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	Comentários sobre: Não chamem mais o seu nome. Por Marli Gonçalves	</title>
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	<description>Informação. Opinião. Pensamento.</description>
	<lastBuildDate>Sun, 22 Jan 2023 14:29:30 +0000</lastBuildDate>
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		<title>
		Por: Myrthes Suplicy Vieira		</title>
		<link>https://www.chumbogordo.com.br/nao-chamem-mais-o-seu-nome-por-marli-goncalves/#comment-85298</link>

		<dc:creator><![CDATA[Myrthes Suplicy Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Jan 2023 14:29:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Concordo em gênero, número e grau com sua proposta. Aliás, muito antes de terminado o desgoverno do i.i. (ignaro ignóbil, como o define Cacalo Kfouri) postei na minha página do Facebook um desafio: escrever um texto com no mínimo 10 linhas sobre qualquer ângulo da realidade brasileira sem citar direta ou indiretamente essa deplorável figura. Ninguém conseguiu. Na época, pelo menos 7 das 10 principais manchetes dos jornais brasileiros registravam as sandices e grosseiras do indigitado. O acúmulo tóxico de tanto chorume envenenou nossas almas mais do que gostaríamos de admitir e agora nos é particularmente difícil nos livrarmos do desejo de repisarmos o sofrimento que enfrentamos nas mãos de nosso &quot;ex&quot;.  Olhar todos os dias para trás só aumenta o risco de nos transformarmos em um exército de estátuas de sal, sem ânimo para a necessária reconstrução.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Concordo em gênero, número e grau com sua proposta. Aliás, muito antes de terminado o desgoverno do i.i. (ignaro ignóbil, como o define Cacalo Kfouri) postei na minha página do Facebook um desafio: escrever um texto com no mínimo 10 linhas sobre qualquer ângulo da realidade brasileira sem citar direta ou indiretamente essa deplorável figura. Ninguém conseguiu. Na época, pelo menos 7 das 10 principais manchetes dos jornais brasileiros registravam as sandices e grosseiras do indigitado. O acúmulo tóxico de tanto chorume envenenou nossas almas mais do que gostaríamos de admitir e agora nos é particularmente difícil nos livrarmos do desejo de repisarmos o sofrimento que enfrentamos nas mãos de nosso &#8220;ex&#8221;.  Olhar todos os dias para trás só aumenta o risco de nos transformarmos em um exército de estátuas de sal, sem ânimo para a necessária reconstrução.</p>
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		<title>
		Por: Marli Gonçalves		</title>
		<link>https://www.chumbogordo.com.br/nao-chamem-mais-o-seu-nome-por-marli-goncalves/#comment-85289</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marli Gonçalves]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Jan 2023 22:46:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://www.chumbogordo.com.br/nao-chamem-mais-o-seu-nome-por-marli-goncalves/#comment-85287&quot;&gt;RedFox&lt;/a&gt;.

Boa!!!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://www.chumbogordo.com.br/nao-chamem-mais-o-seu-nome-por-marli-goncalves/#comment-85287">RedFox</a>.</p>
<p>Boa!!!</p>
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			</item>
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		<title>
		Por: RedFox		</title>
		<link>https://www.chumbogordo.com.br/nao-chamem-mais-o-seu-nome-por-marli-goncalves/#comment-85287</link>

		<dc:creator><![CDATA[RedFox]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Jan 2023 20:08:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Desde que Wittgenstein – « o último filósofo », como afirmam alguns – decretou no seu « Tractatus Logico-Philosophicus », publicado nos anos 1920, que « do que não se pode falar, deve-se calar », o tema do não exprimível (linguisticamente) ronda nossa imaginação. « L&#039;Innommable », obra extraordinária com que Beckett termina nos anos 1950 sua famosa trilogia do pós-Guerra, também faz referência ao mal-estar que disso decorre. Seria a experiência humana, afinal, algo em si mesmo tão irredutível e sui-generis, fenomenológica e semanticamente, que se tornaria impossível dizê-la, conferir-lhe sentido ? Para Beckett, o inominável é aquilo que, exatamente por não se revelar inteligível, exige ser dito – ainda que dito nos termos e condições com que nossa existência e nosso saber nos limitam, o que pode significar que o dizer vale mais que o dito… Nada a dizer é muito diferente de não ter como dizer, afinal… Por isso, « inominável » não é o que não se deve dizer, por moralismo consensual ou inépcia cognitiva, mas o que não se pode dizer, por impossível nos limites do que compreendemos.

