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	Comentários sobre: Sexo por obrigação. Por Myrthes Suplicy Vieira	</title>
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	<description>Informação. Opinião. Pensamento.</description>
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		<title>
		Por: Myrthes Suplicy Vieira		</title>
		<link>https://www.chumbogordo.com.br/sexo-por-obrigacao-por-myrthes-suplicy-vieira/#comment-79015</link>

		<dc:creator><![CDATA[Myrthes Suplicy Vieira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jul 2022 12:18:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em resposta a &lt;a href=&quot;https://www.chumbogordo.com.br/sexo-por-obrigacao-por-myrthes-suplicy-vieira/#comment-79002&quot;&gt;RedFox&lt;/a&gt;.

Posso estar enganada, mas minha intuição me diz que o furo é mais embaixo. Acho que o dinheiro é um drive secundário. O que deve excitá-lo mesmo é a transgressão, o poder conquistado por debaixo dos panos, o risco de ser apanhado com a boca na botija. Acho que ele precisa de uma &quot;generala&quot; para assumir o controle da vida dele, só para posteriormente inverter o jogo de poder e torná-la cúmplice. O jogo sexual entre ele e a mulher de ocasião deve ser o de torturador-torturado, deve envolver muita tensão. Agora, para as mulheres da vida dele, o dinheiro/status deve ser realmente um motivo primário: basta fingir que foi subjugada para ter acesso a todas as benesses (desde que não o chantageie, ameaçando quebrar o silêncio)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em resposta a <a href="https://www.chumbogordo.com.br/sexo-por-obrigacao-por-myrthes-suplicy-vieira/#comment-79002">RedFox</a>.</p>
<p>Posso estar enganada, mas minha intuição me diz que o furo é mais embaixo. Acho que o dinheiro é um drive secundário. O que deve excitá-lo mesmo é a transgressão, o poder conquistado por debaixo dos panos, o risco de ser apanhado com a boca na botija. Acho que ele precisa de uma &#8220;generala&#8221; para assumir o controle da vida dele, só para posteriormente inverter o jogo de poder e torná-la cúmplice. O jogo sexual entre ele e a mulher de ocasião deve ser o de torturador-torturado, deve envolver muita tensão. Agora, para as mulheres da vida dele, o dinheiro/status deve ser realmente um motivo primário: basta fingir que foi subjugada para ter acesso a todas as benesses (desde que não o chantageie, ameaçando quebrar o silêncio)</p>
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		<title>
		Por: RedFox		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[RedFox]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jul 2022 01:13:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Prezada Myrthes. Teu texto é ótimo de ler. Minha mulher leu antes de mim, agora há pouco, e saiu da leitura rindo muito. Mais uma vez, relembrou um episódio de sua época de residência, em neurologia, uns trinta anos atrás (depois acabou fazendo mestrado e doutorado na área da psiquiatria, sendo, pois, uma tua colega transversal). O episodio em questão, que ela me contou de novo quase sem conseguir falar de tanto rir (e que deixou nossa filha boquiaberta, pois que ainda não a ouvira), resume-se a isto: Já conhecendo certo docente na clínica de neurologia do hospital universitário, minha mulher sabia que o sujeito era um chato digno de condecoração. Não apenas chato, no entanto, o elemento também era um sexista da pior espécie, daquele tipo que sempre consegue tirar do bolso da memória uma piadinha estúpida sobre a vanidade, a futilidade ou a concupiscência femininas. Como se tratava de um sujeito importante ali dentro, ninguém ousava contestá-lo ou deixar de fazer de conta que ria das anedotas moralmente miseráveis que ele narrava como um low range stand up comedian deveras contente consigo mesmo. Pois bem, certo dia, ao chegar à sala de reunião da clínica, esse senhor tomou pelo braço um residente e, diante de outros tantos médicos e médicas (minha mulher inclusa), perguntou se esse rapaz conhecia uma piadinha, que tratou de logo apresentar. Perguntou: &quot;Como neurologista, você sabe o que deixa uma mulher totalmente descontrolada de tesão?&quot; O rapaz - conta minha mulher - apenas corou, sem saber o que dizer. É quando o bacana, já rindo de sua própria genialidade, retoma a palavra e encerra assim a piada: &quot;Ver um homem mexendo em sua carteira! AH AH AH! Nada segura uma mulher que vê um homem com a carteira na mão!&quot; Desnecessário dizer que todos os machos presentes riram o suficiente para evitar ao douto professor a impressão de que não haviam gostado de blague tão genial... Infelizmente, no entanto, nem tudo termina assim tão bem, posto que minha mulher, vale relembrar, encontra-se no recinto. É ela, diante da plateia embasbacada, que chama aquele senhor para uma conversa e, fazendo-se de inocente, pergunta-lhe se fora assim que ele conquistara a própria patroa - que, aliás, quase todos ali conheciam. Dessa vez, parece, coube ao idiota corar um tantinho e tomar o rumo da porta com cara de comida estragada. E consta que nunca mais contou piadinhas desse tipo em presença de nenhuma senhora. É verdade que minha mulher correu certos riscos ali, mas ela sabia que qualquer atitude que esse senhor tomasse contra ela teria repercussão muito mais donosa a ele próprio. Ambos ainda se reencontrariam muitas vezes, em hospitais, na universidade, em reuniões científicas mundo afora, e sempre tiveram atitudes mutuamente protocolares, porém simpáticas. No íntimo, ela sabe que aplicou uma lição no sujeito. No íntimo, só ele sabe se aprendeu ou não...

