Mundo confuso esse do Corinthians. Blog do Mário Marinho

MUNDO CONFUSO ESSE DO CORINTHIANS

BLOG DO MÁRIO MARINHO

As coisas corintianas são sempre grandes: as alegrias, as tristezas, as comemorações, as crises. Parece que tudo obedece a um padrão corintianamente megalomaníaco.

O Corinthians jamais viverá uma pequena crise.

Assim como é impossível determinar, com precisão, o local de origem da grande mancha negra de óleo nas costas brasileiras, não dá para cravar o início da atual crise alvinegra.

Para muitos, ela começou há 10 anos quando o então presidente da República, Lula da Silva, visitou o Morumbi candidato a estádio da abertura da Copa de 2014.

Lula estava acompanhado de dona Mariza Letícia, do então Ministro Orlando Silva e foi recepcionado pelo presidente do São Paulo Juvenal Juvêncio.

Estava também na cerimônia, o presidente d Corinthians, Andrés Sanches, que declarou, textualmente que o Morumbi era o estádio mais pronto para a abertura da Copa.

Mas, Sanches, amigo do Lula e também petista, disse uma coisa e começou a trabalhar por outra: a construção do estádio corintiano com apoio o presidente Lula que se diz corintiano, embora quando criança torcesse para o Vasco da Gama.

Deu no que deu.

O São Paulo previa gastar R$ 200 milhões para a reforma de seu estádio.

Em vez disso, deu Corinthians que tinha apenas um lote.

O estádio custaria cerca de R$ 900 milhões.

O financiamento viria da própria construtora, cujo dono Emílio Odebrecht era amicíssimo do Lula, e da Caixa Econômica Federal.

A prefeitura, então comandada por Gilberto Kassab, colocou a disposição do Timão R$ 420 milhões em CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) títulos que o Corinthians poderia comercializar e que se mostraram, na verdade, um grande mico. Encalhou tudo.

Assim, ficou pronto o estádio e, claro, era preciso pagar.

E quem iria pagar? O Corinthians, claro.

O Corinthians está pagando. O financiamento é tipo Casas Bahia, com milhares de prestações a perder de vista. Mas é preciso pagar.

Porém, não sobrou dinheiro para o Timão que vive, desde então, sendo cobrado por fornecedores. Alguns deles até bizarros, como um fornecedor de quentinhas para os funcionários.

E tem um grandão, a Caixa, que está em briga com Andrés Sanchez e companhia.

A verdade é que de lá para cá, o Corinthians anda de chapéu na mão. Perdeu jogadores importantes como o artilheiro Paolo Guerrero por questões financeiras.

E nunca mais montou um grande time.

Ganhou títulos, é verdade. Títulos que, aliás, serviram para esconder o imenso buraco financeiro.

Quando Tite foi para a Seleção Brasileira, Fábio Carille, discreto auxiliar técnico, foi elevado à condição de técnico.

Manteve o mesmo esquema de jogo cauteloso de Tite: time bem armado na defesa e à procura de uma boa oportunidade para contra-atacar.

O esquema foi dando certo.

Porém, a qualidade do elenco caiu e a repetição do mesmo esquema em todos os jogos se tornou manjadíssima.

Há alguns poucos meses (época da Copa América) alguma coisa desandou nos vestiários corintianos.

Carille deixou de ser unanimidade.

Alguns jogadores importantes caíram de produção, como Cássio, Fágner, Jadson e outros.

O sempre discreto e silencioso Carille desandou a falar.

E, com sua fala, desagradou a jogadores e dirigentes.

Culpou claramente os jogadores pelo fraco desempenho.

Mas, era garantido por Andrés, até que, numa entrevista, ao falar sobre a multa rescisória de seu contrato, declarou que “era merreca se comparada com os milhões que o Clube deve”.

Perdeu o apoio de Sanchez.

Sem apoio da base, jogadores, e do topo, presidente, tinha mesmo que cair.

Faltam poucas rodadas para terminar o Brasileirão e o Corinthians está fora da zona de classificação para a Libertadores.

E essa é uma competição muito importante, não só pelo título, mas também pela grana que distribui.

Essa grana é vital para os combalidos cofres corintianos.

Haverá tempo para a contratação de um novo técnico e a recuperação do time em apenas oito rodadas?

Eu duvido.

Quem viver, verá.

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Mário Marinho – É jornalista. Especializado em jornalismo esportivo, foi durante muitos anos Editor de

FOTO SOFIA MARINHO

Esportes do Jornal da Tarde. Entre outros locais, Marinho trabalhou também no Estadão, em revistas da Editora Abril, nas rádios e TVs Gazeta e Record, na TV Bandeirantes, na TV Cultura, além de participação em inúmeros livros e revistas do setor esportivo.

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