Os extremos se assemelham. Por Edmilson Siqueira

OS EXTREMOS SE ASSEMELHAM

EDMILSON SIQUEIRA

…o radicalismo é ruim de qualquer lado do leque ideológico. Hoje, o Brasil corre o risco de ver novamente esse “Fla-Flu” político se instalar nos debates e na disputa eleitoral. Há que se incentivar os que se desgarraram dessa prática. Candidatos sensatos que não flertem com o autoritarismo, que repudiem a corrupção, que não apelem a religiões para governar e que sejam verdadeiramente democráticos e adeptos de uma economia aberta e liberal.

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Nada mais parecido com um radical de esquerda que um radical de direita. Claro que há discursos diferentes, preferências diferentes, mas o objetivo a ser alcançado percorre os mesmos caminhos: ambos são violentos em suas ações, consideram traidores qualquer um que tenha um mínimo de simpatia não pelo inimigo declarado, mas por qualquer um que se coloque entre ambos os fanatismos no espectro ideológico. Por exemplo: um membro de um grupo radical elogia, nas redes sociais, uma frase ou um pensamento de Fernando Henrique Cardoso. Pronto! Virou traidor da causa, nazista e reacionário para seus companheiros da esquerda radical ou comunista, stalinista e defensor de corruptos para a turma da direita radical.

Obviamente, ambos estão errados. Nenhum país conseguiu desenvolver seu povo e seus negócios e oferecer certo conforto para a população praticando radicalismos políticos. A história está cheia de exemplos e, embora a esquerda tenha mais países que foram dilapidados por ela, os exemplos de radicais de direita ululam por aí. Aliás, por aqui também.

Durante a ditadura militar, por exemplo, o Brasil, é inegável, conseguiu vários avanços. Mas, sem contar as abomináveis violência, tortura e censura, aqueles governos sisudos perderam a enorme oportunidade de transformar o Brasil num país de primeiro mundo. Tivessem os carrancudos generais usados todos os poderes que tinham para abrir a economia brasileira e se livrar dos mastodontes estatais o país continuaria a crescer muito mesmo depois da crise do petróleo nos anos 70, crise essa que acabou com o tal “milagre brasileiro” e revelou que a base sobre a qual se erguia o edifício brasileiro era de areia.

Imagem relacionada…os rumos da economia do Brasil, sob uma ditadura de direita, não seriam muito diferentes se estivesse sob uma ditadura de esquerda, que era o que os grupos armados que tentaram vencer pelo terror, queriam para o país. Jamais lutaram, diga-se, pela democracia, como mentem hoje descaradamente alguns líderes da esquerda.

Ao invés de ser moderno e copiar as grandes democracias capitalistas, os militares preferiram o caminho do fechamento da economia, a proteção ao empresariado nacional, a manutenção de altos impostos para os importados. Não é muito diferente do que faria um governo radical de esquerda, né? Eu me lembro da inglória batalha dos jornais O Estado de São Paulo e Jornal da Tarde contra a “República Socialista do Brasil”, ou algo parecido. Propugnavam os jornais pela abertura do Brasil, pelo fim das gigantescas estatais para que o país pudesse crescer sem as amarras de um sistema atrasado e que não deu certo em lugar nenhum do mundo.

Ou seja, os rumos da economia do Brasil, sob uma ditadura de direita, não seriam muito diferentes se estivesse sob uma ditadura de esquerda, que era o que os grupos armados que tentaram vencer pelo terror, queriam para o país. Jamais lutaram, diga-se, pela democracia, como mentem hoje descaradamente alguns líderes da esquerda.

Mas, resumindo, os radicalismos se encontram em seus métodos de governar. A Venezuela está aí para não deixar ninguém mentir. A Bolívia idem: o país, sob Evo Morales, após 13 anos de governo, depende da venda de gás para o Brasil: esse negócio significa 90% de suas exportações.

Portanto, o caminho para qualquer país que queira sair do marasmo econômico e crescer de forma saudável e sustentável, deve ser o do centro. Foi assim, centro, centro-direita ou centro-esquerda, que as grandes democracias foram construídas. Não há milagres econômicos que se sustentem fora desse espectro e com alternância de poder. Duas das maiores democracias do mundo, EUA e Inglaterra, têm sistemas diferentes de eleger seus dirigentes, mas não se discute a liberdade em todos os aspectos em cada um deles. O leitor pode pensar na China, hoje a segunda economia do mundo e com um governo ainda fechado nos aspectos sociais.

Sim, mas ela só conseguiu matar a fome de mais de um bilhão de chineses quando abriu sua economia, atraiu capitais estrangeiros, ofereceu mão de obra barata e sociedade aos empresários que ali quisessem montar suas plantas. Deu resultado e o país se abre lentamente para maior liberdade no futuro. E se o regime meio comunista de lá oferecer padrão de vida razoável para todos os chineses (ainda falta um bocado) e alguma liberdade de expressão, de opinião e de acesso a parte do que hoje é proibido, o povo chinês pouco se importará se há ou não alternância no poder.

Como se vê, o radicalismo é ruim de qualquer lado do leque ideológico. Hoje, o Brasil corre o risco de ver novamente esse “Fla-Flu” político se instalar nos debates e na disputa eleitoral. Há que se incentivar os que se desgarraram dessa prática. Candidatos sensatos que não flertem com o autoritarismo, que repudiem a corrupção, que não apelem a religiões para governar e que sejam verdadeiramente democráticos e adeptos de uma economia aberta e liberal. Esse deve ser o perfil dos que querem que o Brasil se desenvolva. No atual governo, os setores da economia, infraestrutura e segurança se mostram dentro desse perfil. O resto namora o radicalismo torcendo para que as disputas futuras repitam as passadas. Se repetirem, o Brasil estará fadado a cometer os mesmos erros que o fez patinar e andar para trás em muitos anos do século atual. É hora de o eleitor acordar e dar uma basta nos candidatos e partidos radicais.

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Edmilson Siqueira é jornalista

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