Verdão de raça e paciência. Coluna Mário Marinho

Verdão de raça e paciência

COLUNA MÁRIO MARINHO

Em tempos idos, porém recentes, a atitude da torcida do Palmeiras empurrando o time até os momentos finais, como se viu na suada vitória sobre o Jorge Wilstermann, 1 a 0, gol aos 50 minutos do segundo tempo, era impossível acontecer.

No velho Parque Antártica, havia uma turma de torcedores que, fielmente, ocupavam as cadeiras que ficavam logo abaixo das cabines de rádio e televisão e bem atrás do banco de reservas do Palmeiras.

Era a chamada Turma do Amendoim, formada por ex-dirigentes e por torcedores influentes ambos os grupos cuja paciência se esgotava aos 15 minutos de jogo, caso o Verdão não estivesse à frente do placar.

Ao primeiro erro de um jogador, a impaciente Turma do Amendoim já resmungava; no erro seguinte, dá-lhe vaia.

A vaia era transferida também ao técnico além de contaminar o resto da torcida.

Dentro de campo, os jogadores temerosos da consequência de um erro, não arriscavam a criar.

E o time todo caía.

Naquela época, técnicos e alguns dirigentes mais lúcidos chegaram a questionar se era vantagem para o Palmeiras jogar em casa ou fora.

O Palmeiras de ontem, incentivado por sua torcida e com bravura jogou bem e mereceu a vitória sofrida e, por isso, tão comemorada.

O Jorge Wilstermann (esse é o nome do primeiro piloto comercial da Bolívia e que se tornou um herói na Guerra do Chaco, contra Paraguai), dirigido pelo peruano Roberto Mosquera, armou um esquema defensivo sem se tornar, contudo, a retranca costumeira de times pequenos. Aquela retranca em que os 11 jogadores ficam ali em volta da grande área e se livram da bola com chutões para todos os lados.

Fechou os espaços, ocupou sua intermediária, mas saiu muitas vezes em contra-ataques perigosos com três ou mais atacantes.

No primeiro tempo, a maior oportunidade de gol foi do “Seu Jorge” obrigando o excelente Fernando Prass a fazer defesa espetacular.

O time boliviano exagerou na cera, o juiz acertou ao dar acréscimo de seis minutos e o Seu Jorge foi punido com o gol de Mina (foto da abertura).

Vitórias assim, suadas, drásticas, sofridas servem para aglutinar mais o time, para unir mais a torcida, são mais comemoradas e se tornam inesquecíveis.

Como diria o capiau lá do interior de Minas:

Martelemo, martelemo mas no finar marquemo e vencemo!

Veja os melhores momentos com a narração de Nivaldo Prieto.

https://youtu.be/N-yj1qt9n4s

O goleiro
presidiário

O Boa Esporte lá de Varginha, cidade costumada a ser visitada por ETs, contratou o goleiro Bruno numa jogada que, pensaram seus donos, seria o marketing fácil e certeiro.

Enganaram-se.

O time, realmente, ganhou as manchetes e se tornou conhecido no Brasil inteiro. Mas não se pode dizer que o time que ele é lembrado com simpatia. A fama, na verdade, é negativa. Tanto assim que já perdeu seus principais patrocinadores.

Afinal, contataram uma pessoa acusada de matar a namorada, esquartejar seu corpo, ocultar o cadáver e manter o filho em cárcere privado.

Foi condenado a 22 anos de prisão, recorreu e ainda não teve seu recurso julgado graças à morosidade da nossa Justiça.

Bruno alega que tem direito a recomeçar a vida.

Eu concordo.

Mas, primeiro é preciso pagar por seu crime.

Dinheiro,
muito dinheiro.

chove-dinheiro

1 – Messi tem contrato com o Barcelona até o final de 2018. A partir de janeiro do ano que vem, caso não receba proposta oficial do time Catalão para a reforma do contato, o craque argentino pode começar a negociar seu passe com qualquer outro time.

Ainda tem algum tempo pela frente. Atualmente, Messi ganha R$ 80 milhões por temporada. Já mandou um aviso ao Barça: só renova por, pelo menos, R$ 115 milhões.

2 – Neymar está sendo processado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) por irregularidade na declaração do Imposto de Renda de 2011 a 2013.

O Fisco brasileiro diz que o jogador deve certa de R$ 200 milhões de reais, em valores atualizados.

Sua defesa entrou com recurso no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) e teve ganho parcial de causa.

O staff do craque comemorou, pois a dívida poderá cair para a bagatela de R$ 100 milhões.

Ufa!, aí, dá para pagar fácil.

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FOTO SOFIA MARINHO

Mario Marinho É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, nas rádios 9 de Julho, Atual e Capital. Foi duas vezes presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo). Também é escritor. Tem publicados Velórios Inusitados e O Padre e a Partilha, além de participação em livros do setor esportivo

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

1 thought on “Verdão de raça e paciência. Coluna Mário Marinho

  1. Mario, além do belo artigo vc presenteou seus costumeiros leitores com a origem de um time que eu nunca ouvi falar antes, o Jorge Wilstermann. Obrigado pela informação e parabéns.
    Modesto Laruccia, São Paulo.

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