Decorrem daí inúmeras perguntas sem resposta (ou com respostas demais…), mas uma, em particular, interessa-nos de perto : se é verdade que há algo que existe, mas não somos capazes de dizer (e, por isso, lembra Wittgenstein, não devemos tentar fazê-lo), haveria algo que, uma vez eliminado da linguagem por vontade nossa deixaria de existir (para nós ou para os outros) ? Há tantas tentativas de circunscrever disciplinarmente esse tipo de questão na filosofia contemporânea que só de pensar nelas já cansa. No entanto, há algo que podemos dizer aqui, sem medo de revoltar muito os professores de filosofia : os domínios do « que se pode » e do « que se deve » não sendo um mesmo, resulta que, se no primeiro caso obedecemos aos nossos próprios limites cognitivos ou morais, no segundo, são nossas escolhas e convenções comuns a nos pautar – e, portanto, suprimir intencionalmente algo da linguagem pode legitimamente não apenas decorrer de e conduzir ao esquecimento do que nos faz mal (e exclusivamente pelo fato de fazer mal), mas também (o que parece mais importante) à « decisão de esquecer », de banir, de relegar ao nada para que, como nada, aquilo se realize e assim permaneça. è uma decisão.

É nesse sentido que a proposta aqui explicitada de não mais dizer, ou escrever, ou mesmo aludir extra-linguisticamente, tendo por objeto o ser miserável que, por quatro anos, destruiu o país, parece-me não apenas saudável para uma sociedade que se quer reconstruir, mas também necessária aos que precisam reconfigurar um novo modo de existir no Brasil hoje – um novo modo de pensar sobre limites, objetivos e modos para um governo que, instalado no pós-trauma, tem como tarefa curar, apaziguar, « normalizar o normal », digamos. A sociedade brasileira já está farta da normalização do crime, da impostura, do terror, do ódio. Normalizar o silêncio, que deveria ocupar o lugar desse nome e dessa memória (neste sentido) inomináveis, parece-me um bom começo. Resta saber se a Imprensa brasileira, como conjunto heterogêneo que é, está disposta ao mesmo esforço coletivo. E se o próprio governo atual também está. (Às vezes, parece preciso lembrar e dizer o mal, nem que seja para relembrar o quanto são bons os que se lembram do mal e o dizem como advertência, se é que me faço entender…)

