Messi. Por Maria Helena RR de Sousa

Messi

Por Maria Helena RR de Sousa

…Não é preciso entender de futebol para concordar com o técnico argentino: Messi é tão responsável pela vitória como pela derrota.

Artigo publicado originalmente no Blog de Ricardo Noblat, 
na Veja online, 22 de junho de 2018

Leio no Globo de ontem, 21 de junho, um comentário do psicólogo argentino Miguel Espeche que me deixou especialmente preocupada:

“A torcida argentina é bastante infantil, parece mesmo uma criança exigindo a Copa do Mundo a seus pais. Quando essa demanda se frustra, o jogador é julgado moralmente, quase crucificado”.

Frase que explica o semblante de Leonel Messi antes do jogo de ontem, durante a execução do hino argentino. O craque tinha uma expressão tão apavorada, tão angustiada, que fiquei comovida e praticamente sentindo a dor dele. Sim, dor, porque era nítido que aquele jovem estava sofrendo uma dor insuportável.

Dor física? Não, claro que não. Mas quem garante que dor física dói mais que dor emocional?

No Clarín de ontem, li o seguinte na coluna do cronista esportivo Hector Gambini:

“Esta coluna não fala de Messi, porque ele não esteve em campo. E pega mal falar dos ausentes”.

Que tal esse colunista?

Já o técnico Jorge Sampaoli falou, sim, de seu maior e melhor jogador: “Quando Messi faz gol com a camisa argentina, gritamos todos e nos sentimos parte. Quando não faz, não ganhamos e a culpa é dele. É muito cômodo para todos que só um jogador seja responsável. Ele é o melhor do mundo, pode mudar um jogo, mas não pode ser responsável por um fracasso”.

Não é preciso entender de futebol para concordar com o técnico argentino: Messi é tão responsável pela vitória como pela derrota.

Espero que as mães argentinas sintam o mesmo que eu e que se revoltem contra uma imprensa esportiva passional e cruel. Deixem Messi em paz, respeitem sua emoção e seu momento.

Não sei se ele é o melhor jogador do mundo, não entendo nada de futebol. Sou daquelas torcedoras de quatro em quatro anos. Mas sou mãe. E se visse em meu filho um olhar vazio e trespassado de angústia como o olhar de Messi antes, durante e depois do jogo Argentina/Croácia, entraria em estado de alerta.

Espero que as mães argentinas sintam o mesmo que eu e que se revoltem contra uma imprensa esportiva passional e cruel. Deixem Messi em paz, respeitem sua emoção e seu momento.

A Copa do Mundo é um evento esportivo simpático e que une povos. Mas é só isso.

Não tem nada a ver com patriotismo ou com amor à Pátria. Nada.

Já está mais do que na hora da América Latina amadurecer…

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Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa*Professora e tradutora. Vive no Rio de Janeiro. Escreve semanalmente para o Blog do Noblat desde agosto de 2005. Colabora para diversos sites e blogs com seus artigos sobre todos os temas e conhecimentos de Arte, Cultura e História. Ainda por cima é filha do grande Adoniran Barbosa

1 thought on “Messi. Por Maria Helena RR de Sousa

  1. MARIA HELENA, QUE MARAVILHA. NA MINHA SANTA INGUINORÂNCIA PRA MIM O ADONIRAM SÓ VIVIA NA LEMBRANÇA DE GAROTO DO BIXIGA ONDE ELE ERA O NOSSO HERÓIS. SOUBE AQUI, COMO LEITOR DO “CHUMBO” QUE DEUS TE DEU DE PRESENTE AQUELE PAI. E UMA DAS COISAS QUE EU , JÁ COM 18 ANOS SERVINDO NA AERONÁUTICA, EM CUMBICA, CONTINUAVA A INJETAR ADMIRAÇÃO POR SEU PAI ERA A MÚSICA “TREM DAS ONZE”. ISSO PORQUE EU USAVA ESSE TREM QUE SAÍA DO BRÁS E TERMINAVA EXATAMENTE DENTRO DA BASE AÉREA PASSANDO PELO CAMINHO POR TODA AQUELA PERIFERIA, NA ÉPOCA DELICIOSA COMO USOS E COSTUMES, PORQUE ESTAVA LIMPA DE BANDIDOS. OS MAIS OU MENOS CAFAJESTES LIBERAVAM SUAS ENERGIAS RUINS JOGANDO NOS CAMPOS DE VÁRZEA E SAÍAM DE LÁ CALMINHOS. DIFERENTE DE HOJE, NÉ? FORTE ABRAÇO VIRTUAL . VOU TE SEGUIR. NÉLSON – PUBLICITÁRIO/ESCRIBA

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