Carta Aberta ao Rabino Henry Isaac Sobel. Por Patrícia Aldecoa

CARTA ABERTA AO RABINO HENRY ISAAC SOBEL

PATRÍCIA ALDECOA

… Seu carisma era mágico, de uma alegria que trazia a todos para junto de você, como um ímã. Os olhos de todos reluziam com entusiasmo, principalmente os seus…

 

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Meu Querido Rabino,

Nós sabíamos que um dia nos despediríamos, mas como você mesmo dizia: CELEBRAMOS A VIDA.

Não participei da sua luta contra a Ditadura, nós tínhamos uma grande diferença de idade, mas suas histórias de bravura e de ternura certamente serão contadas de Geração em Geração – “Ledor Vador”.

Nós nos encontramos na sua sabedoria, espiritualidade e naquele seu lado de “criança” crescida, cheio de sorrisos e brincadeiras. Também nos encontramos em um momento conturbado da política brasileira, no qual você estava profundamente inserido, como sempre.

Muitas vezes até discutimos sobre essa tão louca política brasileira, mas fazíamos isso num outro nível, na percepção dos sinais que o universo nos envia a todo instante, na Estrela de Davi, “assim na Terra como no Céu”.

Resultado de imagem para HENRY SOBEL… Meu querido Rabino, vaidoso, sedutor, cheio de VIDA, neste momento, você deve estar encontrando com muitos deles. Muitos anjos, e tenho certeza que o estarão recebendo com o mesmo “Seja Bem Vindo”, com o qual você calorosamente recebia a todos por aqui. Fica bem…

 

Eu sei, meu Rabino, você é o Rabino de toda a comunidade judaica brasileira –  e mesmo internacional – e, ainda digo mais, milhares de não judeus também o apreciavam. Mas hoje, hoje, me dou a prerrogativa de você ser meu Rabino; aquele que se sentava debaixo de uma árvore e contava lindas histórias do Midraxe; aquele que tinha uma aura muito maior do que o próprio corpo, mas pedia para não ser colocado num pedestal, pois tinha muitos defeitos. Aquele que eu chamava de “Liberal de Fachada”, porque seu lado hassídico era tão ligado a você que me fez feliz ao dançar, rodopiando, com toda a Comunidade, em Simchá Torá, e me fez muito brava quando não deixou que eu, num Shabat, falasse no púlpito sobre a Parachá da Semana…por ser mulher. Ainda bem que melhorou “um pouquinho” depois.

Seu carisma era mágico, de uma alegria que trazia a todos para junto de você, como um imã. Os olhos de todos reluziam com entusiasmo, principalmente os seus.

Foi muito bom encontrar com você “neste tempo, nesta época”, estar em pequeninos momentos em que você se “despedia” de sua mamãe ao deixar  sua sala na CIP ao final do dia, ou no último capítulo de uma novela, em que você relutava em ir ao serviço religioso…

Existiu um momento, dentre tantos, que você me perguntou o que eu havia visto quando, no púlpito, durante uma Benção de Shabat, você abriu os braços, de frente para os Rolos da Torá, com o xale de orações totalmente aberto, caindo sobre seus ombros. E eu disse: “Um Anjo”.

Meu querido Rabino, vaidoso, sedutor, cheio de VIDA, neste momento, você deve estar encontrando com muitos deles. Muitos anjos, e tenho certeza que o estarão recebendo com o mesmo “Seja Bem Vindo”, com o qual você calorosamente recebia a todos por aqui. Fica bem.

Um beijo,

Qualquer dia a gente se encontra, meu Rabino “Flower Power”.

Shabat Shalom

Com Carinho,

*Patrícia Aldecoa é advogada e admiradora do rabino Henry Sobel, seu mestre no Judaísmo

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