(Aqui, ao meu lado, nem um pouco nostálgica desse Brasil preconceituoso, mentalmente pré-cambriano, ela me pergunta se Bolsonaro não terá conquistado as suas muitas mulheres com base na mesma estratégia. Tudo o que posso dizer é que acho possível.)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Prezada Myrthes. Teu texto é ótimo de ler. Minha mulher leu antes de mim, agora há pouco, e saiu da leitura rindo muito. Mais uma vez, relembrou um episódio de sua época de residência, em neurologia, uns trinta anos atrás (depois acabou fazendo mestrado e doutorado na área da psiquiatria, sendo, pois, uma tua colega transversal). O episodio em questão, que ela me contou de novo quase sem conseguir falar de tanto rir (e que deixou nossa filha boquiaberta, pois que ainda não a ouvira), resume-se a isto: Já conhecendo certo docente na clínica de neurologia do hospital universitário, minha mulher sabia que o sujeito era um chato digno de condecoração. Não apenas chato, no entanto, o elemento também era um sexista da pior espécie, daquele tipo que sempre consegue tirar do bolso da memória uma piadinha estúpida sobre a vanidade, a futilidade ou a concupiscência femininas. Como se tratava de um sujeito importante ali dentro, ninguém ousava contestá-lo ou deixar de fazer de conta que ria das anedotas moralmente miseráveis que ele narrava como um low range stand up comedian deveras contente consigo mesmo. Pois bem, certo dia, ao chegar à sala de reunião da clínica, esse senhor tomou pelo braço um residente e, diante de outros tantos médicos e médicas (minha mulher inclusa), perguntou se esse rapaz conhecia uma piadinha, que tratou de logo apresentar. Perguntou: &#8220;Como neurologista, você sabe o que deixa uma mulher totalmente descontrolada de tesão?&#8221; O rapaz &#8211; conta minha mulher &#8211; apenas corou, sem saber o que dizer. É quando o bacana, já rindo de sua própria genialidade, retoma a palavra e encerra assim a piada: &#8220;Ver um homem mexendo em sua carteira! AH AH AH! Nada segura uma mulher que vê um homem com a carteira na mão!&#8221; Desnecessário dizer que todos os machos presentes riram o suficiente para evitar ao douto professor a impressão de que não haviam gostado de blague tão genial&#8230; Infelizmente, no entanto, nem tudo termina assim tão bem, posto que minha mulher, vale relembrar, encontra-se no recinto. É ela, diante da plateia embasbacada, que chama aquele senhor para uma conversa e, fazendo-se de inocente, pergunta-lhe se fora assim que ele conquistara a própria patroa &#8211; que, aliás, quase todos ali conheciam. Dessa vez, parece, coube ao idiota corar um tantinho e tomar o rumo da porta com cara de comida estragada. E consta que nunca mais contou piadinhas desse tipo em presença de nenhuma senhora. É verdade que minha mulher correu certos riscos ali, mas ela sabia que qualquer atitude que esse senhor tomasse contra ela teria repercussão muito mais donosa a ele próprio. Ambos ainda se reencontrariam muitas vezes, em hospitais, na universidade, em reuniões científicas mundo afora, e sempre tiveram atitudes mutuamente protocolares, porém simpáticas. No íntimo, ela sabe que aplicou uma lição no sujeito. No íntimo, só ele sabe se aprendeu ou não&#8230;</p>
<p>(Aqui, ao meu lado, nem um pouco nostálgica desse Brasil preconceituoso, mentalmente pré-cambriano, ela me pergunta se Bolsonaro não terá conquistado as suas muitas mulheres com base na mesma estratégia. Tudo o que posso dizer é que acho possível.)</p>
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