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	Comentários sobre: Pra quem é, tá de bom tamanho. Por Myrthes Suplicy Vieira	</title>
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	<description>Informação. Opinião. Pensamento.</description>
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		Por: msuplicy		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[msuplicy]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jan 2024 18:27:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://www.chumbogordo.com.br/pra-quem-e-ta-de-bom-tamanho-por-myrthes-suplicy-vieira/#comment-92931&quot;&gt;RedFox&lt;/a&gt;.

Interessantes suas reflexões. Também não sei a resposta, mas sempre voltam à minha mente duas referências e visões de mundo diferentes: a primeira, de Fernando Henrique Cardoso, que dizia que a missão do governo era implementar a solução &quot;possível&quot; (o que me incomodava profundamente, embora considerasse o raciocínio correto, já que pé no chão), e a segunda, da teoria japonesa da Qualidade Total, que definia que a qualidade (ou suficiência, no caso) é definida pela satisfação plena do usuário - mas lembrando que essa é uma medida pobre, considerando que o consumidor é um alvo móvel (o que é suficiente/satisfatório hoje não o será amanhã) e a concorrência nunca está morta, sempre à procura de estabelecer novos paradigmas. Talvez a busca de soluções imperfeitas suficientes, como você sugere seja, afinal, a resposta mais sábia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://www.chumbogordo.com.br/pra-quem-e-ta-de-bom-tamanho-por-myrthes-suplicy-vieira/#comment-92931">RedFox</a>.</p>
<p>Interessantes suas reflexões. Também não sei a resposta, mas sempre voltam à minha mente duas referências e visões de mundo diferentes: a primeira, de Fernando Henrique Cardoso, que dizia que a missão do governo era implementar a solução &#8220;possível&#8221; (o que me incomodava profundamente, embora considerasse o raciocínio correto, já que pé no chão), e a segunda, da teoria japonesa da Qualidade Total, que definia que a qualidade (ou suficiência, no caso) é definida pela satisfação plena do usuário &#8211; mas lembrando que essa é uma medida pobre, considerando que o consumidor é um alvo móvel (o que é suficiente/satisfatório hoje não o será amanhã) e a concorrência nunca está morta, sempre à procura de estabelecer novos paradigmas. Talvez a busca de soluções imperfeitas suficientes, como você sugere seja, afinal, a resposta mais sábia.</p>
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		Por: RedFox		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[RedFox]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jan 2024 15:05:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Até por não ter frequentado as (belicosas ?) séances dos espíritas, não me sinto em condições de psicografar e compreender plenamente Epicuro. Por isso mesmo, e apesar da enigmática obviedade de seu famoso aforismo, a pergunta que sempre habitou minha imaginação foi a reversa : e quando o suficiente já basta, ao menos por ora? Deve-se ou não ir além? A pergunta, apesar de tudo, não é idiota. O desejo irrefletido de tudo superar o tempo todo, de nunca se contentar com o que não seja perfeito, de - enfim - vivenciar a divindade ou se pôr em vestes de Sujeito Transcendental (desejo do kantiano avant la lettre ?), não é em nada irrelevante, seja para a psicanalista atenta aos delírios narcísicos alheios, seja ao cientista social que lida com a desejada - e por vezes impossível - convivência pública saudável. Quem é, como eu, profissionalmente exigido para responder ao Poder sobre até onde deve a política pública chegar, sobre se deve propor soluções apenas suficientes para a momentânea eliminação de contendas de grupos sociais/culturais distintos danosas à convivialidade em espaços comuns, ou se, por outro lado, deve trabalhar para a permanente eliminação das causas (políticas, costumeiras, históricas) do conflito que se apresenta publicamente, ameaçando a sensação de bem-estar social, sabe que a escassez dos recursos públicos costuma trabalhar em favor de