossas certezas e nossa ideia de justiça, bem como da justiça da divisão desigual das riquezas que geramos. No fundo, definir o que é marginal serve especialmente para nos ajudar a entender melhor o que definimos como nós mesmos, ou seja, como aquilo que é &#8216;normal&#8217;&#8230;</p>
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		<title>
		Por: CARLOS BEZERRA CAVALCANTI		</title>
		<link>https://www.chumbogordo.com.br/marginalidade-e-perda-do-premio-nobel-por-meraldo-zisman/#comment-62672</link>

		<dc:creator><![CDATA[CARLOS BEZERRA CAVALCANTI]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Sep 2021 19:32:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Muito bom, meu amigo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito bom, meu amigo.</p>
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