Ecuador's Barcelona Jonatan Alvez (L) celebrates hi goal against Palmeiras during their 2017 Copa Libertadores football match at Monumental stadium in Guayaquil, Ecuador on July 5, 2017. / AFP PHOTO / RODRIGO BUENDIA

Mais uma vez, gangorra verde em ação. Coluna Mário Marinho

Mais uma vez, gangorra verde em ação

COLUNA MÁRIO MARINHO

Na tarde de quarta-feira, encontrei-me com um amigo palmeirense verde até às raízes.

Conversamos rapidamente e encerramos assim:

– Está confiante pro jogo de hoje à noite?

– Não, respondeu ele. Nem um pouco.

Estranha resposta para o torcedor de um time que enfileirou quatro vitórias seguidas em seus últimos jogos no Brasileirão. E dono de um elenco milionário.

Mas a derrota para o Barcelona ontem, em Guayaqui, 1 a 0, provou que o torcedor tinha e tem razão: o Verdão é uma gangorra.

No jogo de ontem, até pareceu que iria se dar bem e quase marcou numa boa jogada de Dudu com William no comecinho do jogo.

Mas ficou nisso e acabou levando o gol da derrota aos 46 minutos do segundo tempo,  o que é inconcebível em uma disputa mata-mata quando um empate fora de casa pode significar muito. Isso, sem contar com a fragilidade do adversário.

Cuca, que é um bom técnico, continua quebrando a cabeça para montar seu time.

Sabe que já não pode contar mais com a vitalidade do veterano Zé Roberto que, aos 43 anos, corre atrás dos atacantes adversários, quando sempre correu na frente. A improvisação de Juninho não deu certo.

Também, mais uma vez, provou-se que foi muito dinheiro gasto com colombiano Borja (cerca de 35 milhões de reais) para pouco benefício. Artilheiro no Atlético Nacional da Colômbia, Borja pouco tem produzido no Verdão.

Claro que nada está perdido pois a história toda pode mudar com uma boa vitória no jogo de volta, em 9 de agosto, no Allianz Parque certamente lotado.

Mas, há sempre o risco.

Lá no Paraná, o Santos se deu bem com direito até a gol de letra para vencer o Atlético, 3 a 2. Bela vitória, bela atuação do jovem Kayke, apontado como Neymar II.

O Galo Mineiro do apaixonado Gilberto Mansur se deu mal em Cochabamba e perdeu para o Jorge Wilstermann, 1 a 0. No jogo de volta, no estádio Independência, em BH, precisa de uma vitória por dois ou mais gols de diferença para se classificar em a necessidade do sofrimento da disputa por pênaltis.

Os jogos de volta da Libertadores acontecerão no dia 9 de agosto.

O Flamengo se deu muito bem na rodada da Sul-Americana com a goleada em cima do modesto Palestino, em Santiago do Chile, por 5 a 2. O Mengão saiu na frente, levou a virada e depois construiu a goleada que lhe permite perder o jogo de volta por até 3 a 0. Ou seja: classificação garantida.

Veja os gols da quarta-feira.

https://youtu.be/XExuUu635FU

Fenômeno

reforça o Timão

Na verdade, timinho. Porque Timão se refere ao time que entra em campo, lidera o Brasileirão e leva torcedores a lotar a Arena de Itaquera e dá também a liderança da média de público no Brasileirão com 36.523 torcedores por jogo (o Palmeiras é o segundo colocado com 31.764).

Mas, fora de campo, a situação não é assim tão tranquila.

É difícil explicar como um time que tem tanta exposição quanto o Corinthians não tenha um patrocinador máster em sua camisa.

E é aí que entra Ronaldo, o Fenômeno.

A empresa dele vai entrar no campo dos negócios tentando conseguir o patrocínio que tanto faz falta às combalidas finanças corintianas.

Velha e doce

triste lembrança

Como acontece todo dia 5 de julho, desde 1982, o torcedor brasileiro volta a se lembrar da tragédia de Sarriá, quando o fenomenal time do Brasil perdeu para a Itália, 3 a 2, e foi eliminado da Copa do Mundo de 1982.

Todos se lembram com doce tristeza do time de Telê Santana que encantou o mundo e foi derrotado pela improvável Itália com três gols do improvável Paolo Rossi.

Veja os gols e a bela exibição:

Como acontece também em todo 5 de julho, vem à mente do brasileiro a capa histórica do Jornal da Tarde daquele dia.

Tenho muito orgulho da capa que criei naquele triste dia a partir de belíssima foto do Reginaldo Manente.

capa jtEnquanto todas as lentes dos outros fotógrafos presentes ao estádio Sarriá, em Barcelona, estavam voltadas para o gramado, à procura de expressões chorosas dos jogadores, o criativo Reginaldo Manente virou-se para a arquibancada à procura de um personagem, bem ao estilo do Jornal da Tarde.

Encontrou o garoto, hoje um advogado que mora em Curitiba, com queixo constrito segurando um choro que o peito estufado de orgulho não queria permitir.

Um corte na foto, um pequeno ajuste e ela se transformou em uma página sem manchete. A manchete era aquele rostinho que comoveu e ainda comove muitos brasileiros.

Na verdade, era capa do caderno de Esportes. Mas, o redator chefe da época, o também criativo Fernando Mitre, fez valer democraticamente a sua autoridade e levou minha página a ser a primeira página do Jornal da Tarde.

Tão inesquecível e gloriosa como a Seleção de Telê Santana.

 

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FOTO SOFIA MARINHO

Mario Marinho É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo foi durante muitos anos Editor de Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, nas rádios 9 de Julho, Atual e Capital. Foi duas vezes presidente da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo). Também é escritor. Tem publicados Velórios Inusitados e O Padre e a Partilha, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo

(DUAS VEZES POR SEMANA E SEMPRE QUE TIVER MAIS NOVIDADE OU COISA BOA DE COMENTAR)

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