soluções medianas que, no entanto, deveriam resolver, e não apenas maquiar, problemas muito mais longevos e resistentes que os governos que vão se perdendo no tempo. Nunca consegui uma boa resposta ao problema que essa situação apresenta. Tanto quanto posso, e meus limitados conhecimentos profissionais me permitem, tento aconselhar decisores públicos (atualmente enlouquecidos com as repercussões locais de temas hoje mundialmente explosivos, literalmente) a porem em prática políticas públicas de alcance mais ou menos longínquo (portanto, imediatamente apenas parcialmente eficientes), mesmo sabendo que o expert advice do cara pago para aconselhar raramente será levado integralmente a sério. Como até hoje sempre fui pago no dia certo, faço o que posso. Trabalho e apresento o que devo apresentar. Se me perguntassem se entrego a meu contratante apenas o que ele - digamos - merece, eu diria que não : ofereço o que posso e minhas forças me permitem. É meu dever. Está no contrato. É o suficiente para que eu durma em paz comigo mesmo, mas sei que, se governos costumassem levar Epicuro a sério, teriam permanentemente sono bem pior que o meu. Enfim, o Paraíso não existe mais. Deus, em sua infinita bondade, dele expulsou Adão e Eva, e todos nós fomos junto para o buraco das imperfeições suficientes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Até por não ter frequentado as (belicosas ?) séances dos espíritas, não me sinto em condições de psicografar e compreender plenamente Epicuro. Por isso mesmo, e apesar da enigmática obviedade de seu famoso aforismo, a pergunta que sempre habitou minha imaginação foi a reversa : e quando o suficiente já basta, ao menos por ora? Deve-se ou não ir além? A pergunta, apesar de tudo, não é idiota. O desejo irrefletido de tudo superar o tempo todo, de nunca se contentar com o que não seja perfeito, de &#8211; enfim &#8211; vivenciar a divindade ou se pôr em vestes de Sujeito Transcendental (desejo do kantiano avant la lettre ?), não é em nada irrelevante, seja para a psicanalista atenta aos delírios narcísicos alheios, seja ao cientista social que lida com a desejada &#8211; e por vezes impossível &#8211; convivência pública saudável. Quem é, como eu, profissionalmente exigido para responder ao Poder sobre até onde deve a política pública chegar, sobre se deve propor soluções apenas suficientes para a momentânea eliminação de contendas de grupos sociais/culturais distintos danosas à convivialidade em espaços comuns, ou se, por outro lado, deve trabalhar para a permanente eliminação das causas (políticas, costumeiras, históricas) do conflito que se apresenta publicamente, ameaçando a sensação de bem-estar social, sabe que a escassez dos recursos públicos costuma trabalhar em favor de soluções medianas que, no entanto, deveriam resolver, e não apenas maquiar, problemas muito mais longevos e resistentes que os governos que vão se perdendo no tempo. Nunca consegui uma boa resposta ao problema que essa situação apresenta. Tanto quanto posso, e meus limitados conhecimentos profissionais me permitem, tento aconselhar decisores públicos (atualmente enlouquecidos com as repercussões locais de temas hoje mundialmente explosivos, literalmente) a porem em prática políticas públicas de alcance mais ou menos longínquo (portanto, imediatamente apenas parcialmente eficientes), mesmo sabendo que o expert advice do cara pago para aconselhar raramente será levado integralmente a sério. Como até hoje sempre fui pago no dia certo, faço o que posso. Trabalho e apresento o que devo apresentar. Se me perguntassem se entrego a meu contratante apenas o que ele &#8211; digamos &#8211; merece, eu diria que não : ofereço o que posso e minhas forças me permitem. É meu dever. Está no contrato. É o suficiente para que eu durma em paz comigo mesmo, mas sei que, se governos costumassem levar Epicuro a sério, teriam permanentemente sono bem pior que o meu. Enfim, o Paraíso não existe mais. Deus, em sua infinita bondade, dele expulsou Adão e Eva, e todos nós fomos junto para o buraco das imperfeições suficientes.</p>
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