Gostei, pois, da proposta. Aqui em casa, garanto que ninguém mais se refere àquilo. Aliás, já faz tempo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde que Wittgenstein – « o último filósofo », como afirmam alguns – decretou no seu « Tractatus Logico-Philosophicus », publicado nos anos 1920, que « do que não se pode falar, deve-se calar », o tema do não exprimível (linguisticamente) ronda nossa imaginação. « L&#8217;Innommable », obra extraordinária com que Beckett termina nos anos 1950 sua famosa trilogia do pós-Guerra, também faz referência ao mal-estar que disso decorre. Seria a experiência humana, afinal, algo em si mesmo tão irredutível e sui-generis, fenomenológica e semanticamente, que se tornaria impossível dizê-la, conferir-lhe sentido ? Para Beckett, o inominável é aquilo que, exatamente por não se revelar inteligível, exige ser dito – ainda que dito nos termos e condições com que nossa existência e nosso saber nos limitam, o que pode significar que o dizer vale mais que o dito… Nada a dizer é muito diferente de não ter como dizer, afinal… Por isso, « inominável » não é o que não se deve dizer, por moralismo consensual ou inépcia cognitiva, mas o que não se pode dizer, por impossível nos limites do que compreendemos.</p>
<p>Decorrem daí inúmeras perguntas sem resposta (ou com respostas demais…), mas uma, em particular, interessa-nos de perto : se é verdade que há algo que existe, mas não somos capazes de dizer (e, por isso, lembra Wittgenstein, não devemos tentar fazê-lo), haveria algo que, uma vez eliminado da linguagem por vontade nossa deixaria de existir (para nós ou para os outros) ? Há tantas tentativas de circunscrever disciplinarmente esse tipo de questão na filosofia contemporânea que só de pensar nelas já cansa. No entanto, há algo que podemos dizer aqui, sem medo de revoltar muito os professores de filosofia : os domínios do « que se pode » e do « que se deve » não sendo um mesmo, resulta que, se no primeiro caso obedecemos aos nossos próprios limites cognitivos ou morais, no segundo, são nossas escolhas e convenções comuns a nos pautar – e, portanto, suprimir intencionalmente algo da linguagem pode legitimamente não apenas decorrer de e conduzir ao esquecimento do que nos faz mal (e exclusivamente pelo fato de fazer mal), mas também (o que parece mais importante) à « decisão de esquecer », de banir, de relegar ao nada para que, como nada, aquilo se realize e assim permaneça. è uma decisão.</p>
<p>É nesse sentido que a proposta aqui explicitada de não mais dizer, ou escrever, ou mesmo aludir extra-linguisticamente, tendo por objeto o ser miserável que, por quatro anos, destruiu o país, parece-me não apenas saudável para uma sociedade que se quer reconstruir, mas também necessária aos que precisam reconfigurar um novo modo de existir no Brasil hoje – um novo modo de pensar sobre limites, objetivos e modos para um governo que, instalado no pós-trauma, tem como tarefa curar, apaziguar, « normalizar o normal », digamos. A sociedade brasileira já está farta da normalização do crime, da impostura, do terror, do ódio. Normalizar o silêncio, que deveria ocupar o lugar desse nome e dessa memória (neste sentido) inomináveis, parece-me um bom começo. Resta saber se a Imprensa brasileira, como conjunto heterogêneo que é, está disposta ao mesmo esforço coletivo. E se o próprio governo atual também está. (Às vezes, parece preciso lembrar e dizer o mal, nem que seja para relembrar o quanto são bons os que se lembram do mal e o dizem como advertência, se é que me faço entender…)</p>
<p>Gostei, pois, da proposta. Aqui em casa, garanto que ninguém mais se refere àquilo. Aliás, já faz tempo.</p>
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		Por: Marli Gonçalves		</title>
		<link>https://www.chumbogordo.com.br/nao-chamem-mais-o-seu-nome-por-marli-goncalves/#comment-85274</link>

		<dc:creator><![CDATA[Marli Gonçalves]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Jan 2023 20:59:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://www.chumbogordo.com.br/nao-chamem-mais-o-seu-nome-por-marli-goncalves/#comment-85273&quot;&gt;Famigerado&lt;/a&gt;.

Obrigada!!! Beijão.. e... bom dia, boa tarde, boa noite!!!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://www.chumbogordo.com.br/nao-chamem-mais-o-seu-nome-por-marli-goncalves/#comment-85273">Famigerado</a>.</p>
<p>Obrigada!!! Beijão.. e&#8230; bom dia, boa tarde, boa noite!!!</p>
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		<title>
		Por: Famigerado		</title>
		<link>https://www.chumbogordo.com.br/nao-chamem-mais-o-seu-nome-por-marli-goncalves/#comment-85273</link>

		<dc:creator><![CDATA[Famigerado]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Jan 2023 20:26:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Marli Gonçalves, sigo e transmito seu conselho.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Marli Gonçalves, sigo e transmito seu conselho.</p>
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